Escolhi o Rio de Janeiro – cidade maravilhosa – para ser cenário e fonte de inspiração para meu início de 2012, onde ainda me encontro. Em um dia ensolarado, passeando pela Barra da Tijuca, deparei-me com as obras da Cidade da Música. Atualmente denominada Cidade das Artes. Gostaria de dividir algumas informações com vocês. Somente fatos.
1. O projeto da obra, apoiado em desejo do prefeito César Maia e idealizado pelo arquiteto francês Christian de Portzamparc, foi apresentado em outubro de 2002, com inauguração prevista para o final de 2004 e custo total de R$ 80 milhões de reais. Em agosto de 2008, quatro anos após a previsão do projeto, a prefeitura do Rio de Janeiro decide inaugurar o complexo. O desejo é vetado pelo Corpo de Bombeiros da cidade (assista ao vídeo). Neste momento, o investimento já havia chegado a R$431 milhões de reais. Enfrentando críticas da opinião pública e de seus opositores, César Maia estabelece o mês de dezembro como nova data para inauguração do complexo cultural, quando o prefeito já apagava as luzes do seu período de mandato. “Ficará para a posteridade da cidade. A polêmica foi exagerada por politicagem. É isso que gravará meu nome nela. Se tivessem inaugurado quatro meses depois (ou seja, já no mandato do atual prefeito Eduardo Paes) ninguém se lembraria da autoria”, declarou o antigo prefeito. A “inauguração”, ocorrida há mais de 3 anos, teve direito, inclusive, a tombo do entusiasmado prefeito (assista ao video).
2. A Cidade da Música receberia o nome do jornalista Roberto Marinho, recém-falecido. O decreto (n° 23243), que dava o nome à Cidade da Música, teve que ser alterado, a pedido da própria família Marinho, que não queria ver o nome do empresário das Organizações Globo associado ao complexo.
3. No início de sua gestão, o novo prefeito Eduardo Paes não poupou críticas ao projeto milionário. Contratou-se uma auditoria que levantou indícios de fortes irregularidades. Esfriada a polêmica criada, a atual gestão da prefeitura retomou as obras. Até o final de 2011 já foram investidos na obra, aproximadamente, R$515 milhões de reais. No dia 15 de dezembro de 2011, um princípio de incêndio, em uma das salas, é controlado por bombeiros. Ninguém ficou ferido.
Entre os espaços da Cidade das Artes – um gigante faraônico de 90 mil metros quadrados – encontram-se estão 13 salas de ensaio, 13 salas de aula, 3 lojas, videoteca, 3 salas de cinema, sala de eletroacústica, restaurante, cafeteria, 738 vagas de estacionamento, entre outros, além de sua sala principal de concertos, com capacidade de até 1.800 lugares, uma sala secundária, com capacidade de 800 lugares. A Cidade das Artes demandará 35 milhões de reais anuais para sua manutenção.
Conversando com um dos funcionários, fui informado que muita coisa foi refeita, em uma tentativa de seguir o projeto inicial. Entre outras coisas, alguns funcionários comentaram que as poltronas importadas tiveram que ser todas retiradas, dado que algumas etapas da construção haviam sido suprimidas. Houve mudanças também no palco, antes fixo e agora automatizado, além de toda a questão acústica que havia sido, praticamente, abortada. O importante era “inaugurar”.
É razoável que a construção chegue a seu final algum dia, colocando um ponto final a toda essa discussão, até mesmo por motivos políticos: o governo atual não pode e nem quer ser responsabilizado pela degradação. O que surpreende é que, com a Jornada Mundial da Juventude, com as Olimpíadas e Copa do Mundo, o Rio certamente estará na vitrine do mundo, com muitas prioridades. Alguns afirmam que a conclusão da obra trará mais prejuízos aos cofres públicos. Segundo estudos, a Cidade das Artes tende a ser deficitária.
Com inauguração prevista para 2012, o complexo poderá trazer um forte impulso cultural ao Rio de Janeiro, já tão desgastado depois de tantas crises em seu meio artístico. Resta agora torcer.
Mais gente rica com dinheiro público. As construtoras agradecem.
Aqui em Sampa querem fazer algo parecido lá na cracolândia, com teatro de ópera, balé… Certamente custará 10 vezes mais do que o previsto.
E depois de pronto, criam um monte de cargos comissionados para os amigos e parentes administrarem mais esse elefante branco.
Diante disso, infelizmente não sobra dinheiro pra música.
É preciso acabar com a visão errada de que cultura é luxo, é supérfulo, não é prioridade… Deveria ser!!!
A indústria cultural, segundo estudos realizados pela Confederação Nacional da Indústria, de todos os setores da atividade econômica é a que gera mais riquezas e empregos, direta e indiretamente.
As estatísticas provam que de cada R$1,00 aplicado na cultura há um aumento,, em média,de R$19,00 em atividades econômicas!!!
Portanto, investir em Cultura é o melhor investimento que um governante pode promover!!!
É verdade. O problema é apenas o pequeno erro de planejamento que transforma em custo de 80 milhões em algo que hoje já beira os 600. Sem contar o retrabalho produzido pela construção mal feita e apressada para a inauguração e as habituais manipulações de dados de afluência de público e custo operacional para justificar o gasto de nosso dinheiro neste momento. Prioridades para nós, cidadãos do Rio de Janeiro, são saúde e educação – até para que o distinto público possa para de votar desinformado, despolitizado e com o estômago e eleger administradores públicos melhores.
A cidade da música seria um lindo presente à nossa cidade, especialmente para quem a ama e vive aqui – mas feita pelo valor e nos prazos inicialmente estabelecidos, e com programação de uso planejada, que atenda a todas as camadas sociais e que garanta receita para sua manutenção SEM SUBSÍDIOS. Uma “cidade das artes” que pretenda mais uma vez admitir apenas uma camada social que possa pagar preços extorsivos e que precisa de aproximação às artes como lazer ou dilentantismo em vez de educação é perfeitamente dispensável, especialmente com os valores mencionados, pagos por TODOS os verdadeiros cidadãos cariocas.
Concordo com os dois. Agora resta-nos aguardar que rumos serão dados a esse novo espaço. Sem dúvida, será um forte empurrão para a vida cultural da cidade do Rio de Janeiro.
responder este comentário denunciar abusoEssa afirmação de que o custo era de 80 e passou a 500 é mentirosa apesar de tecnicamente certa. Isso foi o modo que o antigo prefeito conseguiu aprovar o projeto pois um pouco antes ele tentou levar o gugnhein para o porto num projeto de 500 milhões e não foi aprovado pela câmara. Com isso ele falsificou o valor para depois aumentá-lo. É assim que funciona a politica hoje em dia, tudo no jeitinho. O atual Prefeito é outro, não inaugura por pura questão política e enquanto isso a população que poderia estar aproveitando o espaço fica olhando o elefante branco se deteriorar!
Ou seja, um apressa e faz mal feito só para inaugurar no seu mandato e o outro atrasa e não conclui só para não dar o braço a torcer pro seu antecessor, que já foi padrinho político, não tem pra onde fugir!
2012
2011
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