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Querem tirar o futebol da Olimpíada do Morumbi

Almir Leite

26 agosto 2014 | 17:08

São Paulo, Corinthians e Palmeiras travam uma disputa de bastidores para receber, em seus estádios, o torneio de futebol da Olimpíada de 2016.

Se prevalecer o que está escrito, acordado e assinado, os jogos serão no Morumbi.

No entanto, há quem queira levá-los para a Arena Corinthians e outra corrente trabalha pela futura Arena Palestra.

O estádio do Palmeiras tem entre os defensores, por exemplo, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo – torcedor palestrino, por sinal.

A arena corintiana estava fortemente cotada quando Ricardo Teixeira mandava na CBF e Andrés Sanchez era seu braço direito. Perdeu o gás e surge como zebra.

Com a disputa acirrada, o Comitê Rio 2016 lava as mãos.

Recentemente, o presidente do comitê (e também do Comitê Olímpico do Brasil), Carlos Artur Nuzman foi questionado sobre o assunto e disse que a decisão é a Fifa. Afinal, é ela que trata das coisas ligadas ao futebol.

No site do Rio 2016, todos os locais de competição do futebol estão definidos – Maracanã no Rio; Mineirão em Belo Horizonte; Mané Garrincha em Brasília; Fonte Nova em Salvador.

Menos São Paulo.

Ocorre que, em 2008, no livro da candidatura elaborado pelo Rio, então ainda na disputa para sediar os Jogos, foi anexado documento com pedido para que o Morumbi fosse o estádio paulista da Olimpíada.

Naquela época a arena em Itaquera só existia no sonho de alguns corintianos.

E o novo Palestra também engatinhava.

O tempo passou e não é de hoje que estão tentando dar nova rasteira no São Paulo.

Preocupado, Carlos Miguel Aidar enviou, há cerca de um mês, ofício ao Comitê Rio cobrando que se honre a negociação feita em 2008.

Ainda não recebeu resposta objetiva.

Nem da Fifa, que está inclinada a confirmar o Morumbi – desde que o estádio sofra algumas reformas, para se enquadrar no seu padrão -, apesar de entusiasmadíssima com a Arena Corinthians.

A rigor, hoje o Palmeiras é o maior rival do São Paulo nessa “briga olímpica’’.

O Corinthians não faz muita questão de ter os Jogos, que dão status, mas não pagam as contas.

Como a arena teria de ficar cerca de 45 dias indisponível ao clube, a exemplo do que ocorreu na Copa do Mundo, a avaliação dos dirigentes é de que não é bom negócio ficar tanto tempo sem receita.

Nunca é demais lembrar que o clube precisa arrecadar para pagar a arena.

Mas o fato de o estádio ter seu plano operacional para grandes eventos testado e aprovado – por causa da Copa – agrada ao Comitê Olímpico Internacional e até setores dentro da própria Fifa.

Os defensores da Allianz Arena argumentam que ela será o estádio mais moderno e mais bem localizado de São Paulo. Sem contar que tem uma Olimpíada no local seria ótima propaganda.

O problema é que há quem considere, no COI, no Comitê Rio e na Fifa, que a tentativa de colocar o estádio palmeirense nos Jogos é uma medida oportunista.

A indefinição deve perdurar por algumas semanas, quem sabe alguns meses.

Mas, no final, é provável que venha a valer o que está escrito,  com a confirmação do Morumbi.