Brasil, o PaÃs da piada interna
- 14 de junho de 2010|
- 12h13|
- Por Alexandre Matias
“CALA BOCA GALVÃO” é um fenômeno tÃpico da internet brasileira, uma piada interna levada à s últimas consequências, quando até o que não era motivo de piada (pense na camiseta usada pelo bêbado Jeremias ou os “vegetais folhosos” citados por Ruth Lemos) acaba virando. Foi o que aconteceu quando a já clássica frase escrita em cartazes por diferentes torcedores brasileiros, esperando apenas a câmera da TV Globo, atingiu o em cheio o público estrangeiro. Que, ao se perguntar sobre o que era aquilo que os brasileiros tanto falavam, foram vÃtimas de um trote em escala global.
A Ana contou esta história na própria sexta-feira e explicou como um grito de cala a boca tornou-se uma campanha ecológica via Twitter. E durante o fim de semana, variações da piada fizeram-na ganhar proporções ainda maiores. Antes de ser esclarecida e parar nos topo dos trending topics mundiais, a expressão ainda era motivo de dúvida. Perguntava-se o jornalista Peter Kafka, do Wall Street Journal, ao anunciar os trending topics patrocinados, o que a frase significava no final de sua matéria. Logo depois, Paulo Coelho twittava desinformação de propósito, como grande parte dos brasileiros bilÃngues:
Disseram até que “Cala Boca Galvão” era uma música nova da Lady Gaga. Nem “Hitler” entendeu nada:
O trote logo foi esclarecido quando o site Mashable publicou o nome do locutor da Globo como o terceiro trending topic mais usado durante a Copa do Mundo deste ano, ficando atrás apenas de “vuvuzela” e “World Cup Kickoff Concert”. Mas mais brasileiros desocupados tiveram tempo de produzir o vÃdeo abaixo, que a Gabi acabou de postar em seu blog:
O tal Galvao Institute tem até Twitter próprio. O assunto tem muito a ver com a matéria de capa do Link desta segunda (depois eu falo mais sobre ela), mas aposto que ainda veremos algum desdobramento desta história em breve.
Nativo digital
- 26 de abril de 2010|
- 14h05|
- Por Alexandre Matias
Esta é mais uma da série “pauta que vÃnhamos apurando há um tempão” e que foi posta no gatilho graças a uma notÃcia. Que no caso foi realização do Simpósio Internacional de PolÃticas Públicas para Acervos Digitais em São Paulo. O evento que, além de falar em digitalização de acervos fÃsicos para o meio eletrônico, finalmente se perguntava quem deveria se preocupar com a preservação do que havia nascido digitalmente. Helô chamou a responsa para si e assumiu a pauta com o tom sério que ela merecia – afinal, não estamos falando apenas de preservar sites e blogs (como se isso fosse pouca coisa), mas de saber como será preservada a rotina dos primeiros dias deste século.
Tati deu uma mão para a Helô na matéria e, além de separar alguns achados que reapareceram graças à era digital (os perdidos ficaram com o Fred), também entrevistou Abbie Grotke, coordenadora de MÃdias Digitais da Biblioteca do Congresso dos EUA, responsável pelo projeto de arquivar todos os tweets no acervo da instituição. A ideia da capa surgiu quando o Jairo sugeriu ilustrar a parte dos perdidos do achados e perdidos com o Ãcone de erro que aparece quando não se encontra uma imagem online – ideia tão boa que ilustrou a própria capa:
A edição ainda conta com um Personal Nerd dedicado à saga Guerra nas Estrelas, que, foi anunciado na semana passada, terá outra trilogia para concluir sua história, e um perfil dos criadores do site We Feel Fine, feito pela Ana Freitas.
E um fato chato nos tirou do sério na semana passada, quando, na matéria sobre o fórum 4chan, um dos clones brasileiros do site, o 55chan, foi citado de passagem – e foi motivo para que parte de seus frequentadores passassem a atacar a repórter autora da matéria, além de ameaçar derrubar o site do Estadão com um ataque de mensagens. O acontecimento foi frustrante devido ao fato dos integrantes do fórum não perceber que, graças ao anonimato que tanto prezam em suas páginas, podem estar dando munição para aqueles que querem que a internet seja um ambiente controlado e com liberdades cerceadas. Escrevemos uma matéria para registrar o acontecido e nosso colunista Pedro Doria comentou a questão do anonimato na internet.
Todos que nós aqui no Link apoiamos e desfrutamos desta liberdade atual, que inclui até o direito ao anonimato, mas recebemos com frustração a série de ataques – pessoais e institucionais – que alguns afobados resolveu acionar. Tenho certeza de que estas agressões não são consenso sequer no próprio fórum e podem ter sido feitas de forma inconsequente, até mesmo com alguma ingenuidade. Mas não custa lembrar que brincadeiras podem virar coisa séria quando saem de seus ambientes originais – e podem causar incômodos.
É só uma questão de educação.
- Bugio De André “Cardoso” Czarnobai
- Conector de Gustavo “Mini” Bittencourt
- Dia a dia, bit a bit de Silvio Meira
- Tiago Doria Doses diárias de cultura digital, tecnologia e mÃdia
- Cinco anos mudando a cara do jornalismo de tecnologia
- O que acontece quando você faz algo que todo mundo espera
- Parece piada, mas os conselhos de Luane têm fundamento
- A Trama Virtual e os registros digitais de nossa época
- Kubrick previu uma nova linguagem em ‘O Iluminado’
- O ‘Além da Imaginação’ do novo século digital
- Um artista desconhecido no topo da parada da Billboard
- Os novos óculos do Google e um futuro sem usar as mãos
- A nova cultura brasileira é produzida na internet
- Duas décadas depois, um novo disco do My Bloody Valentine




