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	<title>Alexandre Matias</title>
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		<title>Alexandre Matias</title>
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		<title>Cinco anos mudando a cara do jornalismo de tecnologia</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2013 19:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressão Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Link]]></category>
		<category><![CDATA[impressão digital]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Despeço-me depois de a coluna completar 3 anos É inevitável ouvir Jim Morrison sussurrar a frase que batiza o maior épico dos Doors à medida que começo a digitar. É a última Impressão Digital que assino, um mês após ela completar três anos. A coluna, que começou no Caderno 2 em 2010, era o último [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Despeço-me depois de a coluna completar 3 anos</em></p>
<p>É inevitável ouvir Jim Morrison sussurrar a frase que batiza o maior épico dos Doors à medida que começo a digitar. É a última <em>Impressão Digital</em> que assino, um mês após ela completar três anos. A coluna, que começou no <em>Caderno 2</em> em 2010, era o último vínculo que tinha com este centenário jornal. Agora encerro a jornada que comecei em 2007.</p>
<p>(Minha relação com o <strong>Estado</strong>, contudo, é anterior ao<em> Link</em>. Durante os anos 90, colaborei com o extinto caderno <em>Zap!</em> e em sua versão reduzida, o <em>Caderno Z</em>. Foi ali que publiquei minha primeira matéria num grande veículo, ao comemorar o cinquentenário do gênio psicodélico Syd Barrett. Portanto, o fim da <em>Impressão Digital</em> talvez seja o encerramento do meu segundo ciclo na casa, não minha despedida final.)</p>
<p>Comecei a trabalhar no <em>Link</em> em maio de 2007, após sair da gravadora Trama. Em abril, o antigo editor-assistente do Link, Guilherme Werneck, me chamou para conversar. Ele estava saindo para dirigir a redação da revista Trip. Perguntou se eu toparia assumir seu cargo. Gostei da ideia – já acompanhava o caderno por atuar na cobertura de tecnologia desde o início da década passada.</p>
<p>Era outra época. O Orkut ainda era forte, o Facebook não existia fora dos EUA, o iPhone acabara de ser lançado, a Lei Azeredo pairava cogitando a obrigatoriedade de se digitar o CPF para acessar a internet, a internet via celular ainda era WAP, Rafinha Bastos e Danilo Gentili eram estrelas do YouTube.</p>
<p>Quando o Ilan Kow, que hoje ocupa o cargo de diretor de projetos da casa, assumiu a gestão dos suplementos do jornal, ele achou que eu funcionaria melhor como editor do <em>Link</em>. Foi aí, em maio de 2009, que comecei a mudar a forma como o caderno funcionava.</p>
<p>Transformei a seção de tecnologia do portal <em>Estadão.com.br</em> no site do <em>Link</em>. Ao procurar alguém para ser meu editor-assistente, Ilan e seu braço direito Luiz Américo Camargo me sugeriram a Heloisa Lupinacci, que trabalhava no caderno de Turismo da <em>Folha de S. Paulo</em>. No primeiro almoço que tive com Helô ela disse que não conhecia muito de tecnologia. “Não importa”, frisei, “você tem que entender de jornalismo”, antes de repetir um dos meus mantras: essa é das poucas profissões em que você é pago para aprender.</p>
<p>Com Helô como copilota, reestruturei a equipe que ficara desfalcada. Chamei Tatiana de Mello Dias, que já havia trabalhado comigo na Trama e estava na <em>IstoÉ</em>, o amigo Fred Leal para ser o “personal nerd” e Ana Freitas, que havia acabado de terminar o estágio no portal. O Filipe, repórter, tornou-se o editor do site do <em>Link</em> e, no ano seguinte, todo mundo ganhou sua coluna.</p>
<p>Estas mudanças atingiram a pauta de tal forma que o <em>Link</em> logo tornou-se referência não apenas entre os veículos que cobrem tecnologia, mas no jornalismo brasileiro. Na época a Helô, que hoje é editora-assistente do caderno <em>Paladar</em>, dizia que o <em>Link</em> não era um caderno, era um experimento jornalístico.</p>
<p>Ao fim de 2012, recebi o convite para dirigir a redação da<em> Galileu</em>. Mas o diretor de redação do <strong>Estado</strong>, Ricardo Gandour, queria manter meu vínculo no jornal e me propôs continuar com esta coluna. Filipe Serrano, que tornou-se o editor-assistente após a saída da Helô, assumiu a edição do caderno, cargo que ocupa hoje.</p>
<p>Nesta nova fase do <em>Link</em>, a <em>Impressão Digital</em> chega ao fim. Foram 152 colunas ininterruptas. Parece motivo de tristeza, mas é bom que as coisas terminem. Encerro meu segundo ciclo na centenária redação com uma pontinha de saudade e um enorme orgulho. Sei do bom trabalho que fiz e como foi bom conhecer todos que conheci – e são dezenas de pessoas, de velhos amigos que reencontrei a novos conhecidos que tornaram-se chapas, amigos e confidentes. Despeço-me de todos aqui &#8211; mas a vida continua e com certeza nos encontraremos por aí. Quem sabe, num futuro, até mesmo nas páginas deste jornal.</p>
<p>E não se esqueçam: só melhora!</p>
<p>Um abraço e tudo de bom.</p>
<p><em>*<strong>Alexandre Matias</strong> é diretor de redação da <a href="http://revistagalileu.globo.com/" target="_blank">Revista Galileu</a> </em></p>
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		<title>O que acontece quando você faz algo que todo mundo espera</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Apr 2013 19:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura digital]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Arrested Development]]></category>
		<category><![CDATA[House of Cards]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>

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		<description><![CDATA[House of Cards ou Arrested Development? Já escrevi sobre isso aqui: por mais que goste das novidades digitais, estou longe de ser early-adopter, daqueles que saem por aí usando todas as possibilidades de um aparelho ou serviço recém-lançado. Tenho uma curiosidade branda em saber como funciona o que acabou de aparecer e está todo mundo comentando. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>House of Cards ou Arrested Development?</em></p>
<p>Já escrevi sobre isso aqui: por mais que goste das novidades digitais, estou longe de ser early-adopter, daqueles que saem por aí usando todas as possibilidades de um aparelho ou serviço recém-lançado. Tenho uma curiosidade branda em saber como funciona o que acabou de aparecer e está todo mundo comentando. Mas ficar horas na fila para comprar um telefone? Sonhar em usar uma certa atualização? Não sou desses.</p>
<p>(Lembro quando comecei a trabalhar no <em>Link</em> como editor-assistente em 2007. A chefia na época me deu o argumento definitivo para comprar um celular. O iPhone acabara de ser lançado e os celulares ainda não eram computadores de bolso. Eu não queria ser encontrado e levei anos para me acostumar com um telefone que te acompanha mesmo depois que você sai de casa. Mas me perguntaram: “E se acontecer algo urgente quando o jornal estiver indo para a gráfica?” Um argumento definitivo, cedi.)</p>
<p>A explicação para eu ser um late-adopter vem de um hábito que tem a ver com a profissão de jornalista e virou compulsão: consumir conteúdo. Sou fissurado por notícias, livros, filmes, programas de TV, games, sites e blogs &#8211; e por isso me contenho na hora de utilizar novas tecnologias. Também demorei a comprar DVD, fazer compras pela internet e comprar um e-reader.</p>
<p>Todo este enorme nariz de cera para dizer que finalmente aderi ao Netflix. E o motivo de não ter começado antes a pagar a assinatura digital para consumir conteúdo online é porque eu sabia que ia abrir uma porteira difícil de ser fechada. Mas resolvi ver qual era a deles a partir do anúncio de que começariam a exibir produções próprias.</p>
<p><em>House of Cards</em>, série do diretor David Fincher, foi a escolhida para estrear a nova fase. Foi minha isca. Seu grande atrativo foi ter sido criada a partir de informações que a locadora digital tem dos usuários. Analisando os dados dos programas mais assistidos, chegaram a uma média que dizia que uma série sobre os bastidores da política estrelada por um protagonista sem escrúpulos seria de interesse de seus espectadores.</p>
<p>Comecei a assistir a série e&#8230; achei OK. Boas atuações, diálogos rápidos, uma trama que tem tudo para prender a atenção por alguns episódios e&#8230; um protagonista que vira-se para a câmera a cada dez minutos para explicar a cena e dizer quais são suas reais intenções. Precisava ser tão didático? Não passei do terceiro episódio, quem sabe um dia a retomo. Talvez não seja público-alvo típico da Netflix. Acontece.</p>
<p>Mas vi artigos e ouvi pessoas comentando que aquilo poderia ser um perigo, que a tendência era que a produção de conteúdo, quando é movida por algoritmos e estatísticas, poderia empacar a criatividade, criar produtos estanques, que não surpreendem e apenas saciam a vontade das pessoas por aquilo que ela já sabe que gosta.</p>
<p>Como se TVs e estúdios de cinema não fizessem pesquisas para saber como o público está reagindo a determinado filme ou série. Como se não existissem grupos de discussão, técnicas de foco de audiência e outros métodos para entender o que o público quer ver.</p>
<p>Bobagem ter esse receio. É inevitável que alguém surja com algo completamente inusitado que atraia as atenções – talvez pelo fato de que a maioria do conteúdo que é produzido hoje tende à banalidade justamente porque todos querem adivinhar o desejo do público.</p>
<p>Quero saber como será a volta de <em>Arrested Development</em>, uma das séries mais engraçadas de todos os tempos, cancelada em 2006 pela baixa audiência, justamente por ser inusitada, nonsense e exagerada – algo que nunca seria aprovado em uma reunião de conselho. Mas a série ganhou público e virou cult depois do cancelamento, a ponto do Netflix ter apostado em sua volta. A próxima temporada será lançada em 26 de maio. E agora? <em>Arrested Development</em> será como o público quer ver ou vão deixar a natureza livre, psicótica e absurda típica do seriado tomar conta novamente?</p>
<p>A ver.</p>
<p><strong><em>*</em>ALEXANDRE MATIAS</strong> é diretor de redação da <a href="http://revistagalileu.globo.com/" target="_blank">Revista Galileu</a></p>
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		<title>Parece piada, mas os conselhos de Luane têm fundamento</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Mar 2013 18:38:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar dos palavrões vídeo ‘manda a real’
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Apesar dos palavrões vídeo ‘manda a real’</em></p>
<p>No final do ano passado, a carioca Luane Dias resolveu gravar um vídeo para colocar no YouTube. Não citou nomes porque não queria apontar o dedo para ninguém, mas em pouco mais de três minutos desfilou um rosário de dicas de etiqueta social no Facebook. De fala mole e postura marrenta – uma carioca típica –, Luane, que pelo YouTube se identifica como “californiana2801”, também não poupa palavrões para criticar posturas de conhecidas em redes sociais.</p>
<p>Na semana passada, alguém descobriu o vídeo e ele viralizou. Se popularizou principalmente pelo jeito caricato que Luane dá suas dicas e pela enxurrada de palavrões ditos pela moça. Suas críticas tinham como alvo mulheres que querem passar por bem resolvidas e dizem não lamentar fim de relacionamentos, publicando frases de efeito no Facebook. As dicas de Luane são pérolas que merecem ser destacadas, mesmo relevando os palavrões e descontando o português esculachado:</p>
<p>“Bota que tá solteira, que tá feliz. Caô. Não tá! Sabe que não tá! Termina suave.” “Rasgue as fotos. Chore. Mas não coloque no Facebook.” “Tudo que vai fazer bota no Facebook. Essa porra virou diário agora?” “Como você vai arrumar namorado se todo dia você só quer reclamar?” “Guarde sua vida pessoal pra você.”</p>
<p>O único palavrão citado acima é quase uma vírgula perto das cenas pornográficas e do excesso de baixo calão do vídeo. Mas Luane não quer proibir ninguém de falar nomes feios e nem dar aulas de bons modos. Ela só quer dar um toque para umas meninas que saem publicando a primeira coisa que pensam no Facebook, sem nem pensar na repercussão que aquilo pode ter. “Não fale que tá na onda”, diz ela antes de cuspir outro palavrão e emendar “tá é ridícula”. O vídeo ganha ainda mais graça devido à fala arrastada de Luane, que capricha nos erres e nos esses chiados típicos do sotaque carioca.</p>
<p>Mas ela não está errada, não.</p>
<p>Luane está só verbalizando um sentimento que é próprio da maioria dos usuários da maior rede social do mundo. Você sabe. Basta um amigo ser contrariado para usar o Facebook como muro das lamentações e soltar indiretas como se elas pudessem ser percebidas apenas por quem é seu alvo. É quando paira aquela sensação de vergonha alheia – quando algo é tão constrangedor que envergonha até mesmo os outros. Você põe a mão na cara e abaixa a cabeça, incrédulo – “não é possível que o fulano se exponha dessa forma&#8230;”. Como se o Facebook já não fosse palco de outros tantos constrangimentos.</p>
<p>A carioca só pede calma na hora de postar. Ela mesma arrisca dizer que vai sair do Facebook, mas depois fala que não é preciso ser tão radical.</p>
<p>É um dilema da própria internet, não apenas do Facebook. A possibilidade de fazer sucesso a partir de frases polêmicas e opiniões engraçadinhas está ao alcance de qualquer um. E este sucesso é pra lá de relativo – basta que cinco amigos curtam uma frase boba para a pessoa que a publicou comece a se achar influente, transgressora, ousada.</p>
<p>Não, meu amigo, você não é. Na maior parte das vezes, o sentimento que você causa tentando provocar só piora a sua reputação.</p>
<p>Ou, como diz Luane, “se tu ficar de vacilação, alguém vai te cobrar”. Fique na boa!</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/HU0FmnOut2A" frameborder="0" width="480" height="360"></iframe></p>
<p style="text-align: center"><strong>***</strong></p>
<p>Falei <a href="http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2013/03/17/kubrick-previu-uma-nova-linguagem-em-o-iluminado/">há duas semanas nesta Impressão Digital</a> sobre o documentário <em>Quarto 237</em>, que disseca com diferentes lâminas <em>O Iluminado</em>, o clássico do horror dirigido por Stanley Kubrick em 1980. Ramon Vitral, repórter que cobre cinema no caderno <strong>Divirta-se</strong>, do <strong>Estado</strong>, veio me avisar que o filme de Rodney Ascher vai ser exibido no festival É Tudo Verdade, que começa na próxima quinta-feira, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Maiores informações sobre as sessões do filme <a href="http://bdetudoverdade.tempsite.ws/2013/home.asp?lng=">no site do evento</a>.</p>
<p><em>*<strong>Alexandre Matias</strong> é diretor de redação da <a href="http://revistagalileu.globo.com/">Revista Galileu</a>.</em></p>
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		<title>A Trama Virtual e os registros digitais de nossa época</title>
		<link>http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2013/03/24/a-trama-virtual-e-os-registros-digitais-de-nossa-epoca/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2013 18:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[trama virtual]]></category>

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		<description><![CDATA[O serviço acaba, seu acervo também
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O serviço acaba, seu acervo também</em></p>
<p>Lembro de quando a Trama Virtual apareceu. Começou quase como um projeto secreto. Seu idealizador, Carlos Eduardo Miranda, já tinha um vínculo próximo às bandas, então não foi complicado fazer essa ponte. Afinal, como veríamos depois, não é fácil fazer um site desta natureza acontecer sem ter o respaldo da comunidade que o usará.</p>
<p>Miranda tinha como inspiração o já falecido site&nbsp;<a href="http://MP3.com" title="http://MP3. " target="_blank">MP3.com</a>, que nos anos 90 surgiu como um grande repositório de música digital nos EUA, antes da popularização massiva do formato após a criação do Napster em 1999. Mas eram outros tempos, principalmente no que diz respeito à velocidade de conexão, e o site minguou. No século 21 a realidade era bem diferente – principalmente por conta da popularização da banda larga. Além da explosão de downloads ilegais de música, uma outra corrente começou a se manifestar quando artistas que não tinham exposição no rádio ou chance de ser ouvidos por executivos de grandes gravadoras perceberam que poderiam utilizar a internet para chegar a um público que nem sabia de sua existência. Artistas dispostos a dar música de graça, mas que não sabiam onde hospedar seus arquivos. Lembre-se de que isso era antes do YouTube e do MySpace.</p>
<p>Foi aí que a ideia de Miranda floresceu. Encontrou artistas que não se viam refletidos no mainstream da época dispostos a mostrar sua música gratuitamente para tornarem-se conhecidos e, aos poucos, estabelecerem uma carreira. O principal nome a sair deste ambiente começou como uma piada – o Cansei de Ser Sexy – mas logo foi catapultado para o exterior. Tornou-se popular graças à música oferecida gratuitamente pelo site, a ponto da própria Trama se interessar em lançar um disco da banda.</p>
<p>Mas o Cansei de Ser Sexy era a ponta do iceberg. Milhares de artistas hospedados na TramaVirtual não conseguiram um milésimo da exposição (e do sucesso e do dinheiro) que o Cansei obteve. Mas seguiam felizes por poder colocar MP3 nos servidores da gravadora e usavam sua página no site como cartão de visitas. Não era mais preciso contratar um webmaster e um designer para construir uma identidade na internet. Bastava colocar suas músicas no site da Trama, fazer uma descrição do estilo musical, subir umas fotos e pronto: qualquer artista tinha seu próprio repositório digital de MP3.</p>
<p>Aí veio o MySpace, chegou e aconteceu, foi vendido para a NewsCorp e em cinco anos tornou-se a maior rede social do mundo e em seguida afundou. Muitos artistas da TramaVirtual também abriram suas páginas no MySpace. E depois que o MySpace se afundou na própria incompetência administrativa, vieram o SoundCloud, o Bandcamp e outros sites de natureza parecida. Até hoje tenho amigos músicos que, na assinatura do seu e-mail, incluem os links para suas páginas nestes serviços.</p>
<p>Eis que, no susto, a Trama decidiu desligar os aparelhos de seu site. Muitos correram para baixar o que ainda dava, mas era irreversível – e muita música deve se perder com essa decisão. O mesmo pode acontecer com outros tipos de site e aí chegamos a um dilema específico: o que acontece com um artista que não registrou sua obra em fita ou disco, deixando tudo no formato digital?</p>
<p>O dilema não é só dos artistas. Essa transição de sites e mídias aconteceu com cada um de nós que dedicou parte de sua vida à digitalização social. Pense em fotografias – no início era o Fotolog, depois veio o Flickr, seguido dos álbuns do Facebook e agora temos o Instagram. Isso vale para textos e vídeos. Muita gente despeja os arquivos em sites e deleta os originais por não ter espaço. Mesmo assim, a manutenção destes arquivos não é tão segura – basta um HD cair no chão para você perder todas os registros de uma viagem.</p>
<p>Mudanças de plataformas, de formatos e de servidores vão seguir fazendo parte de nossa rotina no século 21. Temos de aprender a lidar com isso – para não sermos pegos no susto.</p>
<p><em>*<strong>Alexandre Matias</strong> é diretor de redação da <a href="http://revistagalileu.globo.com/">Revista Galileu</a>.</em></p>
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		<title>Kubrick previu uma nova  linguagem em &#8216;O Iluminado&#8217;</title>
		<link>http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2013/03/17/kubrick-previu-uma-nova-linguagem-em-o-iluminado/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 Mar 2013 18:20:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Filme de 1980 traz múltiplas referências
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Filme de 1980 traz múltiplas referências</em></p>
<p>Stanley Kubrick é dessas poucas unanimidades. Seus filmes estão misturados ao inconsciente coletivo da segunda metade do século 20 e suas cenas de ficção são emblemáticas o suficiente para servir de parâmetro para outras cenas da vida real. Sua obra sempre cutucou parte do tecido comportamental de sua época e foi se tornando esparsa à medida em que sua reputação ia crescendo. Em 46 anos de atividade,o diretor fez apenas 13 filmes – em seus últimos 30 anos de vida realizou apenas quatro.</p>
<p>O Iluminado, de 1980, seu antepenúltimo filme, é festejado como uma das maiores obras-primas do terror no cinema. Os fantasmas de Kubrick eram cenas apavorantes e épicas: duas crianças gêmeas mudas no meio de um corredor, uma onda de sangue saindo de dentro de um elevador, o sinistro quarto 237 e a lenta transformação do personagem de Jack Nicholson – em sua maior atuação – de um correto pai de família a um psicopata enraivecido.</p>
<p>Entre os críticos, há quem reclame da liberdade poética tomada por Kubrick ao adaptar o romance de Stephen King, na época considerado um novo alento à literatura de horror nos Estados Unidos. Mas Kubrick nunca foi considerado fiel às obras originais que se dispôs a adaptar e sempre as usou como plataforma para explorar suas próprias ideias, cenas e concepções. Foi assim com Lolita de Vladimir Nabokov, com Laranja Mecânica de Anthony Burguess, com o conto de Arthur C. Clarke que inspirou 2001 e assim também seria com O Iluminado. Mas um documentário do ano passado une diferentes interpretações para chegar a uma conclusão impressionante sobre o filme de 1980.</p>
<p>Room 237 &#8211; ou Quarto 237 -, de Rodney Ascner, mostra que O Iluminado não é apenas um filme de terror. São várias camadas de interpretação que mostram que o filme conta não uma, mas várias histórias: há referências ao holocausto nazista escondidas no roteiro, à chacina do povo indígena norte-americano em diálogos e detalhes da direção de arte, referências à lenda que Kubrick teria forjado o filme da Apollo 11 pousando na Lua, jogos de óptica, a onipresença do número 42, quebra-cabeças, personagens que se superpõem, truques que só podem ser identificados depois que cenas são vistas múltiplas vezes, formas geométricas subliminares, takes que se repetem em referência. Somos apresentados a pontos de vista de críticos, acadêmicos e historiadores. Há evidências que muitas dessas camadas foram deixadas de propósito por Kubrick.</p>
<p>Até que, num dado momento do documentário, alguém cita o dono de um site chamado MSTRMND (“mastermind” sem as vogais) que conta com uma longa dissertação sobre o filme e, em texto, surge um aviso explicando que, mesmo procurado, ele não quis dar entrevista ao documentário. Visitei o site e li não apenas a tese sobre O Iluminado como as diversas reflexões sobre diferentes filmes e um dos pontos principais de suas análises é o fato de que diretores de cinema não lidam apenas com as histórias que cogitam em seus roteiros.</p>
<p>E num dado momento o autor cogita a possibilidade de Kubrick estar antecipando uma nova linguagem que não necessita de palavras – e sim que empilha imagem, som, movimento, referências e, também, texto, que poderia substituir a escrita num futuro próximo.</p>
<p>Lia esse texto no computador quando, num impulso quase inconsciente, acionei o alt+tab e pulei blogs, as timelines do Twitter e do Facebook, alguns tumblrs, páginas de notícias que intercalam texto, áudio e vídeo. E vi que já estamos indo rumo a esta nova linguagem – isso sem contar emoticons, emojis, gifs animados e diferentes tipo de fontes&#8230;<br />
Kubrick, mais uma vez, tinha razão.</p>
<p><em>*<strong>Alexandre Matias</strong> é diretor de redação da <a href="http://revistagalileu.globo.com/">Revista Galileu</a>.</em></p>
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		<title>O ‘Além da Imaginação’ do novo século digital</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Mar 2013 17:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[série]]></category>
		<category><![CDATA[tv]]></category>

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		<description><![CDATA[Black Mirror: série pode ser melhor produção de TV no ano]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Black Mirror: série pode ser melhor produção de TV no ano</em></p>
<p>Há meio século, quando a televisão era novidade, o formato seriado foi um dos primeiros a propor uma linguagem típica da nova mídia, diferente de programas de auditório e de notícias que imitavam fórmulas consagradas no rádio. A nova mídia já havia se consolidado em lares norte-americanos e logo invadiria as salas de estar pelo mundo. A caixa luminosa e falante aos poucos descobriu as maravilhas da fita gravada, transmitindo pequenos filmes semanalmente para um público que ainda se acostumava ao novo aparelho e à sua linguagem.</p>
<p>O seriado imitava a fórmula narrativa das peças de teatro que já havia sido absorvida pelo cinema e, nos anos 1950, foi adaptada para a televisão. A principal diferença era o fato de que a TV, muito mais do que o cinema e o teatro, falava com milhões de pessoas ao mesmo tempo. Então era preciso diluir a produção para que as histórias fossem simples – e atingir cada vez mais gente.</p>
<p>Mas, há 50 anos, um contador de histórias começou a mexer neste formato. Depois da consolidação do seriado, ele passou a ser submetido a novas possibilidades – e um dos primeiros a puxar a mudança foi o escritor e roteirista Rod Serling. Cansado das restrições que sofria devido aos patrocinadores, resolveu partir para a ficção científica. E assim criou The Twilight Zone (A Zona do Crepúsculo, como bradava seu título original em inglês), conhecido no Brasil como Além da Imaginação.</p>
<p>O seriado aproveitava a novidade que era a TV para propor novos dilemas e situações pitorescas ao cogitar mudanças absurdas ou surreais em cada novo episódio. Histórias com meia hora de duração (chegaram a ter uma hora, mas só na quarta temporada) retratavam perfeitamente o clima da época.</p>
<p>O início dos anos 60 estava ensanduichado entre a década de 50 – que viu a ascensão da classe média norte-americana ao mesmo tempo em que se vivia a paranoia anticomunista, traduzida em histórias de horror e ficção científica – e o nascer do novo decênio, que, ainda sob a sombra da Guerra Fria, assistiu a mudanças nos direitos civis e no tratamento à mulher, além da popularização de substâncias de expansão da consciência e de celebridades em escala global.</p>
<p>Vivemos hoje uma época parecida com o início dos anos 60. A novidade não é mais a TV, mas a internet. Passamos já da fase de deslumbramento com o fato de estarmos em contato com o mundo inteiro instantaneamente. Mas&#8230; cadê o nosso Além da Imaginação?</p>
<p>Está na TV – mas ainda não passou na TV brasileira, nem tem previsão, como confirmei com a assessoria de imprensa do canal inglês BBC por aqui. Black Mirror, criado por Charlie Brooker, já comentado neste espaço, teve sua segunda temporada exibida mês passado. São só três curtos episódios, mas que pegam na veia – e no estômago – quando usam, como Além da Imaginação, nossa relação com novas tecnologias e mídias como metáfora para nos atentar para problemas que nos afligem em escala aparentemente menor.</p>
<p>Não vou contar as histórias nem as surpresas (e são muitas) dos episódios Be Right Back, White Bear e The Waldo Momento, mas insisto que merecem atenção, pois talvez sejam a melhor produção na TV em 2013 até agora.</p>
<p>O ano começou há dois meses, mas vai ser difícil alguém tirar este trunfo do seriado de Brooker. Ele aborda temas como política, violência, alienação, amor, marketing, justiça, inteligência artificial, relações familiares, vingança, morte, reality show, mercantilização da experiência humana, parques temáticos e televisão. Tudo filtrado por TVs de plasma enormes, telefones portáteis, redes sociais, transmissões ao vivo, vida digital e avatares. Talvez só não seja perfeito porque não foi criado para a própria nova mídia, como o Além da Imaginação era em seu tempo.</p>
<p>Mas, por outro lado, como assistir a um programa de TV inglês que só foi exibido oficialmente em seu país? Quem sabe, sabe.</p>
<p><em>*<strong>Alexandre Matias</strong> é diretor de redação da <a href="http://revistagalileu.globo.com">Revista Galileu</a>. </em></p>
<p><em>*Coluna publicada originalmente <a href="http://blogs.estadao.com.br/link/?p=90440">no Link de 11/3/2013</a></em></p>
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		<title>Um artista desconhecido no topo da parada da Billboard</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Mar 2013 18:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Dança nonsense levou a música ao topo 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Dança nonsense levou a música ao topo </em></p>
<p>Na semana passada, a parada de sucessos da revista norte-americana Billboard incluiu mais um item em seu ranking de músicas mais populares dos Estados Unidos. Chamada de Hot 100, a parada elenca desde 1958 as cem músicas mais vendidas e tocadas durante uma semana e sempre foi o termômetro de desempenho comercial dos artistas. Até a chegada da internet.</p>
<p>Antes da rede, era razoavelmente fácil aferir a performance mercadológica de um músico. Somava-se discos vendidos e músicas tocadas nas rádios e, a partir de cálculos específicos, a revista estabelecia qual era o artista mais popular no momento. Ou a banda que, embora não tenha atingido o topo, continuava a fazer sucesso graças às vendas e às execuções no rádio. Com a internet, esses parâmetros se perderam.</p>
<p>Afinal, qualquer um pode baixar quantas músicas quiser sem pagar ou ouvi-las sem que toquem no rádio, o que torna inviável a quantificação. Mesmo descartando os downloads ilegais, aumentam a cada dia as opções para ouvir música de graça (bandas que liberam o download ou serviços de streaming). Um deles, onipresente, é o que está mais perto de se tornar a maior rádio global que já se viu – embora seja uma plataforma originalmente de vídeo. Sim, o YouTube.</p>
<p>E foi exatamente o número de visualizações via YouTube que foi incluído no Hot 100 da Billboard. Mas o destino irônico quis que a novidade surgisse na hora em que a febre musical da vez não tivesse nem mesmo um vídeo próprio.</p>
<p>Se o novo parâmetro tivesse sido habilitado há seis meses, há um ano, há dois, teria elevado nomes como Psy (de Gangnam Style), Carly Rae Jepsen (de Call Me Maybe) ou Rebecca Black (de Friday) ao topo da lista e acelerado sua consagração comercial. São canções que têm videoclipes próprios, em que as imagens e a exposição são de domínio do artista.</p>
<p>Acontece que o hit de fevereiro de 2013 não é sequer uma música inteira. São 30 segundos de uma faixa que muitos nem mesmo podem considerar (por preconceito) uma canção. Harlem Shake, do produtor norte-americano Baauer, sem querer, se tornou o exemplar mais famoso de um gênero em formação chamado trap music.</p>
<p>A classe musical é uma variante sulista do hip hop norte-americano, mais lenta e pesada, que se aproxima de estilos específicos, como a versão dos EUA do dubstep (mais pesada e rápida do que a original inglesa) e o moombahton (colisão entre house music e reggaeton). Há um paralelo inevitável com o chamado “funk ostentação” paulistano, que se tornou objeto de curiosidade antropológica devido ao seu sucesso via internet.</p>
<p>Mas Harlem Shake não é nova – foi lançada em maio de 2012 e até fevereiro não tinha registro comercial. Até que um grupo de adolescentes australianos se vestiu com fantasias ridículas (um de Power Rangers, outro de alienígena, todos de collant) para dançar de forma ainda mais ridícula com a canção de Baauer. “CON LOS TERRORISTAS!”, diz o grito no início da música, que entra numa batida mecânica que se acelera. Aos 15 segundos, um sample diz “do the harlem shake” e a música se esborracha em câmera lenta, com um beat constante e uma base grave, sintética e lenta.</p>
<p>No vídeo dos jovens, a primeira parte da música é dedicada a se mexer sem sair do lugar, balançando a cabeça e os quadris sem tirar o pé do chão. Na segunda, depois de “do the harlem shake”, os moleques se chacoalham por inteiro, com os braços caídos, numa falta de noção típica da adolescência. Virou uma pérola de humor nonsense da internet.<br />
Justamente por isso pegou. E, como outros, começou a ser citado, referido, misturado. E o “do the harlem shake” convidou as pessoas a fazerem seu próprio “Harlem Shake”. O resto é história.</p>
<p>E, de uma hora pra outra, um artista desconhecido, que criou uma música há quase um ano, tem um trecho seu usado ironicamente em um vídeo que se espalha por um motivo idiota e se torna o artista número 1 na Billboard. Esse começo de século 21 é uma época e tanto&#8230;</p>
<p><em><strong>Alexandre Matias é Diretor de Redação da</strong> <a href="http://galileu.globo.com/">Revista Galileu</a>.</em></p>
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		<title>Os novos óculos do Google e um futuro sem usar as mãos</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Feb 2013 17:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[google glass]]></category>

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		<description><![CDATA[Glass’ responde a instruções de voz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Glass responde a instruções de voz</em></p>
<p>Quando, no meio de 2012, Sergey Brin apareceu usando um estranho par de óculos com uma pequena telinha transparente no lugar de uma das lentes, a surpresa foi geral. Mostrado em uma convenção cujo público era formado por desenvolvedores, o Google Glass causou uma pequena comoção entre os presentes e, principalmente, um estranhamento geral da maioria das pessoas que não é do mundo da tecnologia. Essa reação se dividia entre ceticismo e a sensação de estar vendo algo mais próximo da ficção científica.</p>
<p>Afinal, são óculos que permitem adicionar uma camada digital ao mundo analógico. É uma extensão drástica do conceito de realidade aumentada, aquela que, através da câmera de seu celular, identifica o que está ao redor para acrescentar informações àquilo que se vê. Olhe para uma rua e a realidade aumentada identifica o que há em cada prédio.</p>
<p>O Google Glass iria além, porque não apenas reuniria informações do que se vê, mas também funciona como câmera, dispositivo de acesso à internet e canal de comunicação. Acionado apenas pela voz, ele faria a maioria das coisas que seu celular pode fazer hoje, mas sem que seja preciso manuseá-lo.</p>
<p>Eis que semana passada os óculos voltaram a aparecer. Agora se chamam apenas Glass e no site&nbsp;<a href="http://google.com" title="http://google. " target="_blank">google.com</a> seu funcionamento é detalhado com ênfase nas atividades cotidianas. A empresa já mira no público final e não mais nos desenvolvedores. E reuniu diferentes atividades em vídeo para mostrar como seria fácil utilizá-los. Basta falar “Ok, Glass” e o aparelho está pronto para obedecer a diferentes comandos: “Filme isto”, “tire uma foto e mande para esses amigos” ou “mostre o melhor caminho para chegar num determinado lugar”.</p>
<p>Parece que o Google está pronto para partir para uma etapa ainda mais distante. Mas o Glass é apenas o ponto final de convergência de uma série de recursos que a empresa vem mudando em sua organização interna. O Google Plus aos poucos interligou os diferentes serviços da empresa, que aproveitou para unificar suas ramificações e deixar tudo com uma cara mais parecida e conversando melhor entre si.</p>
<p>Isso inclui mudanças de interface no YouTube, no Gmail, no Google Docs (que virou Drive), no Google Calendar, no Android Market (que virou Google Play), no Google Maps, entre outros serviços, inclusive em suas buscas. E também a aproximação entre os ambientes digitais no desktop, celular e tablet. Tudo isso converge para o Google Now, um assistente pessoal que interliga todo o ecossistema digital da empresa. Só faltava fazer as pessoas não terem de colocar as mãos num teclado, os dedos numa tela, encher bolsos e bolsas com máquinas que, por mais finas e leves, ainda pesam.</p>
<p>É aí que está o Glass: um aparelho que funciona como um celular ativado por voz mas que não precisa ser carregado nem funciona como uma tela que nos distrai da realidade ao redor. Não que o Google vá abandonar celulares, computadores e desktop de uma hora para outra – vide o recém apresentado Chromebook Pixel, um laptop que será lançado em abril. Se a transição dos desktops e laptops para tablets e celulares ainda está em andamento, a mudança que nos leva até os óculos do Google deve durar ainda um bom tempo.</p>
<p>E não pense que isso é exclusividade do Google. Na semana passada, segundo o site Mashable, a Apple teria registrado a patente de um relógio de pulso que pode funcionar como um iPhone – já o chamam de iWatch.</p>
<p>O futuro sem computador está em andamento, graças à era da internet móvel e dos smartphones. O Google nos convida para um futuro em que nem precisamos utilizar as mãos para interagir com novos aparelhos. E, como já escrevi em outra coluna, não custa lembrar que o projeto original do Google Glass era uma lente de contato. O que quer dizer que o futuro desses aparelhos também pode ser o início da era em que homem e máquina começam a se fundir de fato.</p>
<p><em><strong>Alexandre Matias é Diretor de Redação da</strong> <a href="http://galileu.globo.com/">Revista Galileu</a>.</em></p>
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		<title>A nova cultura brasileira é produzida na internet</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Feb 2013 16:45:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[papa]]></category>

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		<description><![CDATA[O novo Tom Jobim não vai sair do trio elétrico Eu havia acabado de reabastecer meu copo de caju amigo quando me conectei à internet. Era segunda de carnaval e estava longe da rede, num canto do litoral paulista em que o celular só pega na praia. Estava pronto para fotografar uma rara manhã de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O novo Tom Jobim não vai sair do trio elétrico</em></p>
<p>Eu havia acabado de reabastecer meu copo de caju amigo quando me conectei à internet. Era segunda de carnaval e estava longe da rede, num canto do litoral paulista em que o celular só pega na praia. Estava pronto para fotografar uma rara manhã de sol deste verão quando a notícia chegou, nem lembro se por Twitter, Facebook, e-mail ou Instagram.</p>
<p>Em poucos minutos, todos estes ambientes falavam do mesmo assunto: o papa tinha renunciado. Comentei com a minha mulher e sua primeira pergunta foi a mesma que tive: “E pode?”. Li algumas manchetes para ela, conversamos preguiçosamente sobre o tema e voltamos a lagartear sob o sol.</p>
<p>Só quando voltei do feriado me deparei com a avalanche de piadas, paródias, remixes, mashups, montagens, memes e todo tipo de gracinha que a internet nos premia diariamente. Segundo o site Know Your Meme, melhor catálogo dessas manifestações, a primeira piada visual sobre a renúncia do papa foi uma foto de Bento XVI acompanhada da legenda: “Escolhido por Deus. Desiste”.</p>
<p>Mas em pouco tempo as piadas saíam do âmbito religioso, político e sexual (afinal é inevitável associar a notícia aos casos pedofilia envolvendo integrantes da igreja), até chegar ao puro nonsense típico deste humor da internet.</p>
<p>Entre as brincadeiras, estavam os inevitáveis mashups de outros memes. O cartaz de Keep Calm &amp; Carry On virou Keep Calm &amp; Resign. O “Hope” – esperança, em inglês – com a cara de Barack Obama foi substituído por “Pope” – papa – ou “Flop” – fracasso, – com a cara de Joseph Ratzinger.</p>
<p>Outra piada aproveitava a semelhança física do papa com o Imperador da trilogia original de Guerra nas Estrelas para rir de uma “coincidência” entre a renúncia e o anúncio sobre os três novos filmes da grife de George Lucas. Já o usuário do Twitter Six Form Poet escreveu: “o papa dificilmente é a primeira pessoa a perder o interesse em seu trabalho depois que entrou no Twitter”.</p>
<p>Como milhões todos os dias, me inteiro das novidades da sucessão papal entre posts no Facebook, imagens que amigos me mandam por e-mail ou links no YouTube, ao mesmo tempo em que rio das piadas. São uma válvula de escape para a enxurrada de notícias a que somos submetidos diariamente e que logo deixam de ser novidade.</p>
<p>No começo essas apropriações humorísticas eram tímidas e aconteciam aos poucos. Mas, à medida se multiplicam, começam a se cruzar, a se autorreferir, a brincar umas com as outras. Quase todo mundo que está online percebeu que piadas e brincadeiras com notícias e modinhas foram se sobrepondo depois que Facebook e Twitter se firmaram como as principais forças sociais na internet.</p>
<p>A novidade é que isso não é simplesmente um monte de piadinha trocada por alguns conhecidos que, graças à internet, ganharam projeção global. É a produção cultural atual. Na semana passada, uma série de artigos, matérias e entrevistas questionou uma dita parca produção cultural brasileira, que no século 21 estaria rodando em parafuso. Os exemplos citados quase sempre esbarravam na música – artistas como Michel Teló e Gusttavo Lima.</p>
<p>Nem quero entrar no mérito da qualidade ou do bom gosto (réguas beeeem subjetivas), mas é sério que estão esperando encontrar o novo Tom Jobim em um trio elétrico? Ou que o novo Glauber Rocha saia de um best-seller bancado pela Petrobrás?</p>
<p>As cabeças que questionam a ausência do novo sofrem da síndrome de nostalgia ilustrada por Woody Allen na sua fábula Meia-Noite em Paris. Elas se irritam quando ligam o rádio, mas não buscam artistas novos e muitas vezes não sabem nem baixar MP3. E caçam novidades em livros, discos, filmes e peças de teatro quando é provável que elas não venham empacotadas nestes formatos.</p>
<p>O exemplo das piadas produzidas após a renúncia do papa é apenas um. Toda semana tem outros tantos. E o Brasil é uma potência nesse sentido. Só não vê quem não quer.</p>
<p><em><strong>Alexandre Matias é Diretor de Redação da</strong> <a href="http://galileu.globo.com/">Revista Galileu</a>.</em></p>
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		<title>Duas décadas depois, um novo disco do My Bloody Valentine</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Feb 2013 19:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Anúncio derrubou o site oficial da banda]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Anúncio derrubou o site oficial da banda</em></p>
<p>Fevereiro de 2013 mal tinha começado quando surgiu uma notícia inesperada: o grupo inglês My Bloody Valentine finalmente lançou seu novo álbum. A notícia já seria motivo de espanto, afinal o MBV é um dos grupos mais míticos da Inglaterra nos anos 90 e tinha a fama de demorar para lançar novo material devido ao perfeccionismo de seu líder e fundador, o guitarrista e produtor Kevin Shields.</p>
<p>Construindo paredes de barulho com camadas e camadas de microfonia de guitarra, o som do My Bloody Valentine é carregado de uma inusitada doçura, que vem das melodias sussurradas por vocais melancólicos e pelos timbres das mesmas guitarras distorcidas. Loveless, de 1991, sua obra-prima, foi um dos últimos suspiros da existência da banda.</p>
<p>Eles realmente tinham todo tempo do mundo. Shields juntou-se ao grupo Primal Scream para shows em 2004 (inclusive com passagem pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, naquele ano) e três anos depois ressuscitou o My Bloody Valentine para shows esporádicos, sempre com músicas tocadas num volume tão extremo que eram distribuídos protetores auriculares na entrada. Em 2008, os dois principais álbuns da banda, Isn’t Anything e Loveless, foram relançados em edições luxuosas. No ano passado foi a vez dos EPs serem reunidos em uma edição caprichada.</p>
<p>A reintrodução do My Bloody Valentine ao cenário musical foi tão gradual que, aos poucos, o lançamento de um disco virava uma nota de rodapé engraçadinha sobre a nova fase da banda.</p>
<p>Até que, no fim de 2012, começaram a aparecer notícias que o disco já estava gravado e seria lançado logo. Kevin Shields, em entrevista, disse que sairia até o fim do ano, mas devido ao histórico de atrasos, o anúncio foi visto com bastante descrença. Na véspera do Natal, o grupo anunciou em sua página do Facebook que o disco sairia em breve. Em um show no fim de janeiro, o primeiro desde 2009, o My Bloody Valentine tocou uma música inédita, batizada informalmente de “rough song” (canção crua, em inglês). Os indícios ficavam mais fortes. Mas o que ninguém esperava aconteceu uma semana depois: o grupo lançou seu novo disco, mais de 20 anos depois de Loveless.</p>
<p>Chamado apenas de MBV (as iniciais da banda e como os fãs se referem ao grupo), o novo disco de capa azul surgiu em 2 de fevereiro também numa mensagem via Facebook. A notícia apontava para o recém-inaugurado&nbsp;<a href="http://mybloodyvalentine.org" title="http://mybloodyvalentine. " target="_blank">mybloodyvalentine.org</a>, que trazia diferentes opções para comprar o disco: em vinil, CD e download em pacotes e formatos variados. A notícia espalhou-se e em questão de minutos o site saiu do ar – tanto fãs quanto curiosos ficaram se perguntando nas redes sociais onde é que dava para ouvir o disco novo. O site voltou a funcionar na madrugada do domingo e versões gratuitas do disco começaram a aparecer em sites de download. O próprio grupo cedeu à audição gratuita e colocou todo o seu disco no YouTube, um vídeo para cada faixa.</p>
<p>Artisticamente, MBV pode ser dividido em duas partes: no “lado A”, repete-se a fórmula de duas décadas atrás; no “lado B”, o grupo mostra seu lado mais ousado, experimental, burilando texturas e percussão. Mas isso é o que menos importa. O importante é que, como o Radiohead fez ao lançar o disco In Rainbows gratuitamente em 2007, o My Bloody Valentine quebra um paradigma crucial na era digital.</p>
<p>O lançamento de MBV, no entanto, não é o segundo exemplo desta série. No mês passado, ninguém menos que David Bowie anunciou um novo disco com um clipe no Vimeo de uma música, sua primeira inédita em uma década. O feito do grupo de Kevin Shields chama atenção por dois motivos: o fim de uma espera gigantesca e o fato de não terem lançado seu disco com uma gravadora, fazendo-o por conta própria.</p>
<p>A tendência é que essas exceções tornem-se regra – e o imediatismo da era digital venha a se sobrepor de vez às etapas do processo de produção industrial a que ainda estamos acostumados.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/6oXJus1ajIU" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
<p><em><strong>Alexandre Matias é Diretor de Redação da</strong> <a href="http://galileu.globo.com/">Revista Galileu</a>.</em></p>
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