O DJ e a internet
- 1 de maio de 2011|
- 10h17|
- Por Alexandre Matias
Redes sociais e vida noturna
No dia 2 de abril, a colunista do C2+Música Claudia Assef publicou o artigo A Música Eletrônica Cresceu Demais?, em que comentava que os hábitos noturnos de São Paulo haviam mudado e como a noite paulistana havia deixado de se importar com música. Conversando com Facundo Guerra, empresário da noite e dono de casas como o Lions e o Vegas, ela ouviu que “os clubes já não são mais templos de música. São extensões das redes sociais, ponto de encontro. O cara vai na boate pra encontrar aquela menina que ele cutucou no Facebook. A música virou trilha de fundo”. E com as redes sociais, o artigo correu sozinho pela internet, gerando comentários acalorados e discussões enfurecidas.
Foi o suficiente para que a publicitária Lalai Luna, que também produz festas, resolvesse entrar na discussão, incentivando-a. Lalai estava na curadoria de uma das áreas do festival YouPix, que cresce ano após ano e que pode ter fôlego para disputar com a Campus Party o título de principal evento de cultura digital do País. E resolveu convidar algumas pessoas para continuar a discussão iniciada nas páginas do caderno. Além da Claudia e de Facundo, Lalai também participou da mesa e chamou a blogueira e produtora de festas Flávia Durante, o produtor e publicitário Bruno Tozzini e o jornalista e DJ Camilo Rocha e este nada modesto missivista para mediar a mesa. O título da discussão era propositalmente polêmico – As redes sociais estão matando a música eletrônica? –, mas o debate fugiu de rusgas fáceis e a discussão chegou a alguns pontos interessantes, que resumo aqui.
Sim – a noite virou uma extensão das redes sociais. As pessoas estão realmente mais interessadas em “reencontrar” pessoalmente os amigos com quem passaram o dia conversando, seja no Twitter, via Gtalk, no Facebook ou pelo MSN. E não é que as pessoas deixaram de se interessar por música, mas é que elas querem ouvir músicas que já conhecem, daí um fenômeno recente – de uns dez anos para cá – do frequentador que pede música para o DJ, algo considerado profano nos tempos em que o DJ era o soberano da noite. Talvez isso ocorra porque as pessoas estão ouvindo menos rádio e encontram, na noite, uma alternativa à zona de conforto que era o rádio em seus dias de glória.
Acontece que o DJ está perdendo a importância vertical que tinha sobre a pista – algo que afetou qualquer área que tenha sido invadida pela internet. Do mesmo jeito que as indústrias da música, do cinema, dos games, das notícias, entre outras, a cultura noturna também foi afetada pela horizontalização imposta pela rede. Agora é hora de aprender a lidar com isso para seguir a história.
A coluna Impressão Digital, do editor do Link Alexandre Matias, é publicada todos os domingos, no Caderno 2
Tópicos relacionados
-
03/05/2011 - 13:57 Enviado por: Mario Sergio Machado
Isso realmente ocorre, mas apenas em baladas populares onde a massa inquieta e vazia predomina porque estes lugares trazem-la para o que a TV, um dia, fora para nossos pais. Hoje as baladas são templos sim, mas templos do consumo para o inquieto e vazio jabá radiofônico.
Os DJs de hoje não sobem para as pick-ups pela música, sobem porque querem se tornar os “deuses donos da noite”.
Tubo bem fui estúpido e generalizei, não quero ser injusto, há lugares bacanas sim na cena eletrônica, mas são tão poucos. Em São Paulo mesmo; no meu ponto-de-vista; existem dois, um na região da Augusta e o outro lá na Barra Funda e só.
-
06/05/2011 - 15:23 Enviado por: Victor Zavecz
Hahahahaah!
O “da Barra Funda” eu nem vou perguntar qual é, mas concordo com sua opinião.
Esses lugares que só tocam aqueles eletrônicos populares sempre têm apenas mais do mesmo. Negócio sem graça e o DJ sem personalidade pra inovar e cativar o público.
Esse “da Barra Funda”, 99% de certeza de ser a D Edge, lugar que você vai e cada dia tem um estilo diferente e, o melhor, na semana seguinte, não é o repeteco da semana anterior.
Saúdo os DJs e as casas que saciam os fãs do gênero eletrônico.
responder este comentário denunciar abuso
-
-
03/05/2011 - 18:09 Enviado por: Bernardo
Sou DJ e acredito que esta discussão está totalmente fora de foco, de maneira alguma as redes sociais contribuem em carácter negativo para a música eletrônica, pelo contrário, um imenso e numeroso público e artistas foram formados com as redes sociais.
Como nosso amigo acima disse, são poucos os DJs que hoje tocam pela música, muitos estão lá por status, mulheres ou dinheiro.Se houver um bom DJ na casa, é difícil não prestar atenção nele.
-
04/05/2011 - 20:26 Enviado por: Ana Cecilia
Concordo contigo. Inclusive acho que as redes ajudam o DJ a divulgar seu trabalho e ser seguido por aqueles que curtem suaa musicas. Principalmente quando divulgam em qual balada vao tocar. Isso so nao vale para aqueles que nao sao DJ por amor a profissao!
responder este comentário denunciar abuso
-
-
03/05/2011 - 21:47 Enviado por: Velozo
Se um dia o DJ virar uma “Jukebox” humana ele perdeu a utilidade. Se ele não conseguir surpreender o público com seu som ele está no mesmo nível de uma playlist no computador. Talvez por isso que a figura do DJ produtor, aquele que faz novas batidas e músicas, é que seja a esperança de criatividade atualmente. Colocar a culpa da mediocridade que impera no setor cultural nas redes sociais é tolice, o importante é valorizar quem faz com qualidade e paixão…
-
04/05/2011 - 10:52 Enviado por: galli
e mais tem muito dj q mixa d+ i a galera nem dirruba i os cara poe quaquer um pra toca q num sabe de nada ou pq e uma mulher bonita mas nao sabe nem contar kkke e acredito q o prazer de sentir o som e pra poucos mas como diz nosso amigo ae em cima se tiver um bom dj e dificil nao notar mas em geral nao!!!
-
04/05/2011 - 20:23 Enviado por: Rafael
concordo com o Bernardo, se o DJ for bom, ele vai ser o foco SIM.
o que falta hoje são DJs de verdade. playlist preferida todo mundo sabe fazer!
-
04/05/2011 - 20:49 Enviado por: Guilherme Longo
Não entendi qual o ponto da discussão?
O fato das pessoas combinarem pelas redes sociais de se socializarem nos Clubs está matando a noite?
As pessoas vão em balada pra conversar e não pra ouvir música? Não podem fazer os 2?
O Dj não comanda a noite pq ao invés de tocar músicas que ele gostaria, ele tem que tocar as músicas que a galera quer ouvir? Mas como assim se a galera não ta interessada na música e sim em encontrar seus amigos, o Dj pode tocar o que ele quiser, certo?
Não entendi pq a internet immpõe horizontalidade. Se ela apenas multiplica informação.
Cenário eletrônico no Brasil está explodindo, grandes Djs e produtores Brasileiros e gringos estão bombando as pistas pelo Brasil todo, música eletrônica nunca esteve tão em alta. E as redes socias, por compartilharem informações só contribuem para esse processo… Não vejo drama nenhum nisso…
-
04/05/2011 - 22:27 Enviado por: Diego
Nunca li uma besteira tão grande como essa…
Dizer que as redes sociais atrapalham a cena é forçar de mais amizade… a cena cresceu e muito com as redes sociais. Hoje muitas pessoas sabem o que estão ouvindo, quem realmente produziu, e tem até contato com o produtor pela rede social. Totalmente absurda essa ideia. -
05/05/2011 - 23:52 Enviado por: Dj Val
Nao concordo que dj esta sofrendo com o crecimento da internet,pelo contrario a galera marca sim a balada pela rede socil,mas do dj é importatnte sim….
-
06/05/2011 - 09:18 Enviado por: NR10
Todos os setores direta ou indiretamente estão sendo afetados, é uma era de muitas mudanças isso é inevitável.
-
06/05/2011 - 09:19 Enviado por: NR10
Sem dúvida, muitas mudanças ainda estão por vir, o negócio é se adaptar as novas regras.
-
06/05/2011 - 12:50 Enviado por: Ricardo
Bernardo, também concordo com você; acredito que as redes sociais contribuem e muito para divulgar nosso trabalho como DJ, que aliás, está esquecido e ignorado por alguns mercenários, proprietários de casas noturnas, que acreditam que não há mal algum em “fornecermos” nossos ouvidos durante 8 ou 12 horas por noite, com a idéia que no futuro, nossa saúde não será afetada.
-
06/05/2011 - 13:57 Enviado por: DJ Armand Van Kassy
A internet ajuda e prejudica aos dois extremos, um ponto positivo é a velocidade e a disponibilidade que Todos desfrutam, o ruim é o mau uso e a banalização artística e cultural. Mas “Após a tempestade, vem a bonança”, estamos passando por uma era de adaptação e consequentemente teremos que nos educar, Artistas Fake’s que divulgam material de qualidade duvidosa como vemos hj promovidos pela internet, aproveitam esse momento de euforia e adolescência da rede desfrutando da ausência dessa “exigência”… que felizmente teremos em um futuro próximo naturalmente.
Penso que esse uso indevido e demasiado, nos forçará a criar critérios ao escolher melhor ao que devemos ou não promover e disseminar, no nosso caso (DJ’s) e outros artistas, se beneficiarão com essa conscientizacao. -
07/05/2011 - 09:55 Enviado por: andre
Deixa ver se eu entendi. Se as pessoas vão aos clubes pedir música e o dj perde sua importância dia-a-dia, então os clubes que irão faturar serão aqueles que tocarem a música que o frequentador quer ouvir.
Se o clube possuir um sistema de enquete para escolha da próxima música. A internet trouxe interatividade, as pessoas querem isso.
- Bugio De André “Cardoso” Czarnobai
- Conector de Gustavo “Mini” Bittencourt
- Dia a dia, bit a bit de Silvio Meira
- Tiago Doria Doses diárias de cultura digital, tecnologia e mídia
- A contribuição histórica de Eduardo Saverin ao Facebook
- A obra-prima que não pediu licença ao direito autoral
- Como a web 3.0 pode tornar Google e Facebook obsoletos
- Os melhores filmes de todos os tempos ainda não foram feitos
- Como a tecnologia molda nossa concepção de cultura
- A internet ajuda até quem não está conectado a ela
- A ‘orkutização’ do Instagram e a natureza gregária da internet
- Por uma ficção científica menos pessimista e apocalíptica
- Uma geração inteira que cresceu jogando videogames
- “Keep Calm and Carry On”: duas lições e uma conclusão



Deixe um comentário: