Já falamos dos carrões de antigamente em outro post. E houve até polêmica nos comentários de leitores. Mas faltaram duas fotos que também merecem ser vistas. Elas mostram os veículos do Açougue Redentor e da Pharmácia S. Pedro. Infelizmente, as imagens não trazem anotações como data e local no verso, mas são bem interessantes.
Numa época em que automóvel estava relacionado a luxo, não era nada mau para o empresário mostrar que seu comércio também já tinha carro. E muitas vezes com motorista. Além de servirem para distribuir produtos aos clientes, os veículos carregavam funcionários e, de quebra, eram uma propaganda ambulante do negócio.


E você? Tem guardada em casa alguma imagem dos carros que circulavam em São Paulo e outras cidades brasileiras nas primeiras décadas do século passado? Mande pra gente pelo e-mail blogalbumderetratos@gmail.com e ela também será publicada.
Nosso amigo Douglas Nascimento, do site São Paulo Antiga, nos enviou sete anúncios de estúdios, técnicas e/ou materiais fotográficos que são verdadeiras preciosidades. Foram publicados nas duas primeiras décadas do século passado em revistas importantes da época, como A Cigarra, Revista da Semana e A Ilustração Brasileira.
O primeiro deles é o mais antigo. Foi tirado em 1906 e faz propaganda do fotógrafo José Vollsack, que abriu seu estúdio na Rua Direita, 2, em São Paulo, em 1880. Como comentamos no post Homem de Mello, Vollsack foi gerente e sucessor da célebre Photographia Allemã, de Alberto Henschel, e atuou na capital paulista com seu Grande Photographia por mais de três décadas.


O segundo anúncio é de Theodoro Wendt, oficina de “clichês” de zincografia (arte de gravar ou imprimir usando lâminas de zinco) e fotogravura (processo fotográfico que permite obter placas gravadas utilizáveis na impressão tipográfica). Funcionou primeiro na Rua do Comércio e depois na Rua Líbero Badaró. Foi publicado em 1906.
Já o anúncio abaixo, da Photografia Casa Helio, é de 1917. Saiu na Revista da Semana e listava vários produtos oferecidos na Rua da Quitanda, 14. Vale a pena reparar em detalhes muito curiosos desta peça publicitária, como o “Vendas em grosso (atacado) e a varejo” e outros termos da época e o número de telefone, que há um século tinha apenas quatro números (!).

O anúncio de Otto Stück, que se apresentava como importador de artigos para fotografias na Rua da Boa Vista, 45-A, saiu na Revista da Semana, também em 1917. E, além do desenho da câmera fotográfica, traz linhas e arabescos comuns na propaganda da época.

Já o anúncio do Photographia Quaas saiu em 1920 na revista A Cigarra. E oferece “serviço especial para senhoritas e creanças”. Este detalhe é curioso, pois nem todo fotógrafo de antigamente gostava de tirar retratos de meninas e meninos pequenos. A maior reclamação é que eles costumavam dar muito trabalho para ficar quietos durante o tempo necessário para que a imagem fosse feita.

Douglas também nos enviou esse anúncio do estúdio do italiano Giovanni Sarracino. Já falamos dele no post Italianos. De acordo com o pesquisador Boris Kossoy, na década de 1910 havia 34 estúdios fotográficos funcionando na capital paulista. E os “oriundi” da colônia italiana representavam metade do mercado. Na foto abaixo, podemos ver mais uma vez a parafernália que os estúdios acumulavam. Todos esses objetos serviam para compor a foto e dar o clima que fotógrafo e retratado desejavam.

Vale destacar ainda uma outra imagem enviada por Douglas. Mostra o anúncio da filial brasileira da Kodak, que funcionava no Rio de Janeiro. Como lembramos em outro post, chamado Nos Estúdios, a proliferação das máquinas portáteis – e simplificação do ato de fotografar – marcou o começo do declínio dos antigos estúdios fotográficos.

Imprimir a assinatura na foto era uma característica comum entre fotógrafos do começo do século passado. Como vimos no post Frente e Verso, enquanto no século 19 era comum que os profissionais estampassem seu nome e endereço no verso dos papelões sobre os quais as imagens eram coladas, no século 20 a propaganda ficou mais simples e se transformou na maior parte dos casos apenas em um carimbo do estúdio ou, no caso dos fotógrafos de rua, em uma inscrição pré-formatada abaixo da imagem com o nome do profissional e o local onde foi tirada.

(Rapaz posa no estúdio de J. Fortunato,
na Rua da Mooca, 468, em São Paulo)

(Avó posa com os netos para o lambe-lambe Silva,
em Uberaba, Minas Gerais)
2013
2012