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Álbum de Retratos

Dois cavalheiros com tarjas de luto na lapela posam na praça em frente à antiga Basílica de Nossa Senhora Aparecida

 

Os lambe-lambes não eram coisa só do Brasil. Em alguns países da América Latina, eles eram chamados de “minuteiros”. Mas aqui foram fundamentais para documentar como brasileiros e imigrantes das primeiras décadas do século 20 viveram, passearam, divertiram-se. Mestres em eternizar momentos importantes, geralmente alegres, eles construíram parte de nossa memória visual, popularizando flagrantes de personagens anônimos, espaços públicos, instantes de religiosidade, lazer, comportamento, vestuário e costumes, não só em pontos chave da São Paulo da época, como o Jardim da Luz, o Museu do Ipiranga e o Parque Dom Pedro II, como em várias outras cidades muito procuradas por turistas, como Santos, Guarujá, Aparecida, Poços de Caldas e outras estâncias hidrominerais.

No verso desta foto, pode-se ler: “De passagem para o exílio, no quadriênio nefasto. Santos, 28/8/1926”

 

Pelos retratos dos lambe-lambes, geralmente impressos em pedaços de papel fotográfico, de 9 por 14 centímetros, podemos observar hoje poses de família no começo do século, casais apaixonados em dias especiais, grupos de amigos se divertindo no carnaval, fiéis em cidades religiosas com a igreja ao fundo, crianças brincando, gente em férias pelo litoral, orgulhosos proprietários – ou aspirantes a proprietários – de automóveis.

Sem a qualidade das imagens de estúdio, as fotografias lambe-lambe muitas vezes apresentavam marcas de pregadores usados após a revelação, quando as fotos eram penduradas para secar

 

Para driblar a concorrência, muitos lambe-lambes expunham suas fotografias em galhos de árvores, cordas amarradas a estacas improvisadas, no chão e até nos botões das próprias roupas. As laterais da câmera também serviam de mostruário. E muitos não abriam mão de um espelhinho, para que os interessados se penteassem.

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Vários internautas atenderam ao nosso pedido e enviaram fotos de família para também serem publicadas no blog. A partir de hoje, vocês poderão conhecer suas histórias e imagens. Para quem também quer ver suas fotos antigas publicadas, basta enviá-las para o e-mail blogalbumderetratos@gmail.com.

Importante: o envio das fotos autoriza automaticamente sua publicação neste blog, sem qualquer ônus às partes.

A primeira foto foi enviada por Cristina Sayuri Tsuha Prado. Mostra seu avô materno, que ficou órfão ainda criança e, com ajuda das fotos, tentou recriar sua história para ele e os filhos. Não por acaso acumulou centenas de imagens. A foto abaixo foi tirada logo após mudar com a família de Paraguaçu Paulista para São Caetano do Sul, a alguns quilômetros do Museu Paulista, ou Museu do Ipiranga, que aparece no fundo da foto. O ano, escrito em meio aos caracteres em japonês, é 1958. Na foto estão os avós, os tios e a mãe de Cristina, que hoje trabalha no Ipiranga, a alguns minutos do Museu.

 

Foto da família_Nozaki, em 1958

 

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Luciana Garbin e João Emilio Gerodetti

    Luciana Garbin é editora dos cadernos Cidades e Metrópole do Estadão.

    João Emilio Gerodetti é engenheiro e colecionador de fotografias e postais antigos

Comentários recentes

  • gilda menani: sim e sto mesmo. a maior parte dos menani,,,quando chegaran no brasil aquela epoca se espalhou para...
  • Michel: Gostaria de saber se o Engenheiro Dr.Francisco Homem de Mello(1859-1916) era filho do Ten.Cel. Benedito...
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  • Débora: Desculpe pelo comentário aleatório, mas estou fazendo uma pesquisa sobre J-blogs no Brasil e gostaria de...

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