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Álbum de Retratos

Diferentemente dos fotógrafos populares, que usavam a paisagem como cenário, os fotógrafos de estúdio costumavam contar com cortinas para driblar as sombras e uma parafernália de objetos – selecionados segundo o perfil do cliente e o cenário que ele e o fotógrafo desejavam montar. Inspirados no que se fazia no exterior, sobretudo Paris, painéis e panos de fundo refinados eram utilizados para transportar o retratado para paisagens tão distintas quanto um jardim europeu ou uma floresta tropical. Alguns também tentavam reproduzir cartões-postais. Repare como o Corcovado carioca parecia no estúdio de L. Guerra mais pontudo que o original.

No retrato de L. Guerra, o Corcovado mais pontudo que o normal

Muitos cenários inspiravam-se claramente em retratos de pintura. Outras imagens lembravam cenas de teatro. Acessórios também eram muito usados para compor a imagem e podiam incluir de uma cadeira e uma simples mesinha para apoiar a mão até colunas falsas, escadas, poltronas, cortinas, leques e animais empalhados. Como mostra a foto da menina sentada com os pés apoiados num banquinho de descanso e um dos braços apoiado numa mesa de vime com um vaso de flores em cima. No painel de fundo, vê-se uma espécie de cortina presa ao lado de uma coluna, representando uma porta abrindo-se a um terraço.

Uma foto, vários acessórios

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20.abril.2012 10:42:42

Nos estúdios

Moça de figurino requintado posa para foto em estúdio

Por muito tempo, estúdios funcionaram em espaços com grandes janelões e claraboias, de preferência no último andar dos edifícios, para que os fotógrafos pudessem captar melhor a luz natural. Só com o surgimento dos flashes – O de magnésio é de meados dos anos 1910 –, tornou-se possível captar imagens em ambientes mais escuros ou dias de mau tempo.

Na virada do século 19 para o 20, os estúdios concentravam-se principalmente no Rio de Janeiro, então capital da República. Depois, espalharam-se por outras cidades brasileiras. Como São Paulo, que, impulsionada pela economia cafeeira, ia ganhando mais e mais poder econômico e via a imigração crescer e os serviços se desenvolverem.

Imagem assinada pelo fotógrafo Cilento

Nesses centros urbanos cheios de migrantes e imigrantes, os retratos serviam não só como recordação de um determinado momento, como indicavam sucesso, saúde, elegância. Nada como um cenário luxuoso e cheio de objetos requintados, por exemplo, para sugerir a parentes e amigos distantes que a vida estava indo bem. Por trás da câmera, as orientações do fotógrafo eram essenciais.

Uma mão na cintura, outra apoiada

A fase áurea dos estúdios durou até por volta dos anos 1930. Nelson Schapochnik destaca que à introdução nessa época de câmeras Leika, distribuídas em São Paulo pela Casa Lutz Ferrando, “correspondeu paulatinamente a diminuição das prerrogativas do fotógrafo profissional”. “Este não deixou de ser contratado para documentar os momentos mais solenes da vida familiar, no entanto as situações mais informais passaram à alçada de algum membro da família”, explica o autor.

As décadas seguintes acelerariam as transformações. Como destaca a obra Retratos do Imaginário de São Paulo: Fotógrafos e Personagens, “a década de 1950 representa a decadência do estúdio de retrato na forma como foi conhecida por mais de um século”. “Significa o fim do estúdio como local privilegiado da fotografia, passando a ser ocupado apenas pela produção voltada para publicidade e moda, que começam então a ganhar corpo. Cresce nesse período a participação no segmento do retrato de profissionais de outros segmentos, notadamente o fotojornalismo. A presença do retrato de estúdio restringe-se aos momentos especiais, como o casamento, embora seja grande neste caso a concorrência da foto-reportagem”.

Cerimônias como o casamento já eram disputadas por fotógrafos da época

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12.março.2012 19:06:10

Bisavós do Instagram

Nunca foi tão fácil fotografar. Hoje basta pegar uma câmera – vale até a do celular –, mirar na imagem e pronto. Com um clique, está feita. Depois é imprimir e guardar. Sim, porque até revelação virou coisa do passado numa época em que se multiplicam aparelhos digitais, pequenos, levinhos e cheios de recursos. Quem preferir também pode mandar a foto para algum e-mail ou para o Instagram ou outra mídia social.

Mas já imaginou viver numa época em que pouquíssimas famílias tinham em casa máquinas fotográficas – sempre grandes e pesadas? E revelar uma imagem implicava conhecer processos químicos e técnicas de luz e sombra? Pois nesse tempo – entre o fim do século 19 e o começo do 20 –, duas figuras tornaram-se importantíssimas na vida de São Paulo e de outras cidades brasileiras: os fotógrafos de estúdio e os fotógrafos de rua.

Retrato de família tirado em estúdio no começo do século passado

Os primeiros atendiam em endereço fixo. Surgiram por aqui depois de 1860, ano em que a técnica de criar negativos sobre placas de vidro sensibilizadas por uma solução química chegou ao Brasil. Os segundos – geralmente conhecidos como lambe-lambes – faziam ponto em locais públicos e turísticos, escolhidos pelo movimento de pessoas e pela beleza da paisagem, ou circulavam por ruas e cidades, fazendo instantâneos de quem encontravam pelo caminho.

Casal posa com bebê diante da câmera; ao fundo, outro lambe-lambe

O trabalho desses dois grupos de profissionais e os milhares de documentos valiosos que deixaram sobre vestuário, costumes, cenário e estilo de vida são justamente o tema deste blog. A partir de hoje, vamos fazer um passeio por imagens capturadas em oito décadas – as três últimas do século 19 e as cinco primeiras do século 20 -, que mostram de recordações de viagem a cerimônias religiosas e festas de carnaval. As fotos deste post são apenas três exemplos. Para conferir os detalhes, é só parar o mouse em cima das imagens.

E você pode contribuir. Tem alguma foto desse período guardada em casa? Pode ser sua, de parente ou amigo. Basta nos enviar em formato jpeg para o e-mail blogalbumderetratos@gmail.com que ela poderá ser publicada no blog, com a devida identificação. Comentários e sugestões também são bem vindos. Espero que curtam este novo espaço e até o próximo post.

Crianças fotografadas em estúdio de Curitiba

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Luciana Garbin e João Emilio Gerodetti

    Luciana Garbin é editora dos cadernos Cidades e Metrópole do Estadão.

    João Emilio Gerodetti é engenheiro e colecionador de fotografias e postais antigos

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