
O Parque da Aclimação virou um espaço de lazer no fim dos anos 1930. Seu criador foi o médico Carlos José Botelho (1855-1947). Estudante em Paris, ele se impressionou com o Jardin d’Acclimatation – área que incluía zoológico, com aclimatação de espécies exóticas e centro de reprodução, seleção e hibridação de animais. Decidiu então fazer algo parecido no Brasil e, após voltar, comprou na zona sul paulistana o Sítio do Tapanhoin, na Aclimação.
Dono de um currículo invejável, ele foi, entre outras coisas, o primeiro diretor clínico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o construtor da Escola Agrícola Prática Luiz de Queiroz, em Piracicaba, e, como secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas do Estado de São Paulo, o responsável pelo início da imigração japonesa no Brasil.

A foto acima mostra uma grande curiosidade da história do Parque da Aclimação: os camelos. Por alguns anos, esses animais fizeram ali a alegria dos visitantes – sobretudo crianças – e, por tabela, de lambe-lambes que ganhavam dinheiro fazendo seus retratos. Como João Lucera, o autor dos dois primeiros retratos deste post, e Carvalho, responsável pela imagem abaixo de uma família.

Quer ler mais sobre a São Paulo Antiga? Confira o post sobre o Jardim da Luz. Na Lapa, destaque para a foto de família de um antigo comerciante. Outras imagens enviadas por leitores também mostram cartões-postais paulistanos. Confira nos posts Cenários paulistanos e No centro de SP.
FOTOS ANTIGAS DO IPIRANGA
Um grupo pertencete à Associação Privada de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evangelho, cujo Fundador, Mons. Dr. João Scognamiglio Clá Dias, está coletando fotos antigas para o livro de sua biografia. Como ele viveu sua infância e juventude no Bairro do Ipiranga, procuram por fotos e outros documentos que possam servir de ilustração. A publicação da biografia visa, entre outros objetivos, tornar conhecida a história do Bairro do Ipiranga, que jogou um papel tão importante no desenvolvimento da cidade de São Paulo, incrementando assim a cultura e os valores cívicos e históricos. Interessa a esse grupo de pesquisadoras, em particular encontrar fotografias do Ipiranga nas décadas de 40 e 50. (Ruas Sorocabanos, Lucas Obes, Costa Aguiar, Silva Bueno, Manifesto, Tabor, Bom Pastor; Grupo Escolar José Bonifácio; Ginásio Centro Independência; Colégio Roosevelt [Visconde de Itaúna]; Fábricas Coats Corrente e Jafet; Estádio de Futebol Nami Jafet; Museu e Parque da Independência; Igrejas São José do Ipiranga e Nossa Senhora das Dores; Represa do Sacomã). São também importantes fotografias de 1958 do Parque D. Pedro II, (na Av. do Estado), então quartel da 7ª Companhia de Guarda, onde Mons. João serviu o exército. Quem puder ajudar poderá manter contato comigo pelo e-mail arlindoligeirinho@uol.com.br . Antecipadamente muito obrigado.
Achei fantástica a informação a respeito do Parque da Aclimação, eu sempre me perguntava.Quem será que construiu este parque tão lindo no meio de São Paulo.agora já sei.Grande visionário este
médico bem a frente do seu tempo.Parabéns a todos que trazem essas informações prazerosa de ler.Só acho hoje o parque meio abandonado, parece triste.
Parque da Aclimação: o Jardim D´Acclimatation
Descrição
Cuidar decentemente do Parque da Aclimação não querem, mas já mudar o seu nome…
Carlos Botelho, o criador do Parque da Aclimação, deve estar se revirando no túmulo com a proposta estapafúrdia de mudança do nome da tradicional área verde paulistana. Afinal, foi ele quem comprou o sítio do Tapanhoim, onde criou o Jardim da Aclimação, hoje conhecido como Parque da Aclimação. O espaço foi inspirado no Jardim D`Acclimatation, lugar preferido dele em Paris.
De onde vem o nome Parque da Aclimação? O espaço funcionava para aclimatação de plantas e do gado holandês, importados por Carlos Botelho para o país, afim de melhorar as espécies nacionais e oferecer leite, manteiga e queijo de qualidade para a comunidade do entorno.
Para quem não sabe, o Parque da Aclimação já teve até zoológico, o primeiro da cidade aliás, jardim com alamedas e lago para lazer dos paulistanos. Além também de uma leiteria com posto zootécnico e botânico.
O zoológico do Parque já foi uma grande sensação da cidade de São Paulo. Tinha peixe elétrico da Amazônia, hienas africanas e camelos, nos quais era possível montar. Graças à uma parceria com o grupo da cervejaria Antarctica , que fornecia o gelo, o Parque teve até um urso polar com habitat climatizado. Hoje, sua situação é lastimável – apesar de alguns marqueteiros imobiliários com olho grande em lucros, quererem vender a imagem de o mais “charmoso da cidade”. Estão de brincadeira…
Desde aquela época, o Parque vivia freqüentando as manchetes dos jornais, mas por outros motivos que os de hoje. Certa vez um tratador foi atacado por um leão e uma sucuri gigante fugiu do local e teve que ser carregada por cinco homens, após sua captura. Os dois fatos ganharama ampla cobertura da imprensa paulistana, na época.
Hoje, após o Parque ser praticamente dizimado e passar por uma lenta e precária recuperação, as manchetes dos jornais são outras: “Parque Abandonado”, “Vereador quer mudar nome do Parque”, “População reclama das condições do Parque”.
O Parque da Aclimação, infelizmente, não vem sendo tratado com a seriedade que ele merece e a importância que tem para a nossa cidade. Agora a discussão mais importante é se devemos ou não mudar o nome do Parque. Ora, nossos políticos é que deveriam de mudar de atitude e respeitar um pouco mais os cidadãos de São Paulo e o nosso patrimônio.
O fundador do Parque da Aclimação, Carlos Botelho nasceu em Piracicaba em 1855, e estudou na França onde se formou em Medicina, em 1880. De volta ao Brasil, foi diretor clínico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Em São Paulo foi vereador, secretário da Agricultura de São Paulo e senador. Ele doou a sua fazenda em Piracicaba para a Universidade de São Paulo, que lá instalou a sua Escola de Agricultura.
*Vitor Ribeiro é jornalista profissional diplomado, morador do bairro, e um amante do Parque da Aclimação e admirador de Carlos Botelho.
escrevi um livro sobre carlos botelho e ele posui um capitulo sobre a aclimação. caso tenha interesse poderei lhe enviar um por sedex. antonio carlos
responder este comentário denunciar abusoMuito obrigada por todas essas informações, Vitor.
E um abraço, Luciana
Muito boa a iniciativa de mostrar o local com um pouco de sua historia e fotos antigas.
Somente faltou referir que a área do parque era muito maior do que a atual. Não sei se ainda compreende a área das escolas e mata que se encontram do outro lado da rua (escolas publicas de ensino e para surdos e mudos).
Com o tempo foram cortando o parque com ruas e prédios publicos.
Agora, nós moradores do bairro, estamos à espera que o antigo colegio Anglo latino, desativado e ja de interesse da prefeitura, passe a acrescer a área do parque, como uma área cultural e esportiva, como anunciado pelo municipio no passado.
Oi, Luciana,
Muito interessante essa questão do Anglo Latino.
Se você permitir, posso avisar o pessoal da pauta do caderno Metrópole, para que o Estadão também acompanhe.
Um abraço, Luciana
[...] de antigamente. De alguns deles já tratamos em outros posts deste blog, como o Jardim da Luz e a o Parque da Aclimação. E você? Guarda em casa alguma foto em um desses locais e que vê-la publicada? Basta enviá-la [...]
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