Álbum de Retratos

Cezarina, Paulo e Maria de Lourdes, em São Paulo, 1930

A foto acima foi enviada por Leticia Braun e contém um desafio aos leitores: onde se passa a cena? O instantâneo mostra sua avó Cezarina de Castro Braun, seu pai, Paulo Braun (hoje com 86 anos), e sua tia Maria de Lourdes Demant. Como escreveu em seu blog http://flanelapaulistana.com/2007/08/custa-botar-uma-data/, apesar dos palpites, Leticia não chegou a uma conclusão sobre o local exato da foto. A única certeza é que ela foi tirada no centro de São Paulo. “O fundo é um lugar aberto, talvez seja a Rua São Bento, a Avenida São João ou mesmo a 15 de Novembro”, disse. E aí? Algum leitor do blog pode nos dizer onde esse retrato foi tirado?
 

comentários (40) | comente

Na época em que as câmeras ficaram um pouco mais leves que as primeiras máquinas-caixote, vários fotógrafos profissionais passaram a circular pelas cidades brasileiras registrando instantâneos ou sequências de pessoas em ruas e avenidas. Depois, os ofereciam aos retratados. Eram registros como o do casal Armando e Nene Petrella, que podemos ver abaixo. Foi feito em janeiro de 1932 em uma rua de São Paulo.

Armando e Nene Petrella

 

Já as duas mulheres da próxima foto, levando o garotinho pelas mãos, foram flagradas na Praça do Correio, no centro de São Paulo. Ao fundo à direita, pode ser visto o famoso Edifício Martinelli.
Flagrante na Praça do Correio

 

Esses fotógrafos adoravam captar imagens de pedestres que caminhavam distraídos pelas ruas. Como o do cidadão abaixo, com seu terno, sua gravata-borboleta e seu cigarrinho na boca.

Pedestre anônimo de chapéu e gravata-borboleta

Retrato feito no Viaduto do Chá

E alguns pontos movimentados costumavam ser superdisputados por esses fotógrafos populares. Como o Viaduto do Chá, no centro paulistano. Logo após sua inauguração, em 1938, era grande o número de pedestres elegantemente trajados que transitavam com orgulho pelo novo símbolo do progresso de São Paulo. Um prato cheio, portanto, aos profissionais da imagem.

Na foto abaixo, podemos ver um anônimo cavalheiro de palheta e terno branco de linho passeando na década de 1930. Ao fundo à esquerda, vê-se o edifício-sede do antigo Automóvel Club, demolido para dar lugar ao atual Edifício Conde Prates.

Cavalheiro de terno branco de linho

E você? Também tem em casa algum desses instantâneos e quer vê-lo publicado no blog? Mande pra gente pelo e-mail blogalbumderetratos@gmail.com.

comentários (4) | comente

Garotinhos com roupas iguais posam para lambe-lambe na Praça da República

A Praça da República também já foi um ponto disputado pelos fotógrafos populares. Bem no centro da cidade, era ali, no antigo Largo dos Curros, que os paulistanos se divertiam até o século 19 com touradas e rodeios. Esse mesmo lugar já havia se chamado Largo da Palha, Praça dos Milicianos e Largo 7 de Abril. Em 1889, vereadores tentaram rebatizá-lo de Praça 15 de Novembro, mas, como já existia outro largo homônimo, recebeu enfim o nome atual: Praça da República.

 

Amigos retratados pelo lambe-lambe Guerra

 

Construída segundo padrões de urbanização europeus, em 1894 a praça ganhou o belo edifício de Ramos de Azevedo que por décadas abrigou a Escola Normal Caetano de Campos e hoje é a sede da Secretaria de Estado da Educação. Nos anos 1930, virou palco de manifestações históricas. As mais importantes ligadas à Revolução Constitucionalista. Na noite de 23 de maio de 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, uma multidão se concentrou ali e resolveu tomar a sede da Legião Revolucionária, entidade tenentista transformada no Partido Popular Progressista. Foram dispersados à bala. O tumulto deixou quatro jovens mortos. Seus sobrenomes eram Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo. Surgia o M.M.D.C., movimento de papel decisivo na organização da guerra civil iniciada pelos paulistas em 9 de julho do mesmo ano e cuja sigla foi formada a partir das iniciais das vítimas.

 

Mãe e filha em um dos recantos da Praça da República

 

Em meados do século 20, a praça virou ponto de encontro de colecionadores. Principalmente após 11 de novembro de 1956, quando o filatelista Barros Pimentel fundou no local uma minifeira de selos, atraindo também colecionadores de moedas. Anos mais tarde, chegaram artistas plásticos e artesãos. Nos anos 1980, a importância política da República ressurgiu com o movimento Diretas Já! Mas a praça não perdeu sua colorida feira de arte e artesanato dos fins de semana.

Além da Praça da República, havia outros pontos disputados pelos lambe-lambes de antigamente. De alguns deles já tratamos em outros posts deste blog, como o Jardim da Luz e a o Parque da Aclimação. E você? Guarda em casa alguma foto em um desses locais e que vê-la publicada? Basta enviá-la para o e-mail blogalbumderetratos@gmail.com

comentários (2) | comente

 Charretinhas para crianças eram uma das atrações na Aclimação

Parque da Aclimação virou um espaço de lazer no fim dos anos 1930. Seu criador foi o médico Carlos José Botelho (1855-1947). Estudante em Paris, ele se impressionou com o Jardin d’Acclimatation – área que incluía zoológico, com aclimatação de espécies exóticas e centro de reprodução, seleção e hibridação de animais. Decidiu então fazer algo parecido no Brasil e, após voltar, comprou na zona sul paulistana o Sítio do Tapanhoin, na Aclimação.

Dono de um currículo invejável, ele foi, entre outras coisas, o primeiro diretor clínico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o construtor da Escola Agrícola Prática Luiz de Queiroz, em Piracicaba, e, como secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas do Estado de São Paulo, o responsável pelo início da imigração japonesa no Brasil.

Garotinho posa em cima de um camelo no então Jardim da Aclimação

A foto acima mostra uma grande curiosidade da história do Parque da Aclimação: os camelos. Por alguns anos, esses animais fizeram ali a alegria dos visitantes – sobretudo crianças – e, por tabela, de lambe-lambes que ganhavam dinheiro fazendo seus retratos. Como João Lucera, o autor dos dois primeiros retratos deste post, e Carvalho, responsável pela imagem abaixo de uma família. 

 Retrato de uma família feito pelo lambe-lambe Carvalho

Quer ler mais sobre a São Paulo Antiga? Confira o post sobre o Jardim da Luz. Na Lapa, destaque para a foto de família de um antigo comerciante. Outras imagens enviadas por leitores também mostram cartões-postais paulistanos. Confira nos posts Cenários paulistanos e No centro de SP.

comentários (9) | comente

Família posa para o lambe-lambe Santhiago em 1921 no Jardim da Luz

Numa época em que o Ibirapuera sequer havia sido planejado, o parque mais badalado de São Paulo era o Jardim da Luz. Localizado no coração da cidade, ele foi por muitos anos o ponto de encontro favorito da alta sociedade paulistana. Por décadas, visitantes ali só podiam entrar de chapéu e paletó. Alinhados, rapazes não abriam mão da bengala e do cebolão – o relógio pendurado no colete. Tudo para combinar com os vestidos elegantes e borzeguins de camurça usados pelas senhoras. Não por acaso esse cartão-postal paulistano era um dos pontos mais disputados pelos lambe-lambes no começo do século passado.

Dois amigos

Parque mais antigo de São Paulo, o Jardim da Luz foi inaugurado em 1798, como Jardim Botânico. Em 1825, com o crescimento das exportações de café, a alta classe paulistana passou a importar novos gostos europeus. Entre eles, construir grutas e lagos em áreas públicas. Em 1860, o Jardim da Luz perdeu parte de suas terras para a Estação da Luz. No fim do século, mais áreas foram cedidas para a construção do Colégio Prudente de Morais e do Liceu de Artes e Ofícios. Mas restaram relíquias, como o Coreto nº 2, de 1901, projetado pelo arquiteto Maximilian Hehl, o autor da Catedral da Sé.

Judith Masserano Ugliengo e Maria Basso Bottacin passeiam com peles pelo Jardim da Luz em 1913

 

No governo de João Teodoro (1872-1875), o jardim recebeu melhorias. Entre elas, um mirante de 20 metros erguido para ser um observatório e batizado jocosamente de “Canudo de João Teodoro”. Feita de tijolos ingleses, a construção começou a pender para o lado – como a Torre de Pisa – e acabou demolida em 1900. Em 1883, o jardim já havia ganhado iluminação elétrica. Foi numa noite de sábado, animada por bandas de música e show de fogos de artifício, em que quase três mil pessoas apareceram para prestigiar os caminhos iluminados por dez focos elétricos, arcos de gás e lanternas chinesas. No governo de Antonio Prado, prefeito da cidade de 1899 a 1910, o jardim recebeu mais melhorias, como novos bancos e calçamento. Foi sua época áurea.

 Chapéus faziam parte do figurino

 

comentários (16) | comente

  • Quem Faz

    Quem Faz

    Luciana Garbin e João Emilio Gerodetti

    Luciana Garbin é editora dos cadernos Cidades e Metrópole do Estadão.

    João Emilio Gerodetti é engenheiro e colecionador de fotografias e postais antigos

Comentários recentes

  • gilda menani: sim e sto mesmo. a maior parte dos menani,,,quando chegaran no brasil aquela epoca se espalhou para...
  • Michel: Gostaria de saber se o Engenheiro Dr.Francisco Homem de Mello(1859-1916) era filho do Ten.Cel. Benedito...
  • Carlos Vasconcellos: O Brasil tinha que valorizar mais nossas estâncias hidrominerais, recuperando os balneários e...
  • dário: Uma istoria desse nível, somente em tempos antigos, nunca tive o previlégio, mas logo vos digo que és uma...
  • Débora: Desculpe pelo comentário aleatório, mas estou fazendo uma pesquisa sobre J-blogs no Brasil e gostaria de...

Arquivos

Blogs do Estadão