Já a segunda foto do post é mais recente. Foi tirada em 1962 e mostra a turma do 3.º ano primário do Instituto Mater Salvatoris, hoje Colégio Madre Paula Montalt, na Vila Leopoldina. Foi enviada por Luiz Antonio dos Santos, o 4.º da esquerda para a direita na fileira de trás, dos meninos.
As duas fotos seguintes foram enviadas por Luiz Toledo, um engenheiro paulistano do Tatuapé que hoje vive fora de São Paulo. “Essas fotos são recordações interessantes de uma fase muito rica de nossas vidas. Ainda tenho contato com alguns amigos de ginásio”, conta.
Quer ler mais sobre as escolas de antigamente e ver turmas das décadas de 20, 30 e 40? Não perca o post Volta às aulas.
Por muito tempo, a escola no Brasil foi dividida em jardim de infância, primário, ginásio e colegial ou liceu. Perto dos cinco anos de idade, os pais matriculavam seus filhos no jardim de infância. Nele, além de monitorarem de perto atividades pedagógicas e brincadeiras como pega-pega e passa-anel, as professoras contavam histórias de santos e personagens de contos de fadas para tentar calar, pelo menos por alguns minutos, a pequena multidão barulhenta.
Outros programas obrigatórios eram o teatro de marionetes e o João Minhoca. Esperados ansiosamente pelas crianças, eles foram uma espécie de precursores dos desenhos animados e filmes infantis. O primeiro, mais raro, requeria habilidade para manipular a fiação que ligava as diferentes partes do corpo dos bonecos a uma espécie de cruz de madeira. Conforme o movimento das mãos, as marionetes se movimentavam de um lado para outro, imitando expressões humanas. No João Minhoca, o trabalho era mais simples – o operador tinha apenas de colocar o dedo indicador na cabeça oca do boneco e os dedos polegar e médio nos buracos dos dois braços. Com o movimento dos três dedos, o boneco – que só aparecia no palco da cintura para cima – agitava-se todo.
A moleza acabava depois de um ou dois anos de jardim de infância, quando, após avaliação e aprovação das professoras, as crianças eram matriculadas no primário. Para isso, era necessário que já tivessem completado pelo menos seis anos de idade.
No primário, as brincadeiras geralmente ficavam relegadas à hora do recreio, que sempre parecia curta demais. De vez em quando, para matar a saudade, alunos do primeiro ano eram convidados a assistir ao João Minhoca no jardim. Era uma festa.
Após quatro anos no primário aprendendo Língua Portuguesa, Aritmética, História e Geografia do Brasil, chegava o quinto ano, no qual as crianças eram preparadas para o Exame de Admissão ao Ginásio, espécie de vestibulinho. Entrando no ginásio, o número de matérias aumentava: Ciências, Desenhos Geométrico e Artístico, Francês, Inglês, Latim, Música e Trabalhos Manuais, além de História e Geografia Universais. O liceu ou colegial demandava outros três anos de vida escolar e tinha mais disciplinas no currículo, incluindo Física, Química e Filosofia. Durante os 12 anos do período escolar, havia também as aulas de Educação Física, em que sessões de ginástica e atletismo se misturavam a jogos de futebol, vôlei e basquete.
Nas primeiras décadas do século 20, as escolas eram, em sua maioria, masculinas ou femininas – raras eram as que mantinham classes mistas. Havia escolas públicas, geralmente com ensino de alta qualidade, e escolas privadas, mantidas por leigos ou religiosos.
Diferentemente de hoje, em que há esforço de governo e sociedade para que toda criança esteja na escola, há um século apenas uma minoria frequentava os bancos escolares. Reportagem feita pelo jornal Folha de S. Paulo a partir de dados do Anuário Estatístico do Brasil mostrou que em 1940 havia 3,3 milhões de estudantes brasileiros nos níveis primário e secundário, equivalentes hoje aos ensinos fundamental e médio. O número de crianças e adolescentes matriculados na escola representava apenas 21% do total de 15,5 milhões de brasileiros entre 5 e 19 anos.
A rígida disciplina que imperava nas escolas nas últimas décadas do século 19 e nas primeiras do século 20 pode ser notada nas famosas “fotos de classe”, que eram tiradas anualmente em quase todos os colégios e geralmente vendidas aos alunos como recordação. Fisionomias sérias e atentas eram regra, assim como os braços e pernas dispostos na mesma posição. Ao lado das crianças, imponentes diretores e professores, em poses circunspectas, davam mostras não só de sua autoridade como do orgulho de formar mais uma classe.
As fotos e informações deste post fazem parte do livro Álbum de Retratos – Photographias Brazileiras, escrito pelos autores deste blog e publicado pela Editora TrezMarias. Se você também tiver fotos antigas de escolas e quiser vê-las publicadas, basta enviá-las para o e-mail blogalbumderetratos at gmail.com, se possível com data e local onde foi tirada.
As pessoas mais velhas ainda se lembram: carnaval antigamente era sinônimo de corso, marchinha, fantasia de pierrô ou colombina, confete, serpentina e – não podia faltar – um bom frasco de lança-perfume. Formado por uma mistura de éter, clorofórmio, cloreto de etila e essência, o líquido frio e perfumado começou a ser vendido no Rio de Janeiro em 1906 e logo ganhou milhares de fãs, que adoravam esguichá-lo em quem passava. Como se pode ver na foto acima, até as crianças se esbaldavam na brincadeira.
No início, era fabricado apenas pela Rodo Suíça, numa embalagem de vidro que quebrava facilmente.Em 1926, surgiu o Rodo Metálico, versão em frasco de alumínio, até hoje disputada por colecionadores. O sucesso entre os foliões fez outras marcas aparecerem Brasil afora. Em 1927, o consumo do produto já atingia 40 toneladas, segundo a imprensa carioca.

Por essa época, jornais começaram a noticiar que a brincadeira romântica estava dando lugar a um hábito perigoso: aspirar o líquido do frasco para obter uma sensação que ia do entorpecimento à euforia. Após casos de morte por parada cardíaca, o lança-perfume foi proibido no Brasil em 1961 por decreto do então presidente Jânio Quadros. E assim continua até hoje.
No post Carnaval de antigamente, você pode encontrar mais fotos da folia do começo do século passado. E, se tiver alguma fotografia antiga em casa e quiser vê-la publicada no blog, basta enviá-la para o e-mail blogalbumderetratos at gmail.com. O envio já implica autorização para publicação.
Você também pode ver outras imagens do País no século passado no livro Álbum de Retratos – Photographias Brazileiras (Editora TrezMarias, 320 páginas), escrito pelos autores deste blog.
Brincar o carnaval já era uma grande diversão no começo do século 20, assim como “fazer o corso” em um automóvel aberto com as moças sentadas no capô e procurar as lentes de um bom fotógrafo para imortalizar a pose dentro da fantasia. E aí valia desde incorporar pierrôs, arlequins e colombinas até se transformar em ciganos, piratas, padres, odaliscas, marinheiros, caubóis e o que mais a criatividade mandasse.
Crianças de todas as idades eram cuidadosamente preparadas pelos pais para participar das matinês – o primeiro baile infantil foi realizado em 1907. Já os adultos se esbaldavam nas festas em casas de família, bailes de salão, ao ar livre ou até em circos. Máscaras, confetes, serpentinas e lança-perfumes – bisnagas de vidro ou metal com éter perfumado, na época liberadas – ajudavam a animar os foliões.
Carruagens ou automóveis sem capota serviam para que famílias e amigos, geralmente fantasiados, se divertissem atirando confetes, serpentinas, flores e esguichos de lança-perfume em outros foliões. A moda ganhou força em 1907, depois que as filhas do então presidente da República Afonso Pena passearam no automóvel presidencial pela Avenida Central – hoje Rio Branco -, no Rio. Fascinados, foliões as imitaram, duelando com outros automóveis e brincando com pedestres. Logo, os corsos se espalharam por outras cidades, como São Paulo, e mais tarde inspirariam os carros alegóricos.
E você? Tem alguma imagem do carnaval de antigamente guardada em casa? Pode ser sua mesmo, de um parente ou de um amigo. Se quiser vê-la publicada no blog, basta enviá-la para o e-mail albumderetratos@gmail.com.

Sabe as estâncias hidrominerais mineiras? Elas eram muito procuradas pela elite brasileira nas primeiras décadas do século 20. Políticos, escritores, artistas, aristocratas e integrantes da burguesia emergente passavam temporadas na região, atraídos pelas fontes de águas raras, sulfurosas e com poderes de cura.
O presidente Getúlio Vargas, por exemplo, tinha no Palace Hotel de Poços de Caldas uma suíte com a mesma decoração do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, então capital do País. Juscelino Kubitschek também foi presença constante na cidade, assim como outras figuras importantes da vida nacional, como Rui Barbosa, Santos Dumont e Olavo Bilac.

Além dos banhos e piscinas térmicas, o grand monde desfrutava de caminhadas, passeios a cavalo, bailes e jogatinas. Numa época em que o jogo ainda era liberado no Brasil, ricos apostadores batiam cartão em cassinos animados nos tempos áureos por grandes artistas da época, como Carmen Miranda, Orlando Silva e Carlos Galhardo.
Outras estâncias hidrominerais se desenvolveram nessa época. O segundo volume da enciclopédia Nosso Século revela que “a gente chic da cidade ia passar suas vacances em Paris ou no Rio de Janeiro, mas muitos preferiam as estações de águas de Minas, as melhores do Brasil”. Além de Poços de Caldas, o texto cita “Caxambu (frequentada assiduamente pelo presidente Rodrigues Alves), Cambuquira (paraíso de políticos e comerciantes) e Lambari (reino do coronel Joaquim Manoel de Melo, proprietário do Cassino Lambari)”.

O primeiro visitante ilustre das estâncias hidrominerais mineiras, é bem verdade, havia aparecido décadas antes, em 1886. Foi o imperador Dom Pedro II, que, acompanhado da imperatriz Dona Tereza Cristina, inaugurou na região um ramal da Estrada de Ferro Mogiana. Três anos depois, Poços de Caldas foi desmembrada de Caldas e elevada à categoria de vila. O nome vinha da cidade de Caldas da Rainha, em Portugal, terma muito freqüentada pela família real.

As numerosas fontes de águas minerais de São Lourenço, um dos menores municípios mineiros, também atraíam muita gente. Situado ao pé da Serra da Mantiqueira, às margens do Rio Verde, foi fundado no século 17 por Lourenço Castanho Tazques, um desbravador que conseguiu vencer os temíveis índios cataguazes e montar em 1675 um acampamento na área. Nessa época, bandeirantes já passavam por ali em busca de ouro, pedras e índios, sem atentar para a riqueza terapêutica das águas. Só muitas décadas depois, as histórias sobre as fontes alcalinas e seus benefícios no auxílio ao tratamento de arteriosclerose, hipertensão, insuficiência cardíaca e outros problemas se espalharam.

A alguns quilômetros de São Lourenço, Cambuquira era outra cidade muito procurada para férias. Surgiu após a descoberta das fontes de águas minerais na antiga Fazenda Boa Vista e também ganhou seu Parque das Águas, com fontes hidrominerais de grande valor terapêutico (gasosa, ferruginosa, magnesiana e sulfurosa). Como outras cidades do Circuito das Águas, teve sua fase áurea como balneário na primeira metade do século 20, quando costumava receber a visita de personalidades, que se hospedavam nas belas construções dos hotéis do centro.

A proibição do jogo, em 1946, e a descoberta do antibiótico tiveram forte impacto no turismo das estâncias. O termalismo deixou de ser a maneira mais eficaz de tratar doenças. E os cassinos foram fechados. A economia local sofreu um grande abalo. Até que a região – e sobretudo Poços de Caldas – entrou no “ciclo da lua-de-mel” e virou um dos destinos prediletos de recém-casados em meados do século. Depois, foi descoberta pela classe média e grandes grupos passaram a frequentar suas termas e fontes, antes restritas à elite.
Esta bela foto foi enviada por nossa colega de Estadão Maria de Lourdes M. Huertas. Mostra Rosa Tello Huertas e Marcial Justo Huertas Ferrero, seus sogros, em 6 de janeiro de 1929.
Espanhóis da região de Extremadura, eles migraram para o Brasil na década de 1920 e ficaram juntos por 48 anos, até a morte de Rosa. A união deu frutos: tiveram nove filhos.
Marcial nasceu em 9 de agosto de 1905 e desembarcou no Brasil em 1921, ainda adolescente. Rosa é de 17 de abril de 1906 e chegou ao País em 1922, também adolescente. Os dois não se conheciam na Espanha, mas acabaram vindo para o mesmo bairro em São Paulo: o Canindé. E se casaram ainda jovens.
Maria de Lourdes conta que a foto acima foi feita uma semana após o casamento, porque esse era o costume na época. “Tive o privilégio de conviver com eles por cerca de 10 anos e nunca vi um casal transpirar tanto amor um pelo outro”, conta. “Quando ela faleceu, eu estava a seu lado e presenciei uma das cenas mais lindas que filme nenhum exibiu: a despedida deles.”
Rosa estava havia uma semana em uma clínica de saúde, com o coração totalmente debilitado, e mandou chamar o marido, reunindo forças para falar seu nome. Ao vê-la, ele a beijou muito na cabeça, chamando-a de “mi novia”. Ela repousou a cabeça em seu peito e morreu. Marcial faleceu quatro anos depois, de tristeza.
“Ele se entregou ao abatimento e, mesmo sem ter doença alguma, despediu-se da vida”, revela Maria de Lourdes. “Minha conclusão: o amor existe. Por isso, achei que seria uma homenagem incluir a foto deles no blog Álbum de Retratos.”
A foto do dirigível Hindenburg Zeppelin sobrevoando São Paulo foi tirada em 1936 por Hans J. Müller, tio do empresário Marius Rathsam.
Marius conta que a escola alemã Olinda Schuller, onde estudava, levou seus alunos de bonde da Rua Augusta até o belvedere do Trianon para que eles vissem a chegada do Zeppelin, marcada pontualmente para as 10 horas.
Vindo do Rio, o dirigível sobrevoou a capital paulista por meia hora e foi embora – não havia local para que pousasse na cidade.
Durval Braga nos enviou a bela foto abaixo. Mostra sua mãe, Maria José Braga (à direita), e uma prima dela, Maria Isaura, fantasiadas de russas em um carnaval da década de 1940. Ambas tinham por volta de 20 anos.
Ele não sabe ao certo o local da pose. “Pode ser São Paulo, Rio ou Mogi das Cruzes”, conta. O nome do fotógrafo também é desconhecido, mas – a julgar pela qualidade da imagem – certamente era um profissional.
“Para as famílias, o recatado carnaval da época consistia em passar o dia com uma fantasia“, continua Durval. “Nada de bailes – a não ser em casa mesmo. Nada de desfiles – no máximo um corso, mas ninguém na família tinha carro.”

E você? Tem imagens de família guardadas em casa e quer vê-las publicadas no blog? Basta enviá-las para o e-mail blogalbumderetratos@gmail.com. A publicação é gratuita, sem qualquer ônus às partes.
Pedro Alquati nos enviou a foto de seu avô Stéfano Alquati com dois amigos na praia de Santos, no litoral paulista, no começo do século 20. De família oriunda da Lombardia, na Itália, Stéfano aparece com traje típico da época à direita na imagem.

Estas fotografias foram feitas no alpendre da residência de João Bekman em Franca, cidade do interior paulista, no ano de 1957. A montagem dupla, em moda na época, mostra os primeiros rebentos do casal João Justino Alves e Aparecida Rodrigues Alves. São eles João Bekman (o garotinho moreno), Pedro Antônio (o menino loiro) e Maria Adelina.
2013
2012
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