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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
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Reclamações contra planos de saúde aumentam 34%

Categoria: Assunto do dia

Carolina Dall’Olio e Saulo Luz

Os dados mais recentes coletados pelo Procon-SP mostram que o número de reclamações de consumidores contra planos de saúde cresceu 34% no segundo semestre de 2010 ante o mesmo período de 2009, passando de 5.440 para 7.304 queixas.

E não faltam motivos para que a insatisfação dos clientes das operadoras aumente de agora em diante.
A rede credenciada está cada vez mais enxuta. Em 2008, havia 6.104 clínicas e 27.391 consultórios credenciados aos planos de saúde no Estado de São Paulo.

De lá para cá, as empresas ganharam 1,3 milhão de novos usuários, mas existem apenas 3.753 clínicas e 22.092 consultórios no Estado, informa a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

E, para piorar, a atual rede credenciada tem deixado os clientes das operadoras em segundo plano, privilegiando abertamente os pacientes particulares, que pagam mais por consultas e procedimentos médicos.

Esse comportamento, que já era notado em casos isolados, tem se tornado procedimento padrão entre os médicos, que seguem orientação de suas entidades de classe.

No dia 7 de abril, os médicos fizeram uma paralisação dos serviços a clientes de planos de saúde, batizada de Dia de Alerta. O movimento contou com a adesão de aproximadamente 80% dos cerca de 160 mil profissionais que atendem usuários de planos de saúde e afetou mais de 88% dos Estados, segundo o relatório da Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça.

Mas as paralizações não se restringiram ao Dia de Alerta. De acordo com o relatório da SDE, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, por exemplo, houve em outras datas suspensão de atendimento a clientes de diversos convênios. A reivindicação dos médicos é o aumento dos valores pagos pelas operadoras.

As entidades que representam a classe médica querem que as empresas adotem os preços mínimos definidos na tabela da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). O valor de uma consulta, por exemplo, variaria de R$ 60 a R$ 85. E, de acordo, com a SDE, há orientação para que os médicos que recebem menos que o estipulado pela tabela cobrem do cliente a diferença, para não ficarem no prejuízo.

Em meio à disputa entre médicos e operadoras e ao enxugamento da rede credenciada, quem paga a conta é o consumidor. Hoje é fácil encontrar casos em que o cliente se vê obrigado a aguardar meses até conseguir agendar uma simples consulta.

A aposentada Nancy Ieiri, de 70 anos, que o diga. No dia 18 de abril, ela ligou para o convênio para tentar marcar o retorno de uma consulta, apenas para mostrar alguns exames que o médico havia lhe pedido anteriormente.

Porém, foi informada que data disponível mais próxima era 28 de junho. “Não sei porque uma data tão distante se eu vou lá e vejo o médico tranquilo. Não tem fila, não tem ninguém”, reclama Nancy. “Se a minha vida dependesse dessa consulta, eu já estaria morta.”

O biomédico Fernando Henrique das Mercês Ribeiro, de 33 anos, vive situação semelhante. Quando liga para o consultório do oftalmologista e diz que é cliente de um convênio médico, é informado que as consultas só podem ser agendadas em 15 dias ou mais. Quando tentou agendar como consulta particular, porém, conseguiu marcar horário para dali a dois dias.

“Ao pagar um convênio médico, entendo que tenho direito a um atendimento equivalente a qualquer cliente particular. Afinal, como profissional da área, sei que a maior parte do movimento financeiro em medicina é mediado por planos de saúde”, analisa Ribeiro. “Mas o que vejo hoje é que os planos de saúde estão se tornando uma versão maquiada do SUS”, finaliza.

2 Comentários Comente também
  • 15/08/2011 - 11:15
    Enviado por: Wellington

    Na minha opnião isso é um descaso com o cidadão levando em consideração que se trata de uma briga de “gigantes” já que o consumidor todo mês paga em dia seu plano de saúde(a maioria não tem como atrasar, pois trata-se de planos de saúde industrial(trabalhadores CLT’s com direitos previstos no contrato firmado com a empresa no inicio das atividades profissionais)todo mês descontado do salário do funcionário.
    Os médicos deveria se unir e fundar um “Plano de Saúde Nacional” e concorrer diretamente com empresas de plano de saúde como Unimed,Sulamérica,policlin etc…
    Dessa forma tenho certeza que tanto consumidor quanto a nova empresa de plano assistêncial de saúde familiar ficaria satisfeirtos com o atendimento hospitar e remuneração dígna de um profissional indispensável que é o MÉDICO.

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  • 27/08/2011 - 10:36
    Enviado por: Geraldo

    Tenho sofrido na pele, a maneira como meu plano de saúde tem tratado da minha necessidade de atendimento médico; Estou há 3 meses tentando um procedimento (pequena cirurgia) na rede Greenline. Não consigo marcar médico otorrino e quando tento ligar para a central de atendimento, vem a informação que não tem agenda para essa especialidade. Não sei mais o que fazer, acho que os planos estão virando um 2o SUS.

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