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Sábado, 25 de Outubro de 2014
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Convênios dificultam marcação de exames

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JOSUÉ RIOS – COLUNISTA DO JORNAL DA TARDE

Estamos abandonados pelas autoridades que dizem cuidar da proteção do consumidor em relação a mais um abuso dos planos e seguros de saúde. Qual? As empresas recebem as mensalidades pontualmente, mas estão marcando consultas e exames para o dia que bem entendem realizá-los.

O sr. Furtado, o Consumidor, recebeu hoje a notícia de que o exame de pulsão aspirativa de tireóide” que sua filha precisa fazer só será realizado em outubro.

E cerca de um mês ainda não é o prazo mais longo: tem gente esperando de dois a três meses para fazer ressonâncias e exames como mamotomia, colonoscopia, angiotomafrafia e outros.
O drama é ainda pior quando o consumidor precisa de autorização para cirurgias.

Sem contar que não são poucas as vezes em que estas são marcadas e posteriormente canceladas por clínicas ou hospitais.

O fato é que os planos de saúde fazem de tudo para dificultar e adiar autorização de exames e procedimentos médicos, mesmo aqueles que são urgentíssimos.

Já abordei neste espaço as tais auditorias e pareceres prévios que os planos exigem, por conta própria (sem respaldo legal), como condição prévia para a autorização de exames e cirurgias, mesmo quando estes são solicitados pelo profissional de confiança do consumidor.

Motivo: os planos e seguros saúde não reclamam, como faziam antigamente, dos reajustes engessados pelo governo, mas dão o troco nas costas do consumidor, partindo para a redução cega de despesas, mediante o mau atendimento e a demora na autorização de procedimentos.
O absurdo é o consumidor paga caro e em dia por um serviço que a empresa de saúde e a sua rede credenciada não têm prazo para oferecê-lo.

E quem são as autoridades que deveriam impedir essas graves violações ao bolso e à vida dos consumidores? Em primeiro lugar, o Procon, no Estado de São Paulo, que tem diretor, muitos assessores e mais de 650 funcionários pagos pelos contribuintes.

Em segundo lugar, deveria conter os abusos a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão federal criado especificamente para fiscalizar planos de saúde. E temos ainda o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, além dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, que também devem defender os consumidores.

A verdade é que estamos diante de mais uma humilhação aos consumidores. Um verdadeiro mico, que é o de pagar (muitos passam necessidades para suportar a despesas) até R$ 1.500 por mês por plano e somente recebem portadas na cara, porque as autoridades e entidades que cuidam do assunto não se unem, numa espécie de força-tarefa, para lutar pela qualidade do serviço de saúde privada.

Isso quando as empresas de saúde não “quebram” e deixam os consumidores na rua da amargura, como ocorreu com a Avimed.

E não adianta as autoridades falarem em multas ou ações judiciais coletivas que não trazem resposta imediata ao problema. É necessário que os citados órgãos de defesa do consumidor (mais entidades civis como Idec, Pro Teste e outras) em lugar de ficarem cada um atirando para um lado – quando não se omitem – se juntem e criem um grupo de trabalho somente para acompanhar as mazelas da assistência médica e, a partir daí, adotarem providências efetivas contra os abusos.

As empresas que mais atrasam o atendimento devem ser expostas à opinião pública e convocadas para firmarem Termos de Ajustamento de Conduta, ou seja, acordos para a solução coletiva das lesões. Aplicando-se medidas mais duras contra as operadores que se neguem a cessar as lesões de forma conciliatória.

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2 Comentários Comente também
  • 27/01/2010 - 18:41
    Enviado por: Valéria

    Qual o prazo máximo que o plano de saúde tem para autorizar um exame de rotina? Solicitei uma ultrassonografia e a atendente do plano me disse que tem três dias para me dar a resposta se o plano vai autorizar ou não e mais dez dias, no mínimo, para marcar a data. Diante da minha insistência, me informou que o procecimento só estaria liberado dia 14 de fevereiro, 16 dias após a solicitação, que foi feita dia 29/01. Ocorre que havia procedimento disponível na clínica de ultrasonografia a partir do dia 05/02. E ironicamente, dia 14 é domingo de carnaval. Ou seja, na semana do carnaval não terei como fazer o exame, pois a clínica estará de recesso. Havia marcado o exame para o dia 10/02. Tive que telefonar para lá e pedir ova data. Agora dia 24/02. O Plano pode fazer isso? Demorar dez dias mais três outros dias para autorizar um procedimento simples? O que define a norma a respeito disso?

    RESPOSTA DO BLOG: A marcação de consultas e exames ocorrem de acordo com a disponibilidade da rede, portanto, não há irregularidade no procedimento do plano de saúde. Se você tem como provar que a rede tinha disponibilidade antes da data marcada, faça uma reclamação no Procon e na ANS.

    responder este comentário denunciar abuso

    • 08/03/2011 - 23:10
      Enviado por: gustavo

      primeiramente, procure a clausula de regulamentacao dos procedimentos. eles tem um prazo para autorizar por contrato.

      segundo a CONSU 8 da ANS o PRAZO LEGAL É 24HRS

      amanha irei nos jornais e televisao denunciar a coopus em marilia.

      além de denunciar na CRM, ANS, RECEITA, ESTADO, MINISTERIO DA FAZENDA E PREFEITURA.

      alguma multa vao levar. se nao for por irregularidades competentes à saúde, seram por irregularidades fiscais, e como contador que sou, isso ela vai levar.

      afinal, segundo meu plano de saúde, preciso de uma “justificativa” para operar de uma fistula. mandei uma foto por correio do meu anus vazando pus como justificativa.

      responder este comentário denunciar abuso

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