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Adriana Carranca

23.setembro.2011 11:46:03

Veja o que, afinal, divide palestinos, Israel e EUA

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, apresentará hoje o pedido de inclusão de um Estado palestino como membro pleno da ONU. Entenda quais são os principais pontos de disputa com Israel e os argumentos dos EUA para vetar as aspirações palestinas.
JERUSALÉM
Israel
O governo israelense não aceita a divisão de Jerusalém, que escolheu como centro político e religioso do povo judeu. Baseia-se na lei básica – prévia da Constituição israelense, ainda não escrita – aprovada pelo Knesset, em 1980, que define Jerusalém “completa e unificada” como a capital de Israel. Desde então tem ocorrido discussões; em 2000 e 2007, o governo então propôs abrir mão de alguns bairros periféricos anexados.
Palestinos
Os palestinos querem o leste de Jerusalém, controlado pela Jordânia antes de ser ocupada por Israel na guerra de 1967, como a capital do Estado da Palestina. Na cidade velha está o terceiro local sagrado dos muçulmanos, a Mesquita de Al-Aqsa, e o Domo da Rocha, de onde Maomé teria ascendido ao céu em seu cavalo alado Burak.
EUA
Os EUA não reconhece a anexação por Israel do leste de Jerusalém e mantém sua embaixada em Tel-Aviv. O presidente Barack Obama se opõe à construção de casas para israelenses no leste de Jerusalém embora tenha dito, antes de se tornar presidente, que dividir a cidade seria “muito difícil de executar”.
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FRONTEIRAS
Israel
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceita a criação do Estado palestino e, para isso, admite que israelenses terão de ser retirados de áreas da Cisjordânia (capturada por Israel em 1967). Israel retirou-se unilateralmente de Gaza, mas defende que sua fronteira inclua toda Jerusalém de os maiores assentamentos israelenses que proliferaram na Cisjordânia.
Palestinos
Os palestinos partem do princípio de que todas as terras ocupadas por Israel em 1967 pertencem ao futuro Estado palestino. A partir disso, todas as terras deixadas para Israel devem ser recompensadas com outras dadas aos palestinos.
EUA 
Os EUA reconhecem as fronteiras de 1967 como base para negociações.
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ASSENTAMENTOS
Israel
O governo de Israel insiste em manter como seu território os grandes assentamentos no leste de Jerusalém e na Cisjordânia. Essa questão divide o Knesset. Uma moratória unilateral congelou a construção de novos assentamentos por dez meses. A moratória expirou em 26 de setembro e não foi renovada, o que levou a Autoridade Palestina a paralisar o processo de paz que havia sido reiniciado poucas semanas antes.
Palestinos
Os palestinos gostariam que todos os assentamentos fossem esvaziados, como em Gaza. Eles defendem a permanência de um número mínimo de colonos e o recebimento de outras terras em troca das que ficarem sob domínio israelense.
EUA
Assim como ocorre com a anexação do leste de Jerusalém, os EUA não consideram legítimos os assentamentos israelenses na Cisjordânia. Mas aceita a realidade de sua existência e defende um acordo para por fim ao problema.
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REFUGIADOS
Israel
Israel rejeita a ideia de que os refugiados palestinos que deixaram as terras fugindo dos conflitos tenham permissão de voltar para casa. Eles argumentam que isso seria um dispositivo para a destruição do Estado de Israel e, demograficamente, seria como restabelecer um Estado palestino único.
Palestinos
Formalmente, os palestinos mantêm o “direito de retorno”, argumentando que negar esse direito seria uma injustiça. Porém, tem havido debates entre os palestinos de que pode ser negociada compensação para que eles abram mão de tal direito. Eles se recusam a aceitar o conceito de Israel como um estado judaico, argumentando que isso é desnecessário e ignora os direitos dos cidadãos árabe-israelenses.
EUA
Os EUA entendem a recusa de Israel em aceitar de volta os refugiados e espera que isso possa se resolver pela compensação, como defende parte dos palestinos, e pela ajuda às famílias que não puderem retornar.
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SEGURANÇA
Israel
O governo israelense teme que o Estado palestino caia nas mãos de radicais como o Hamas e seja usado como trampolim para transformar Israel em Palestina. Por isso, insiste em manter sob seu domínio o controle da segurança, incluindo na fronteira com o Vale do Jordão, e defende um Estado palestino desmilitarizado.
Palestinos
Argumentam que a segurança de Israel virá de uma solução estável de dois estados. Eles demandam todos os atributos de um estado normal. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, teme que, sem isso, o Estado palestino seja insustentável e vulnerável ao domínio de opositores ao próprio governo como o Hamas.
EUA
Os EUA aceitam a necessidade de Israel por segurança, mas também a demanda palestina por um Estado pleno. Reconciliar ambos tem sido o objetivo diplomático dos americanos na região. Sobre o reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU, os EUA argumentam que a Palestina só pode ser criada a partir de um acordo com Israel e não por imposição.
FONTE: Paul Reynolds, da BBC

Comentários (15)| Comente!

15 Comentários Comente também
  • 26/09/2011 - 11:39
    Enviado por: Thiago Dantas

    Questão delicada, texto bastante esclarecedor.

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  • 27/09/2011 - 16:46
    Enviado por: Michael K

    Jerusalém

    faltou informar que Jerusalem foi declarada uma cidade INTERNACIONALIZADA em 1947. A Jordãnia que havia anexado território reservado aos palestinos anexou Jerusalém Oriental ( Cidade Velha ) e nunca permitiu a um cidadão israelense que orasse no Muro das Lamentações. Por esta razão Israel não deve aceitar ceder jerusalém Oriental aos palestinos, e se Abbas coloca como pré condição o congelamento das construções nos assentamentos, israel deve colocar como pre´condição a não divisibilidade de Jerusalém

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    • 30/09/2011 - 23:28
      Enviado por: Adriana Carranca

      A Jordânia no passado anexou o território reservado aos palestinos (isso justifica que Israel faça o mesmo?)… Ben Gurion rejeitou a internacionalização de Jerusalém depois que os árabes rejeitaram as resoluções 181 e 194 das ONU… E muitas outras coisas aconteceram. E agora, 60 anos depois, ambos farão o que? Continuarão apontando o dedo para o outro, culpando o outro pelo que não deu certo e, assim, justificando seus próprios abusos. Isso é o que têm feito nas últimas seis décadas. Passou da hora de começar a olhar para a frente, não acha?

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    • 01/10/2011 - 13:54
      Enviado por: Fabio de Israel

      Nao Adriana,nao passou a hora coisissima nenhuma.Isto e um pretexto de tentar criar um
      Estado Palestino para chegar mais perto ainda dos judeus para continuarem com suas
      incursoes TERRORISTAS.Portanto nao passou a hora ainda……………………

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  • 28/09/2011 - 15:37
    Enviado por: Roland Scialom

    Boa síntese do que está acontecendo. Seria interessante acrescentar a esta síntese links para lugares onde há mais informação sobre cada ítem. Por exemplo, onde aparece “(capturada por Israel em 1967)”, vale a pena haver um link para um lugar onde figura a história desta captura, na ocasião da guerra dos seis dias, a história da guerra dos seis dias, etc.

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  • 28/09/2011 - 21:05
    Enviado por: Marcos Andre Santos

    É mesmo, parabéns…esclarecer é isto.

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  • 29/09/2011 - 12:33
    Enviado por: Gabriela

    Muito bem feita a comparação entre os posicionamentos dos três “Estados”. Na minha opinião faltou apenas um ponto controverso: a disputa pela água. A aparente natureza subsidiária da disputa pelo controle dos cursos dos rios se configura, na verdade, como uma das principais reivindicações e motivos das longas décadas desse conflito. Obviamente que seria difícil obter as opiniões oficiais dos Estados quanto a esse assunto, tratado de modo velado, mas seria de fácil dedução.

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  • 30/09/2011 - 14:45
    Enviado por: nelson

    Seria muito importante que a colunista lesse na integra o discurso do Netaniahu na ONU.
    No dito esclarecimento por parte da colunista, o texto coloca Jerusalém como ponto religioso muçulmano, quando na realidade o local do domo da rocha, é o local onde ficava o Templo de Jerusalém. O local é também onde ocorrera o sacrifício de Isaac.
    Apesar da colunista não escrever, esclareço que Jerusalém é o terceiro lugar mais importante para o islamismo(1º – Meca, 2º – Medina, na Arábia Saudita), apesar de não haver qualquer referencia de Jerusalém no Alcorão, e é o mais importante para os judeus.
    Jerusalém é mencionado nos livros de Reis, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos de Salomão, Profetas e Salmos. Todos relatando a história judaica na região.
    Afinal, o vinculo dos judeus com o local onde é Jerusalém remonta há mais de 3000 anos, enquanto a primeira passagem dos muçulmanos ocorreu em 638 DC com a sua tomada pelo califa Omar.
    É “politicamente correto” apoiar incondicionalmente a causa palestina sem se fazer uma análise histórica verdadeira sobre todo o assunto.
    Porém, quando se analisa a história real e se constata o porque das discórdias, o apoio incondicional será certamente repensado.

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    • 30/09/2011 - 22:55
      Enviado por: Adriana Carranca

      Nelson, conhecemos toda a história. Impossível repeti-la em cada post. Se você ler posts anteriores, verá que já a relatei por aqui. O fato de que a primeira passagem dos muçulmanos por ali ter ocorrido em 638 DC – o Islã é a mais jovem das três religiões monoteístas – não muda em nada o fato de que deverá haver uma solução de convivência entre ambos no território. Quando Israel foi criado, a divisão territorial previa um Estado palestino. Desde então, houve muitas guerras, iniciadas por um ou por outro, e o desentendimento prevaleceu. Mas palestinos, assim como judeus, têm direito a um Estado. Cabe discutir quem chegou primeiro? Sobre a destruição de templos, não se esqueça de que a Al-Aqsa foi incendiada por um cristão fundamentalista. Há criminosos de todos os lados. Isso não deve ser empecilho para a paz entre os povos, caríssimo.

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  • 30/09/2011 - 14:52
    Enviado por: nelson

    É ainda importante informar que durante o período de ocupação Jordaniana de Jerusalém, os locais sagrados para os judeus foram depredados e violados sem qualquer respeito. Já sob administração da ANP, o túmulo de José foi profanado e destruido.
    Qualquer pessoa que vá a Israel e visita os lugares importantes para as 3 religiões mais importantes do Ocidente, fica impressionado com o cuidado e respeito dado a eles.
    A ANP já afirmou categoricamente que não admitirá qualquer judeu em seu território.

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    • 30/09/2011 - 23:11
      Enviado por: Adriana Carranca

      A intolerância é mesmo realidade e o assunto tem um peso emocional imenso. A criação do Estado de Israel e os conflitos posteriores são muito recentes. Muitos israelenses defendem a solução de dois estados como a mais viável no longo prazo. A indefinição das fronteiras, o fato de que os palestinos se sentem lesados sem um Estado definido, mais de seis décadas após a criação de Israel, o bloquei à Faixa de Gaza, o avanço dos assentamentos sobre a Cisjordânia que ocupam parte do que seria a Palestina só tornam a situação mais e mais tensa a cada dia, alimentam o ódio e o extremismo. Se um Estado palestino for criado, a AP não será a única força política, principalmente num momento de primavera árabe, em que os jovens demandam liberdade e democracia. Não poderia haver momento melhor para a criação de um Estado palestino, aliás. A sociedade civil, que hoje concentra esforços na solução dos conflitos com Israel, poderá voltar-se mais para os próprios problemas com a criação do seu Estado. Ou qual seria a solução?

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