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Adriana Carranca

14.setembro.2011 19:13:43

Taleban e Otan levam a guerra para o Twitter

No meu post de ontem falei sobre o Twitter de jornalistas afegãos que abasteceram a imprensa mundial com informações em tempo real sobre os ataques simultâneos contra a Embaixada dos EUA e a sede da Otan em Cabul, entre outros alvos na capital. Mas não somente eles. O  Taleban agora também tem twitter, myspace e site – em minha última viagem a Cabul testemunhei muitos turbantes negros completamente à vontade em seus iPhones e Blackberries. É claro que é impossível atestar se os endereços em inglês atribuídos aos insurgentes na web são de fato escritos por milicianos ou comandantes do grupo – é bem provável que não, pois muitos dos Taleban, talvez a maioria, são tribais semi-analfabetos. Mais provável é que tenham o auxílio de gente gabaritada.

O fato é que, ontem, em meio ao ousado ataque dos insurgentes, os militares americanos acabaram legitimando pelo menos uma dessas páginas, no Twitter, ao protagonizar contra seu autor uma verdadeira batalha online.

Um dos post, às 11h41 de hoje, no Twitter da Força Internacional de Segurança (ISAF, na sigla em inglês), fazia uma provocação ao Taleban: “hey, @alemarahweb, o seu patrão fez isso?”, perguntava o militar em inglês, dando o link para um vídeo da ISAF em que mostrava a destruição causada pelo ataque dos insurgentes.

Al Emarah é o nome que o Taleban usa em um site do grupo, no Twitter, no myspace. É o Taleban na era digital. Os comunicados oficiais do grupo, que repercutem na imprensa mundial, costumam ser publicados nessas páginas.

Em outro post, ontem, o militar da ISAF questiona: “por quanto tempo mais os terroristas vão colocar os afegãos em perigo dessa forma?”. E no post seguinte, informa: “A atividade dos insurgentes mataram 11 afegãos, entre eles 3 crianças. Suas ações continuam a prejudicar afegãos civis inocentes”

Quem responde aos posts no Twitter da ISAF é Abdulqahar Balkhi, que se apresenta como uma espécie de porta-voz do Emirado Islâmico do Afeganistão, como é chamado o país sob regime Taleban. No post, em seu twitter, ele diz: “hey, @ISAFmedia, você tem colocado (os afegãos) em perigo nos últimos 10 anos. Destruído vilarejos inteiros e mercado e ainda tem a coragem de falar em prejuízo”.

NYT e o Guardian acompanharam o que mais parecia um bate-boca entre vizinhos – mas foi protagonizado por militares dos EUA e terroristas do Taleban, dois lados de uma guerra que dura há uma década, desde o 11 de Setembro. É meio assustador, não é, não?

 

Comentários (15)| Comente!

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15 Comentários Comente também
  • 14/09/2011 - 21:57
    Enviado por: eros alonso

    Se os EUA tivessem se voltado contra a al Qaeda e não contra o Talibãn,que festejou os ataques mas que nada tinha a ver com o atentado, as coisas seriam diferentes.Faltou Inteligência e Informação.Não era o Telebãn o inimigo.Como consequência levou o Paquistão a uma situação perigosa.Agora, todas as armas estão se democratizando. Histórias em quadrinhos, tão usadas pelos americanos para impor sua Cultura, agora são usadas pela Al Qaeda.O mesmo com os meios de comunicação.O problema é que invasor é invasor em qualquer país e sempre são tratados da mesma forma, até pelos animais na Natureza.Tudo indica que os EUA estão perdendo a guerra das cabeças,a guerra para convencer as massas, a Opinião Pública.Hoje é mais difícil censurar e manipular os fatos.Talvez seja essa a origem dos problemas dos EUA.

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    • 16/09/2011 - 14:25
      Enviado por: Adriana Carranca

      Eros, talvez tenha faltado humildade. Os EUA ignoraram a história milenar afegã, que passa por três guerras anglo-afegãs, todas elas perdidas pelos britânicos. Confiaram demais no poderio militar e fizeram uma guerra que custou meio trilhão, milhares de vidas e dez anos de luta para encontrar um homem. E ele estava no Paquistão… Abs.

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  • 15/09/2011 - 09:19
    Enviado por: Albert Chirac

    Pois é . Como são os povos . Os Estados Unidos, invadem os países pobres, roubam , destroem, matam crianças , desobedecem a ONU, retira adidos brasileiros na ONU e colocam os americanos , ….. e os brasileiros “borra bostas” , estão com mêdo do Tribunal de Haia no caso Batisti. Os EUA já disseram reiteradamente que não aceitam o Tribunal de Haia, pois ex-Presidentes, atual Presidentes dos EUA , assim como generais, cientistas, executivos das forças armadas, soldados , poderiam com certeza estar nos bancos de réus do Tribunal de Haia. E os brasileiros borra botas com medo de Haia no caso Batisti . Ora , que se vá a merda Haia . O Brasil e os brasileiros precisam parar de ser bobões . Olha , isto, olha , aquilo , não sei o que mais. Parem de ser criancinhas mimadas . O Batisti está no Brasil e pronto. Aliás, mais uma dos EUA . Notícia de ultima hora do Wikileads, aquele jornal que foi impedido de exercer a liberdade de imprensa , logo pelos monstrengos dos EUA . ” Cientistas americanos , vacinaram o povo guatemalteco – Guatemala – nos anos 50 , contra tifo, malaria , e outras doenças para testar a pinicilina , se a pinicilina teria exito contra estas doenças . Parece que daí surgiu a AIDS. Os povos do mundo estão de boca caída . Mas os EUA não aceitam Haia , e porisso os cientistas , presidente na época ( poderia ser julgado em Haia pos morte ) e tantos outros vivos até hoje deveriam ser julgado em Haia por mais um crime contra a humanidade . Já não bastate tantos , como “os filhos da Talidomida” , mais este aparece . E os brasileiros bunda moles , broxas , estão aflitos com Haia e o caso Batisti. Ora , vá plantar batatas , povo fraco e infantil.

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  • 15/09/2011 - 10:22
    Enviado por: Ingo da Silva

    Albert Chirac, o povo brasileiro foi “treinado” para ser submisso. Somos treinados para ser dependentes, somos treinados para aceitar tudo o que nos impoem sem contestar nada. O Tribunal de Haia é uma piada e ainda tem gente que acredita nele. Os invasores atuais nunca serão julgados pelos crimes de guerra que cometeram. A ONU, Otan e o Tribunal de Haia devem ser extintos, são todos manipulados pelos EUA.

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  • 15/09/2011 - 15:04
    Enviado por: Thiago Dantas

    Acompanhar esse tipo de mensagem corrobora a vertente de pensamento de que “quem faz guerra são meninos”.

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  • 16/09/2011 - 15:05
    Enviado por: Pompeu

    Boa tarde a todos.

    E essa nova forma de comunicação, redes sociais, dificil decifrar ela não?
    Quantas coisas serão definadas, o quanto nossa vida esta a mudar por essa nova tecnologia, ou melhor, esse novo fenomeno que a tecnologia está proporcionando?

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  • 16/09/2011 - 20:34
    Enviado por: santista do jabaquara

    o mais triste de tudo e ver o taliba de um lado
    e os soldados americanos de outro lado
    qual o pior?
    o q e pior, todos sabem,
    e necessario muito mais do q um exercito poderoso pra derrotar esse taliba
    o taliba suja o islamismo,
    um prato cheio pro ocidente
    infelizmente, cara jornalista, os eua, fizeram do taliba, hj, uma milicia poderosa
    e nao sabem como dizima-lo

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    • 19/09/2011 - 15:22
      Enviado por: Adriana Carranca

      Santista, não são tão poderosos quanto se imagina. Muitos dos ataques que ocorrem hoje no Afeganistão são perpetrados por grupos paquistaneses. Também há os interesses de outros países vizinhos -Irã, países da antiga URSS, China, além do Paquistão – que, como no passado, inflam a oposição ou a situação, dependendo de interesses próprios. ABs.

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  • 22/09/2011 - 08:02
    Enviado por: Alvaro Siviero

    Adriana, parabéns pelo Jabuti! Você merece, fruto de seu trabalho dedicado, ousado e profissional.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Adriana Carranca

    Adriana Carranca é repórter especial do Estadão. Escreve principalmente sobre conflitos, religião e direitos humanos, com olhar especial para a condição das mulheres. Fez coberturas no Afeganistão, Paquistão, Irã, Israel, territórios palestinos, Egito, Indonésia, República Democrática do Congo, Haiti, entre muitos outros. Seus artigos foram publicados em revistas internacionais como a americana Foreign Policy e a edição francesa da Slate. No Brasil, é autora de O Afeganistão depois do Talibã (ed. Civilização Brasileira) e O Irã sob o Chador (ed. Globo). Ganhou prêmios de reportagem, entre os quais o Grande Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, com uma coletânea sobre a guerra no Afeganistão, e cinco edições do Prêmio Estado de Jornalismo.

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