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“Pai, perdoai. Eles não sabem o que fazem” (dia 8)

Adriana Carranca

sexta-feira 28/01/11

Seguindo o tema do último post, algumas curiosidades sobre a Cidade Velha: No espaço de 1 km2 que compreende a antiga Jerusalém vivem 40 mil pessoas – 60% muçulmanos, 30% cristãos e 10% judeus, divididos em quarteirões (o quarteirão árabe, o cristão, o judaico; e, ainda, o quarteirão armênio). * O centro histórico é vigiado [...]

Seguindo o tema do último post, algumas curiosidades sobre a Cidade Velha:

No espaço de 1 km2 que compreende a antiga Jerusalém vivem 40 mil pessoas – 60% muçulmanos, 30% cristãos e 10% judeus, divididos em quarteirões (o quarteirão árabe, o cristão, o judaico; e, ainda, o quarteirão armênio).

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O centro histórico é vigiado 24hs por dia por 300 câmeras de segurança e soldados israelenses, fortemente armados e vestindo coletes à prova de balas.

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Entre os magníficos muros da cidade velha estão os locais sagrados das três principais religiões monoteístas: a Basílica do Santo Sepulcro, onde os cristãos acreditam que Jesus Cristo foi crucificado e sepultado; o Monte do Templo, onde está a pedra em que Abraão teria preparado o filho Isac para o sacrifício; e o Domo da Rocha, construído pelos muçulmanos no local de onde Maomé teria ascendido ao céu. É o mais disputado pedaço de terra do mundo e está no cerne do conflito entre judeus e palestinos.

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O local teria sido escolhido pelo rei David para abrigar o santuário da Arca da Aliança, descrita na Bíblia como o objeto onde foram guardadas as tábuas dos Dez Mandamentos, escritos por Deus e entregues ao profeta Moisés. São seguidos por judeus e cristãos – e, similarmente, pelos muçulmanos. O Islã considera Moisés um de seus principais profetas e, apesar de não citar os mandamentos no Corão, traz preceitos quase idênticos. Eles unem as três religiões.

E eu me pergunto o que aconteceu com “não matarás“…

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Ainda na cidade velha, a Basílica do Santo Sepulcro é loteada pelas três maiores denominações cristãs: greco-ortodoxos, armênio-ortodoxos e católico-romana. Os copta-ortodoxos egípcios, os etíope-ortodoxos e os sírio-ortodoxos têm propriedades menores na Basílica. Servem de moradia e escritório para os clérigos, locais de reuniões, pequenas cerimônias e estudos religiosos.

O problema são as áreas comuns, disputadas – literalmente, como nos relatou um dos seguranças israelenses sobre dois religiosos que teriam trocado socos e pontapés nos domínios da Basílica, uma semana antes – nas principais datas religiosas. Por exemplo, no Natal, o líder de qual denominação deve liderar a missa? E na Páscoa? E como fazer quando as datas das celebrações religiosas de duas denominações diferentes coincidem, quem terá o direito de receber seus fieis?

As chaves da sagrada Basílica foram entregues, em 1192, a duas famílias muçulmanas justamente para evitar desentendimentos entre cristãos. Até hoje, quem abre e fecha os portões da igreja são os descendentes dessas famílias.

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Ali, no auge de seu sofrimento, Cristo implorou o perdão para as nossas culpas:

“Pai, perdoai. Eles não sabem o que fazem”.