Foi muito gostoso poder falar sobre os personagens do livro “O Afeganistão depois do Talibã” (Ed. Civilização Brasileira/ Record, 286 páginas) no Programa do Jô e ajudar a minimizar um pouquinho que seja do preconceito que se tem sobre o povo afegão. Atendendo a pedidos, aqui está o vídeo! Abraços.
Adriana,
parabens pela entrevista, alem de saber muito bem conduzir de maneira bem profissional e gerar uma curiosidade positiva em seu livro, acredito que muitos brisileiros tiveram uma nocao bem clara da vida em baixas condicoes de sobrevivencia!
Com todo respeito, alem do seu charme ser impar e demostrar carinho pelo ser humano!
gostaria de saber como poderia trocar email com vc!!
Abracos,
Obrigada, Alessandro! Fico feliz que tenha gostado e por poder compartilhar as histórias que os afegãos tão gentilmente dividiram comigo. Grande abraço! Adriana
responder este comentário denunciar abusoParabéns Adriana, como sempre uma aula! Adorei a entrevista.
Obrigada, Marcos!!! Valeu!
responder este comentário denunciar abusoAssalamu Aleikum!
Muito bonito o seu trabalho, Adriana. É de um profundo humanismo. Fiquei com vontade de ir para o Afeganistão também, mas para ajudar na educação das crianças. Sou professor no interior do RJ e tenho certeza de que as crianças afegãs valorizam mais a educação e respeitam muito mais os professores do que as crianças do Brasil.
Aleikum Salam, Abdul. Shukran!!! Fico feliz por ter conseguido passar um pouco da beleza que vi no Afeganistão e no povo afegão. Inshallah um dia o país reconquistará a paz e receberá muita gente! Abraços, Adriana
responder este comentário denunciar abusoQual preconceito mais especificamente?
As tribos e seus senhores de guerra nao existiam antes da invasao sovietica?
Por favor clarifique.
Obrigado.
Preconceito? Não entendi. Sobre as tribos, existem há milênios. Os senhores da guerra, como os conhecemos hoje, não. Foram criados como estratégia de combate pelos EUA, através do Paquistão, contra os soviéticos e a expansão do comunismo. O dinheiro e as armas foram distribuídos a sete comandantes, líderes de suas regiões. Os tadjiques do Norte sob comando de Ahmad Shah Massoud e depois de sua morte, Marrechal Fahim (o atual vice-presidente); os pachtos do sul, na fronteira com o Paquistão, sob comando de Gulbuddin Hekmatyar; uzbeques com Rashid Dostum e por aí vai. Quando os soviéticos finalmente deixaram o país, os EUA perderam o interesse pelo Afeganistão e teve início uma guerra pelo poder entre as potências regionais – Paquistão apoiando os pachto, o Irã apoiando os xiitas afegãos, a antiga URSS ainda dando apoio à distância aos tadjiques… E o país, fortemente armado, mergulhou em uma sangrenta guerra civil. O restante você lê no meu livro, querido!
Adriana, seu blog é muito especial.Leio sempre e por isso venho solicitar sua atençáo para um questáo particular.Estou com viagem marcada de turismo para o Egito no periodo de 17/12 a 01/01/12.Ficariamos 4 dias no Cairo e depois iriamos para Luxor e Abu Simbel, Foi uma viagem planejada e muito querida, mas com os acontecimentos atuais no Cairo, ficamos receosos, até porque meu filho de 10 anos nos acompanhará.Como os agentes afirmam que a situaçáo esta acontecendo APENAS na praça Tahir, náo havendo problemas em outros locais, gostaria que voce me orientasse se a informaçáo é procedente.
Att/
Cintia
Cintia, eu estou no Brasil, então, é difícil opinar à distância. Mas tenho muitos amigos no Egito e me parece que os conflitos se concentram mais na Praça Tahir, que está no centro do Cairo, um lugar pode onde você certamente andaria como turista, não fosse isso. Está perto dos principais hoteis, então, veja direitinho onde vocês ficarão hospedados, para não serem pegos de surpresa. Você está indo de férias, afinal, e não vai querer ficar presos em um local temendo sair. Talvez valesse a pena ficar do outro lado do Nilo, em Zamelak, um bairro gostoso, onde estão os cafés, restaurantes e livrarias, não muito longe do centro, mas longe o suficiente (veja o mapa abaixo). No mais, tenho amigos brasileiros que vivem lá e estão tranquilos. Imagino que Luxor e Abu Simbel sejam ainda mais tranquilos. Abs.
responder este comentário denunciar abusoAdriana,
Embora eu beja valor em seu trabalho eu discordo quase que totalmente de suas conclusoes e observacoes.
Algumas das suas afirmativas no Jo, deram uma visao errada da verdadeira Historia do afeganistao que estudei.
Poderia dedicar horas neste assunto, mas a nocao de que os Americanos jogaram as tribos em uma guerra sangrenta e’ totalmente falsa. As guerras sagrentas entre tribos ja’ existiam muito antes dois seculos atras.
Outra e’ a nocao de que a repressao a smulheres foi resultado das madrassas. Segundo voce “os homens nao sabiam o que fazer e colocaram burkas nas mulheres”.
Na realidade o afeganistao no inicio do seculo 20 sofreu uma tentativa de modernizacao, no qual os direitos da smulheres eram respeitados mas foram violentamente reprimidos pelas tribos mulculmanas contra essa atidye de respeitar as mulhers, entre outros fatores.
O problema do afeganistao nao e’ somente influencia estrangeira, pois afinal, influencia estrangeira existe desde a formacao do pais.
O problema e’ a formacao cultural tribal que os impede de construir uma nacao. O islamismo retogrado que eles seguem tambem ajuda no atraso. Nao e’ um islamismo como turquia mas um islamismo medieval.
O simplismo da retorica d eulpar potencias estrangeiras, in laden etc nao e’ somente infantil mas e’ simplesmente uma interpretacao errada.
Todavia, parabens pelo sua tentativa de interpretacao, mesmo que errada.
Marcio, depende de que livros de história você leu. As tribos sempre existiram e sempre houve disputas localizadas entre elas. Nos anos 1980, conhecendo as divisões etnicas da sociedade afegã, que é formada por várias tribos nômades (ou que já foram nômades e se estabeleceram ali, principalmente, no auge do Império Persa), a CIA, atravês do Paquistão, formou, treinou e armou fortemente sete grupos de ‘mujaheddin’ para lutarem contra os soviéticos. Quando os soviéticos foram vencidos, esses grupos, armados até os dentes, mergulharam na mais sangrenta guerra civil da história do Afeganistão. Uma curiosdade foram os 4 milhões de livros impressos pela Universidade de Nebraska, na época, para serem distribuídos nas escolas e madrassas afegãs, ensinando às crianças o que era a jihad e por que aquela era uma guerra santa (contra os laicos comunistas). Isso tudo está muito bem documentado. Sobre a burca, ela é uma veste anterior ao Islã, ideia de um rei que permitiu que a rainha e outras descendentes monarcas que viviam em suas dependências saíssem para passear desde que não fossem vistas pelos plebeus, porque eram ‘especiais’. E aquilo se espalhou, sendo confundido mais tarde como algo islâmico. O Alcorão fala que mulheres e homens devem ser discrretos – homens não poderiam, por exemplo, usar camisa de mangas curtas. Enfim, os afegãos, majoritariamente analfabetos, confundem muito a religião com as tradições milenares. Muitos personagens do meu livro, como a Fatema, que é herdeira dos últimos reis do Afeganistão, por parte de mãe, e de uma linhagem que pode ser traçada até os descendentes do profeta Maomé, por parte de pai (ele é um proeminente líder religioso no Afeganistão, talvez o único respeitado pelos talibãs, embora se oponha a eles). Sim, houve nos tempos recentes uma tentativa de modernização, que as tribos não aceitavam. Veja, o Afeganistão é um lugar rural, completamente isolado, com 85% de sua população sem acesso a energia elétrica e 82% analfabeta!! E isso 10 anos depois da chegada das forças de coalizão lideradas pelos EUA!! Isso significa que eles não sabem ler nem o Alcorão e não vêm TV, nada. A falta de luz e o analfabetismo significam completo isolamento. Não dá para exigir que um povo nessas condições, que ainda vive na era medieval, de repente assimile o pensamento do século 21. Ha um caminho a percorrer e ele depende de paz, educação e desenvolvimento. Não, o problema no Afeganistão não é somente a influência estrangeira, mas tudo isso que os prende em outra era – da qual os estrangeiros não foram capazes de tirá-los, com todo o dinheiro, a inteligência e o poderia militar de 41 nações desenvolvidas. Não houve praticamente envolvimento nenhum de fato no Afeganistão, se não militar. Não houve, nestes 10 anos, engajamento, troca de culturas, progresso que poderiam trazê-los mais para perto do nosso século. Se vale a sugestão, leia Descent into Chaos, Ghost Wars, The Mirage of Peace, The Looming Tower, para entender a história recente e antiga. Abs.
responder este comentário denunciar abusoAdriana
Como eu disse eu discordo fortemente de voce, embora admire sua determinacao. Meus livros e contatos com afegaos nao sao piores que os seus.
Armados ate os dentes sempre foram, sangrenas batalhas sempre foram. A magnitude dos numeros e’ obviamente maior pois artilhariia moderna mata mais que arci e flecga de antigame te.
Sua argumentacao e’ baseada muito em ideologia o qur pejudica fundamentLmente a analjse factual dos eventos.
Por exemo a coreia do sul que ate os anos 60/70 tinha uma cultura atrasada e machista sem industrializacao , ocupada por forcas estrangeirS hoje e’ uma potencia industrial.
Ja no afeganistao continua estagnado no tribalismo medieval. E a culpa e’ somente deles que interpretam o islamismo n sua fomra maiz barbara.
Obrigado
“A culpa é somente deles?” Você acha mesmo isso? Aí acho que você está realmente fechando os olhos para a história, Marcio. Não dá para deixar a ideologia cegar sobre o que os tantos atores externos – soviéticos, forças de coalizão lideradas pelos EUA, os influentes Irã, Paquistão e China, a Arábia Saudita para citar os mais recentes – provocaram naquelas terras. Você não vai encontrar o contrário em nenhum livro. Isso não quer dizer que não sejam tribais, que não tenham divisões étnicas (que explico no livro). Isso é fato. Mas foram privados há tantos anos do desenvolvimento por sucessivos conflitos. Sobre os títulos que indiquei, eles me foram sugeridos por aqueles que há muito acompanham sua história e vivem ou viveram no país – Descent into Chaos é de um dos mais renomados jornalistas e escritores paquistaneses – e no meu livro são os próprios afegãos a contar sua história (eles conhecem muito melhor sua própria realidade do que nós). Mas há muitos outros títulos. Abraços!
responder este comentário denunciar abusoComo queida.
Mas por favof nao divulgue as opinioes de algumas pessoas como verdade absoluta. Conversei com refugiadis awui onde moto, e eles tambem relatarAm as suas experiencias. Algumas delas parecidas com seu relato, outras totalmente contrarias.
O que peco ,e nao veno nas suas apresentacoes, e’ a presenca de todas as realidades e nao somente a que mais vai de encontro com sua ideologia.
Nao e’ pedir muito e’?
Uma coisa que nao entendi tambem e’ quanto a ” minimizar um pouquinho o preconceito”.
Preconceito. Ontra exatamente o que?
Quem tem esse preconceito? A quem voce se refere
Obrigado pela gentileza
Me refiro àqueles que olham para todos os afegãos como terroristas. Abs.
responder este comentário denunciar abuso
2012
2011
2010
2009
2008
2007