Os dez anos desde o 11 de setembro até a morte do saudita Osama Bin Laden, em uma operação secreta americana no Paquistão no dia 1o de maio, deixaram 11.700 mortos no Afeganistão – ou quatro vezes mais do que nas Torres Gêmeas – e mais de 100 mil mortos no Iraque – ou 35 vezes o número de vítimas do WTC. Os afegãos, no entanto, não sabem o que foi o 11/9. Mais de 85% do país não tem luz – nem acesso a TV nem Internet nem nada. Mais de 80% não sabe ler.
Viajei duas vezes ao Afeganistão, em 2008 e 2011, nesta última fiquei por quase dois meses. Quando eu perguntava aos afegãos que me diziam não saber nada sobre os atentados contra os Estados Unidos, por que eles achavam que as tropas americanas estavam no país, eles respondiam: “Eles vieram nos salvar dos Taleban”.
Quando as forças de coalizão invadiram o Afeganistão, três semanas depois do 11 de Setembro, os afegãos achavam que os EUA transformariam o país em uma Manhattan da Ásia Central. Cinco milhões de refugiados da invasão soviética e do subsequente regime taleban voltaram para casa, no Afeganistão, no rastro da ofensiva estrangeira pós 11 de Setembro. Desses, 3 milhões já voltaram para os campos de refugiados do Paquistão e outros destinos, agora fugidos dos intensos bombardeios americanos na fronteira e da violência do Taleban, que voltou a dominar quase 80% do país. O presidente Hamid Karzai passou a ser chamado pelos afegãos de “o prefeito de Cabul”.
Veja a galeria de fotos das viagens ao Afeganistão, publicada hoje no portal do Estadão.
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Chega até o fim de setembro nas livrarias o meu novo livro O Afeganistão Depois do Taleban, que traz onze histórias do 11 de setembro como vivenciado por eles. São vozes quase sempre negligenciadas, mas fundamentais no processo de compreensão dos atentados que mudaram o mundo para sempre.
[...] que esteve duas vezes no Afeganistão desde os atentados, escreve em seu blog, hoje, que os afegãos achavam que os EUA transformariam o Afeganistão em uma espécie de Manhattan da Ásia Cent…. Adriana lança, no final do mês, o livro “O Afeganistão depois do Talibã”, no qual [...]
Engraçado, Adriana.
Eu tinha a impressão de que a população rural – mais religiosa, tradicional e majoritariamente pashto – apoiava os talibãs. E que a galera anti-talib era o pessoal urbano de cidades mais “ocidentalizadas”como Cabul e Herat. Estou muito enganado?
Bjs,
A população rural não tem estudo, energia elétrica, nenhum contato com o mundo e outras culturas. Assim, tendem a ser mais religiosas e a manter preservadas as tradições. Mas os talibãs, também analfabetos e criados em madrassas sem contato com o mundo, eram muitas vezes cruéis. A situação da população não piorou durante o regime. Não havia nenhuma liberdade. A proteção a Osama bin Laden levou a guerra, o terrorismo ao Afeganistão. E eles culpam os talibãs por isso. Dez anos depois da invasão estrangeira, porém, como a situação também não melhorou e muitos civis foram mortos na guerra, eles tampouco apoiam o atual governo e os aliados das forças de coalizão. Abs.
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