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Adriana Carranca

Citando várias fontes diferentes, jornalistas afegãos informavam em suas páginas na Internet, blogs e no Twitter sobre evidências de que a autoria dos ataques contra a Embaixada dos EUA e o quartel general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), hoje, em Cabul, era de responsabilidade da rede Haqqani, grupo baseado no Paquistão e supostamente aliado do Taleban. Os terroristas teriam feito contato por telefone com o comando do grupo no Paquistão antes de iniciar os ataques. “Temos evidências suficientes em mãos para afirmar que a rede Haqqani está por trás dos ataques de hoje (em Cabul). E eles estão por trás do ataque com um caminhão bomba contra uma base americana em Wardak”, disse um agente de segurança afegão ao repórter Bilal Sarwary, da BBC.

O fato é que a insurgência no Afeganistão já não é coesa. E isso é um perigo. Há hoje muitos grupos envolvidos na insurgência afegã, como a rede Haqqani, o recente Taleban paquistanês (independente do grupo afegão) e o Hezb Islami, de Gulbudin Hekmatiar, um ex-comandante mujaheddin que lutou contra os soviéticos com armas e treinamento da CIA, recebidos via serviço secreto do Paquistão, o ISI, e protagonizou a mais sangrenta batalha, em Cabul, no subsequente conflito civil contra as forças do tajique Ahmad Shah Massoud.

Enquanto as forças de coalizão se ocupavam dos Taleban – para não dizer de Saddam Hussein no Iraque, para onde o dinheiro e os esforços militares dos EUA se voltaram em 2003 – esses grupos se fortaleceram no Paquistão na última década sem que nada – ou quase nada – fosse feito. Muitos deles surgiram ainda na época da luta contra os soviéticos sob a tutela do ISI, mas hoje estão se tornando muito mais independentes e realizando uma série de ataques contra o próprio Paquistão – hoje mesmo, o Taleban paquistanês atacou um ônibus escolar, matando quatro crianças e o motorista, em represália contra líderes tribais que se uniram para combater a presença dos militantes, em ascensão, nos arredores de Peshawar – estive lá em maio e o clima já era bem tenso.

Mas os EUA continuam negligenciando o país vizinho, que vive uma profunda crise interna depois da morte de Bin Laden em uma operação secreta americana na cidade paquistanesa de Abbottabad. O governo civil, tido pelos paquistaneses como ineficiente e corrupto, preferiu deixar tudo nas costas dos militares, que se achavam no controle, mas foram desmoralizados e humilhados pela operação americana que não conseguiram sequer prever. Ao mesmo tempo, têm tido dificuldades em lidar com os próprios militantes que criaram. A população já miserável, enquanto isso, empobrece mais e mais – a instabilidade política e a violência afugentam investidores estrangeiros para bem longe. Isso ajuda a fazer do Paquistão solo fértil para o terrorismo. E não se pode esquecer que se trata de uma potência nuclear.

O país recebeu na última década mais de U$ 20 bilhões dos cofres americanos para “ajudar” os EUA a combater o terrorismo. Cortar a assistência agora, com tantas redes terroristas se fortalecendo dentro do país, não é uma decisão fácil – significaria menos recursos para o combater esses insurgentes que têm um forte apelo antiamericano, e com quem os EUA terão fatalmente de lidar mais tarde.

Os EUA podem até usar a desculpa da morte de Bin Laden para deixar o Afeganistão. Mas a pergunta é: o que farão com o Paquistão?

 

 

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Leia aqui a primeira crítica do meu novo livro, O Afeganistão depois do Talibã, escrita pela repórter Márcia Abos, no Prosa & Verso, do jornal O Globo.


Na foto, que cliquei em 2008, cavaleiros de três times disputam a carcaça de uma cabra sem cabeça, em uma partida de Buzkashi, o esporte nacional oficial do Afeganistão.

 

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O assunto é muito sério, mas não resisti em comentar sobre um parágrafo em especial na reportagem sobre as chamadas viúvas-negras ou mulheres bomba: enquanto aos mártires homens são prometidas 72 virgens, às mulheres o paraíso reserva “o marido perfeito. E nada garante que não seja o mesmo marido que teve em vida. Pode ser que não ganhe um upgrade”. Nem um upgrade? Fala sério!

russia

Piadas à parte – acho uma virtude poder rir de tudo e de nós mesmos, mas o assunto é realmente sério -, desde que vi a foto de Dzhennet Abdurakhmanova, de 17 anos, arma na mão, posando junto ao namorado Umalat Magomedov, fiquei tentando imaginar o que leva uma menina, porque ela é apenas uma menina, a se explodir em um ataque suicida.

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O assunto não é novo. O primeito atentado suicida realizado por uma mulher aconteceu no Líbano há 25 anos. Sana’a Mehaidli (foto), membro do Partido Social Nacionalista da Síria, tinha apenas 16 anos quando detonou os explosivos no carro que dirigia, em 9 de abril de 1985.

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Dei um Google e encontrei inúmeras estatísticas sobre suicídio feminino, sempre e em todos os países em número muito menor do que o masculino. O que torna ainda mais improváveis os ataques suicidas por mulheres. Sim, elas são usadas por organizações como Tigres Tâmeis, no Sri Lanka, o Hezbollah, no Líbano, e o PKK (sigla em inglês para Partido dos Trabalhadores do Curdistão), na Turquia, além dos chechenos e palestinos, justamente porque levantam menos suspeita das autoridades.

Mas, o que as convence de realmente levar adiante a missão e acionar o detonador? O que pensam os leitores?

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Mia Bloom, que estuda o assunto, revela em entrevista ao Aliás um importante denominador comum entre os grupos que recrutam tanto homens quanto mulheres suicidas – e a que as autoridades envolvidas na mediação desses conflitos deveriam estar atentos:

“O que aciona o gatilho é a frustração dos líderes da guerrilha ao perceber que outros meios de lidar com o conflito não funcionaram“, diz Mia. Quando as tentativas de negociação falham e as ações de contraterrorismo afetam de forma intensa a população civil, reina a filosofia do “se nossos civis não estão seguros, os seus também não estarão”.

Para pensar.

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A quem não teve ainda a oportunidade de assistir ao premiado filme Paradise Now, indicado ao Oscar de melhor longa estrangeiro, em 2005, recomendo altamente. Traz a história de dois jovens amigos recrutados por terroristas. E o mais interessante: trata-se de uma co-produção palestina-israelense.

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Com a proximidade do aniversário da Revolução Islâmica no Irã, dia 11, o primeiro desde que estouraram os protestos contra supostas fraudes nas urnas nas eleições presidenciais, em junho, convidamos* a historiadora e escritora Marcia Camargos, autora de O vôo do Albatroz, sobre a travessia de um refugiado iraniano para o Brasil, e o cineasta Flavio Rassekh, de origem iraniana, para um bate-papo sobre direitos humanos no país. Hoje, na TV Estadão.

* Convidamos também para essa conversa um representante da Embaixada do Irã no Brasil, mas, conforme informou o assessor do órgão, não foi possível conciliar a agenda dos diplomatas, que ficam em Brasília, com uma viagem para São Paulo, onde está o estúdio da TV Estadão. Eles se colocaram à disposição para futuras entrevistas.

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