Para uma jornalista, como eu, é uma supresa maravilhosa saber que um site de notícias independente e sem fins lucrativos, o ProPublica, tenha não apenas encontrado um meio de sobrevivência como chegado tão longe quanto um Pulitzer Prize, um dos mais prestigiados prêmios de comunicação do mundo. Melhor ainda que a iniciativa tenha surgido em solo americano, onde a imprensa não é exatamente independente – se não por interesses econômicos e políticos, por uma visão preconcebida de como o mundo deve ser e funcionar.

A reportagem vencedora da categoria jornalismo investigativo, The Deadly Choices at Memorial, é resultado de dois anos de investigação e 140 entrevistas conduzidas pela repórter e escritora em saúde, formada em medicina, Sheri Fink.
Sheri remonta as cenas do caos dentro do Memorial Medical Center, em Nova Orleans, logo após a passagem do Furacão Katrina, quando médicos e enfermeiras surpreendidos pela tragédia em um hospital sem eletricidade, água ou condições de atender a todos os feridos, que chegavam aos milhares, improvisaram sua própria estratégia de triagem. A reportagem traz confissões dramáticas de médicos que praticaram deliberadamente a eutanásia naqueles dias de terror, aplicando a alguns pacientes em favor de outros doses letais de drogas.
Por influência da reportagem, os Estados Unidos reabriram o processo de investigação sobre a morte de um dos pacientes citados e aprovaram lei com novas diretrizes para a atuação de médicos e enfermeiros surpreendidos em grandes tragédias.
Para quem lê em inglês, aqui está o link para a reportagem The Deadly Choices at Memorial, publicada pela revista do The New York Times, além do site do ProPublica.

Na semana passada, quando eu ainda estava no Haiti, as escolas continuavam paradas. Mesmo as que ficaram de pé depois do terremoto de 12 de janeiro foram interditadas pelo governo, por suspeita de terem suas estruturas comprometidas. A expectativa era de que, com a ajuda internacional, as escolas fossem substituidas por tendas para receber as crianças. Mas, hoje, no dia oficial marcado pelo governo haitiano para a volta às aulas, pouquíssimas escolas reabriram as portas. Basicamente, apenas 20% delas devem voltar a funcionar nos próximos dois meses, com o apoio do UNICEF e outras ONGs. Além da infraestrutura, destruída pelo tremor, faltam professores. Acredita-se que mais de 500 deles, do ensino básico e fundamental, tenham morrido na tragédia.
As informações foram confirmadas por uma amiga, consultora da ONU na área, que está atualmente em Porto Príncipe.
Na foto, crianças acolhidas por uma instituição franciscana recebem de militares brasileiros doações de material escolar enviadas do Brasil para o Haiti.
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