Uma das principais fontes de financiamento, nao familiar, de pequenos empreendedores sao as empresas de Venture Capital (VC). Há duas semanas tivemos um encontro entre oito VCs e estudantes para melhor direcionar os atuais projetos em andamentos e permitir que os estudantes pesquisem negócios nas áreas de maior interesse dos VCs.
Além dos visitantes dos VCs tivemos a visita de alguns empreendedores também. A distância entre os dois eixos é impressionante! Os VCs atuam de forma quase que única, com o mesmo perfil de projetos e investimentos. Querem muita inovaçao, através de negócio em internet, biotech ou em mobile que já tenha faturamento de pelo menos 1 milhao de euros anuais e uma equipe muito forte.
Já os empreendedores apresentam negócios nos mais diversos setores e portes. Quase sempre baseados em uma oportunidade pontual de mercado. Os empreendedores indicaram como a etapa mais difícil o levantamento do capital inicial, normalmente tiveram que utilizar recursos próprios ou familiares até atingir o nível de faturamento necessário para acolher o investimento de VC.
Os projetos de alunos selecionados para o Venture Lab serao apresentados com o suporte do IE para os VC com relacionamento próximo com a escola. Uma boa soluçao para quem nao quiser procurar emprego depois do MBA!
Começo a semana com a publicaçao da entrevista com o Bruno Gama, aluno brasileiro, recém formado no International MBA do IE. O post é longo mas vale a pena ir a até o final. Ele conseguiu claramente alavancar suas ambiçoes profissionais através do MBA. Ele se formou em dezembro passado e já está de malas prontas para o Oriente Médio.
Pedro: Bruno, como foi sua decisão de fazer uma MBA? Por que o IE?
Bruno: A ideia surgiu durante a minha faculdade de economia, quando não só entendi o que era um MBA e o consequente peso na vida corporativa, mas quando resolvi que gostaria de ter uma carreira internacional. Naquela época, fazer um MBA ainda era algo muito distante tanto sob o aspecto profissional quanto financeiro. A ideia maturou-se quando trabalhava em uma empresa de energia multinacional, onde tive a oportunidade de ter contato com profissionais de diversas nacionalidades. Pessoalmente, sempre preferi a Europa. Depois de fazer pesquisas, conversar com ex-alunos, consultar rankings, visitar palestras, fazer o planejamento financeiro, apostei no IE, pois achei que reunia um conjunto de qualidades que estava mais alinhado com minhas ambições pessoais e profissionais.
Pedro: Como foi sua chegada à Madri e ao IE, quais são as boas e as más lembranças?
Bruno: A chegada à Madri foi tranquila. Tive a sorte de contar com dois brasileiros que já estavam na cidade, que me ajudaram com dicas. A minha turma também havia criado uma comunidade no Facebook, onde compartilhavam informações sobre acomodação, eventos, encontros, etc. Por conta disso, a integração com os alunos foi rápida e fácil. Em relação às más lembranças, considero o período de busca de apartamento.
Pedro: Quais foram os momentos mais marcantes do ano que passou em termos pessoais e em termos profissionais?
Bruno: No âmbito pessoal, os momentos mais marcantes do ano que passou foram o contato com diversas culturas e costumes e a possibilidade de viajar com facilidade para lugares inesquecíveis na Europa. Em termos profissionais, tive a oportunidade de aprender através de casos reais sobre uma vasta gama de empresas e indústrias diferentes. Os grupos de trabalho também foram uma excelente fonte de troca de conhecimento e experiência. Em termos profissionais, tenho certeza que os contatos que fiz ao longo curso ajudarão em minha carreira.
Pedro: Quais foram as matérias que mais te interessaram e por quê?
Bruno: Na minha opinião as matérias mais interessantes foram as de finanças e as de estratégia em função de meu histórico profissional. Foi bem interessante ver essas matérias de forma estruturada e aplicada em estudos de casos.
Pedro: Você acompanhou a trajetória dos alunos que tiveram alto rendimento durante o curso? E a dos que tiveram baixo rendimento? (houve algum desligamento de aluno? – como foi a aceitação da sala e do próprio aluno(s)) Quais são os drivers de sucesso ou fracasso durante o curso?
Bruno: Sim, acompanhei como colega de turma, mas não tive oportunidade de ter um contato maior nos grupos de trabalho. Na minha sala, houve um aluno desligado do curso. Em relação aos drivers para ter êxito durante o curso, o básico é ler todos os casos para as aulas. A participação em aula é essencial e tem um peso grande na nota final, em minha opinião de maneira excessiva. Os grupos de estudos também são um meio bem eficaz de preparação, pois neles é possível compartilhar experiências e tirar potenciais dúvidas.
Pedro: Quais são os pontos fortes e os pontos fracos do IE?
Bruno: O IE me surpreendeu em diversos aspectos. Desde a primeira semana com a preocupação de integrar os alunos (Launch) até a cerimônia de graduação. A organização do curso foi bem estruturada e as semanas do Make Changes Happen e Change in Action foram interessantes, além de uma forma de aplicar o conhecimento adquirido ao longo do curso. Em relação aos pontos fracos, acredito que o IE precisa expandir a infra-estrutura, principalmente no que se refere às salas de estudo.
Pedro: Qual é a sua visão sobre os demais alunos da sua turma?
Bruno: No geral, achei o nível dos alunos alto em minha sala. Na maioria das vezes, as discussões foram conduzidas eficientemente pelo professor. Também, aprendi bastante nos grupos de trabalho, principalmente em função da diversidade cultural, acadêmica, profissional e etária dos integrantes.
Pedro: Você participou de Intercâmbio ou Summer job? Como você avalia essa experiência, por quê?
Bruno: Sim, participei de um Summer Job em uma consultoria estratégica italiana em São Paulo durante as férias de 5 semanas do MBA e considero a experiência positiva. Tive oportunidade não só de conhecer a rotina da empresa, mas também entender na prática como funciona uma consultoria estratégica. Além disso, pude expandir meu conhecimento em uma indústria nova.
Pedro: Quais foram as eletivas selecionadas por você? Muda muito o ambiente da sala de aula, a performance da turma é melhor?
Selecionei sete eletivas para os dois últimos períodos, mais focadas em minha área de interesse (Estratégia e Finanças). Não percebi mudança significativa de performance da turma. Por um lado, senti que os alunos estavam mais motivados, pelo fato de poder escolher matérias de seu interesse direto. Outro fator que ajuda a dar um ânimo extra aos alunos é o fato de o período de eletivas coincidir com a chegada dos alunos de intercâmbio de outras universidades. Por outro lado, percebi que o ritmo de estudo dos alunos reduziu, após uma grande carga de leitura e estudos nos três períodos anteriores.
Pedro: Como foi (ou está sendo) sua recolocação profissional? Quais as dicas para atingir os objetivos buscados? O mercado Europeu continua lento na sua opinião?
Considero que a minha recolocação profissional foi rápida. Com menos de um mês após o término do MBA, fui chamado para trabalhar em duas empresas, uma no Brasil e outra no Oriente Médio. Para atingir os objetivos buscados, é fundamental expandir a rede de contatos. Neste sentido, o Linkedin provou-se ser uma ferramenta muito eficaz na busca de emprego. Considero importe ter o perfil atualizado e manter contato frequente com a rede de relacionamentos. Outra rede que considero bem organizada é o MBA Alumi Brasil, que publica vagas com frequencia, além de organizar eventos e pesquisas de perfil e interesses. Em abril do ano passado, foi feita uma iniciativa chamada Summer Job Task Force, onde muitos alunos que se inscreveram obtiveram sucesso e conseguiram ter esta experiência. Portanto, recomendo também entrar para esta rede de relacionamento. Finalmente, acredito que o mercado europeu está se recuperando de forma lenta, portanto considero importante não estar restrito ao mercado europeu e estar atento à oportunidades em outros lugares.
Pedro: Você considera o networking obtido entre os brasileiros mais forte ou relevante do que o obtido entre os demais estudantes?
O network obtido pelos brasileiros foi bem forte, envolvendo formação de time de futebol (JogaBonito), encontros gastronômicos, viagens, grupos de estudos, reativação da vitoriosa Fla-Madri, entre outras iniciativas.
Pedro: Depois do MBA quais são os próximos passos acadêmicos e profissionais que você tem em mente?
Após ter concluído um mestrado em regulação da indústria de energia e o MBA no IE, pretendo focar em minha vida profissional, mas não descarto fazer um doutorado no médio prazo. Meu próximo desafio profissional será na divisão de energia de uma empresa no Oriente Médio e estou seguro de que todo o investimento feito em formação acadêmica contribuiu de forma significativa para atingir meus objetivos profissionais.
Estive ausente durante alguns dias desde a última semana! Veio uma mistura de trovoadas com neve e granizo. Foi bem forte! Algumas provas e entregas de trabalhos na mesma semana. Por enquanto nenhuma perda relevante.
Conforme os dias avançam a rotina familiar começa a ganhar peso e a rotina estudantil ganha toneladas. Tem sido bem desafiador levar a família e os estudos ao mesmo tempo. Além disso, existe a preocupaçao constante com a recolocaçao profissional, nao em termos de conseguir ou nao, pois praticamente todos os recém formados brasileiros conseguiram ótimas posiçoes tanto no Brasil quanto fora, mas principalmente em termos de encontrar um summer job interessante e que alavanque as iniciativas e o network após o MBA.
Embora tenha sido bem difícil a última semana consegui tempo para fazer duas entrevistas muitos interessantes para publicar aqui no Blog. Uma com um aluno que acaba de concluir o MBA e outra com o Reitor do IE. Outras entrevistas estao programadas para a próxima semana, tanto com alunos quanto com professores, perguntas sao bem vindas.
Nesta última semana foi emitido o Panorama de Investimento Espanhol na América Latina 2010. O Brasil continua no topo do ranking com 72% das empresas espanholas pertencentes ao IBEX35 com projetos de investimento no Brasil, seguido de México, Chile e Perú.
O estudo foi feito em parceria pelo IE e pela Kreab & Gavin Anderson. Segundo o estudo, os principais fatores de atração do investimento no caso do Brasil são a expansão do mercado interno e matérias primas. Um ponto considerado de pouca relevância foi a competitividade da mão-de-obra.
O IDE (Investimento Direto Estrangeiro, que poderia ser Investimento Direto Espanhol, já que este país é o maior investidor no Brasil há pelo menos 3 anos) representa boa chance para o mercado de profissionais hispano-hablantes, com conhecimento em estratégias de penetração e expansão de mercado, pois segundo o estudo, 77% das empresas espera obter crescimento orgânico e 9% afirmou crescer através de M&A (as demais não especificaram).
Hoje começou a nevar em Madrid, mas o calor das aulas só tem aumentado. Realmente tem sido difícil acompanhar todas as matérias, atividades e qualquer “party”. As matérias já passaram das aulas iniciais de conteúdo óbvio e passam a exigir mais tempo dia-a-dia.
Como em qualquer trabalho, quando uma pessoa já nao é capaz de manter todas as suas atividades é sinal de que chegou a hora de ser mais eficiente ou de aumentar o quadro. No ABC.Edu aumentaremos o quadro!!!
A partir desta semana já teremos a participaçao de pelo menos 2 outros correspondentes do ABC.Edu, ambos do IE. Aproveito este post para fazer uma breve introduçao sobre eles, Camila Villas (IMBA2009) e Loren Morales (IMBA2010) sao jovens apaixonados por moda e esportes respectivamente. O resto deixo com eles!
Muita gente perguntou sobre como anda a vida familiar de um casal que tem duas crianças pequenas e resolve fazer ao mesmo tempo um MBA e um LLM (também no IE) em um outro país. A minha esposa também está na aventura de completar um Master, no caso dela em direito.
Optamos por deixar as meninas, uma de 3 e outra de 1 ano, na escola de 9:00h ás 16:30h. Para muitos brasileiros parece muito. É bem verdade que no Brasil não estamos acostumados a deixar os filhos na escola por tanto tempo, mas as realidades de vivência em cada país são diferentes. Na Espanha não existe o luxo de ter uma emprega ou babá para cobrir os horários de ausência dos pais (existe, mas ao preço de 10 Euros/hora). Portanto, faz parte da rotina familiar daqui ter os filhos em longas jornadas escolares.
Quanto ao resto, lavar, passar, cozinhar, limpar a casa, fazer compras, colocar o lixo para fora e os demais afazeres domésticos fica tudo por conta dos próprios pais, mesmo em famílias mais “endinheiradas”, é um estilo de vida. Estamos nos saindo muito bem por enquanto! No final, temos mais tempo com as meninas aqui do que tínhamos no Brasil.
Não posso deixar de comentar que tudo é um pouco mais fácil do que no Brasil. As distâncias são menores, as comidas mais fáceis de preparar, os tempos de espera reduzidos, os inícios e términos de aulas são pontuais, o tempo gasto em solução de pequenos problemas como emitir um documento ou abrir uma conta no banco são muito menores. De uma forma geral cada um é mais produtivo, não tanto quanto os alemães, mas isso já é uma outra conversa!
“Quem compra um Mac nunca mais volta a ter um PC” foi o que muitos dos atuais estudantes brasileiros no MBA do IE me disseram. Eu me perguntava se era por uma questão de moda ou por uma questão de avanço em termos de excelência de máquina.
A história começa com um convênio entre o IE e a Apple store, estudantes do IE possuem um desconto de 10%. Logo entra em cena o informal member-get-member, os usuários de Mac deliberadamente recomendam o produto. Se houvesse uma avaliação de NPS (net promoter score) seguramente os resultados seriam amplamente satisfatórios em favor da Apple.
Após o período de convencimento chega a hora do “test drive”, os incríveis gráficos e soluções para situações um tanto quanto atrasadas no mundo do PC, como ferramentas de back-up, conectivade, mobilidade e segurança são os argumentos quase finais para a decisão de comprar um Mac.
Ainda restava resolver a questão, mais do que em moda, de integrar, ou simplesmente não abandonar, a comunidade PC - que no meu ponto de vista se resume minimamente ao Pacote completo do Office. Como este já está 100% adaptado ao sistema operacional OS terminei por dar as boas vindas ao iMac e ao MacBook Pro para me acompanharem nesta nova atapa da vida!
Talvez com a introdução sucessiva do iPhone no Brasil seja a grande oportunidade da Apple conquistar seu devido espaço no mercado doméstico brasileiro, porque aqui em Madrid já atingiu quase 50% de market share entre os brazucas!
A diversidade do corpo de professores e alunos do IE se provou cada vez mais viva na a cerimônia oficial de abertura do MBA dentro de um mosteiro mediaval na cidade de Segóvia. Primeiramente havia a ilustre presença do professor convidado Dr. Zhong-Ming WANG, um renomado atuante na área de Empreendedorismo da Zhejing University da China. Além disso, o grupo de alunos contava com mais de 56 nacionalidades, sendo apenas 12% espanhóis.
Quem teve a curiosidade de abrir o link da Zhejing University notou que o link não está no nosso alfabeto. Este exemplo serve para eu conseguir explicar o tamaho da diferença entre fazer negócios no “nosso mundo” ocidental e fazer negócios com a Ásia. Segundo as projeções econômicas, nove em cada dez empresas internacionalizadas terão algum relacionamento com a China nos próximos 10 anos.
Parece óbvio, não? Quando lemos um jornal há sempre a sigla BRIC e um comentário sobre o peso da China na economia mundial (caminhando para 2o. PIB mundial) mas quem de nós, brasileiros, já esteve com alguém que fez “um negócio da China”? Normalmente poucos! Não é o caso por aqui no IE. Hoje, durante a palestra do professor WANG, cerca de 10% dos alunos confirmaram ter estado na China para negócios (descontam-se os alunos chineses!).
Para quem está acostumado com a “Pseudo-diversidade” da nossa economia brasileira, deixo duas simples perguntas. Alguém tem idéia de como se desenvolve um negócio B2B para PMEs na China? Quem sabe o que um consumidor Chinês espera em termos de produto e serviço? Essas respostas valem Bilhões.
O tema network é um tema presente a cada segundo vivido durante os dias iniciais de um MBA. Ele ocorre de forma “patrocinada” pelo próprio IE e também de forma “natural” pela busca de colegas que ajudem a suportar a experiência de um ano fora de casa sob grande pressão.
Os incentivos “patrocinados” são cocktails e festas, além de ferramentas de comunidades em internet. Já os naturais são muito mais modernos, rápidos, diversificados. Entre os alunos de cada sala de aula, bem antes do início das aulas já há cadeias sólidas de relacionamento para festas – tudo via facebook, BB im e Linkedin.
O MBA – diferentemente de qualquer outra experiência de graduação ou mesmo mestrado no Brasil – não tem como atingir seus objetivos sem uma interdependência brutal entre os candidatos ao título. O Network é seguramente a palavra que melhor define o que é esperado e cobrado dos candidatos nestas duas semanas inicias, sem isso não há sustentabilidade para o curso.
2010
2009