Por estas inexplicáveis coincidências da vida, semana passada, enquanto eu estava em Montevidéu dando uma conferencia para ex-alunos e futuros alunos Uruguaios do IE, conheci uma ex-aluna do Executive MBA que trabalhava num dos maiores projetos educacionais do país: o Plan Ceibal.
No dia seguinte, fui conhecer a sede do projeto e o diretor geral, Gonzalo Pérez Piaggio, com quem tive o prazer de me reunir e fazer umas perguntinhas.
Criado em 2007 diretamente pela presidência da república do Uruguai (ou seja, não depende de nenhum ministério ou ente público estabelecido), o projeto nasceu diretamente da ideia “One Laptop Per Child” concebida pelo famoso e polêmico Nicholas Negroponte do MIT (versão Wikipedia).
O projeto está comemorando 5 anos este ano, com alguns números bem impressionantes (apesar de algumas críticas, em minha opinião, menores): 100% das crianças possuem um laptop no Uruguai, o País se tornou o mais conectado da América Latina (91% da população) e praticamente eliminou o analfabetismo digital do país (todos os jovens com menos de 16 anos sabem operar um computador e têm noções de programação!). Mais de 500 mil pessoas já receberam os pequenos computadores. Tirei uma foto para vocês verem as máquinas:
Aproveitei para fazer algumas perguntinhas para o Gonzalo:
1) Como funciona a distribuição dos computadores?
Durante os 9 anos da educação primária uruguaia os alunos recebem 2 computadores, que têm a vida útil de aproximadamente 5 anos. De 6 a 11 anos de idade, eles recebem o computador verde (mais simples), e dos 11 aos 16 o computador azul (mais potente). Os professores recebem uma versão ainda mais completa chamada Magalhães.
2) Quais foram os principais obstáculos na época?
Convencer a população de que estas máquinas não competiriam com os laptops comerciais vendidos por empresas tipo Dell, Lenovo, HP, etc, distorcendo o mercado de informática no país. Instalar ADSL e wifi em mais de 2.500 escolas em todo o país foi outro grande desafio (principalmente no campo).
3) E agora, qual o principal desafio?
Iniciar o processo de personalização da educação pública uruguaia, “desestruturando” a tradicional educação (industrializada e mecanizada) do País, que ensina as mesmas coisas, e num mesmo ritmo a todos os alunos do sistema, independentemente de suas habilidades ou afinidades com as matérias (a inspiração está claramente e abertamente baseada em Sir Ken Robinson, em outro post voltaremos a ele).
Tudo bem que o Uruguai seja um País pequeno (os críticos sempre dizem isso), mas não há dúvida de que estão educando seus jovens na direção correta. Outro ponto, talvez o mais importante, é que, sendo um dos países menos corruptos das Américas, o Uruguai consegue fazer com que os 50 milhões de dólares anuais do projeto sejam usados totalmente para o mesmo.
No Brasil, não tenho nenhuma dúvida que grande parte do dinheiro de projetos bacanas deste tipo vão parar na Suiça, na conta de membros bandidos dos nossos principais partidos políticos.
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Para mais info (em inglês):
Meu Twitter: @neweduca
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Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Hoje em dia não mais. A informação está na mão. Nas pontas dos dedos para ser mais preciso. A informação tradicional fornecida pelas escolas tradicionais de forma tradicional se mostra mais perecível que a informação efêmera disponível na tela de um smartphone. Ela limita a reflexão ao invés de expandi-la.
Passei esta semana viajando pela América do Sul: segunda-feira Bolivia, terça-feira Paraguai, quarta-feira Argentina e sexta-feira Uruguai, de onde escrevo este texto agora.
Atualmente divido meu tempo entre conferencias interativas e aulas acadêmicas sobre “Entrepreneurship in Emerging Economies” (minha área de pesquisa, mais info em www.newtoncampos.com) e a gestão de programas semipresenciais de uma grande escola de negócios europeia.
Segunda-feira, em Santa Cruz de la Sierra, dei duas conferencias interativas similares, baseadas em minha atividade acadêmica. Os públicos eram bem distintos: alunos de uma escola secundária privada de alto nível (na faixa dos 17 anos) e adultos procurando cursos de pós-graduação no exterior (na faixa dos 30 anos).
Para minha surpresa, mesmo sem ter nenhuma experiência profissional no assunto, os alunos do colégio estavam mais bem informados sobre os assuntos discutidos do que os adultos, em geral profissionais destacados em suas profissões. A diferença? Os alunos já cresceram numa escola extremamente moderna, que lhes estimula a questionar os assuntos e pesquisar as respostas continuamente, seja de assuntos tipicamente bolivianos, seja de assuntos globais.
Amanha vou visitar a iniciativa “um laptop por aluno”, implantado com muito êxito aqui no Uruguai desde 2006. Já são mais de 500 mil laptops distribuídos, com 100% das crianças Uruguaias conectadas. Parece ser bom demais para ser verdade. Semana que vem conto como foi.
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2013
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