Escolas na nuvem?
Hoje vamos começar com uma pequena pesquisa (favor clicar no link abaixo e responder na página que se abre):
Você acha útil ter acesso à informação sem saber para o que ela serve?
Frequentemente, me vejo debatendo com meus alunos, amigos e leitores deste blog sobre a diferença entre informação e conhecimento. Vivendo cada vez mais numa “sociedade da informação”, acho que este debate deveria ser muito mais abordado do que tem sido pela sociedade em geral.
Desde os anos 1990, o Prof. Sugata Mitra vem nos apresentando o resultado de pesquisas que ele tem realizado na Índia sobre o aprendizado infantil através do uso de tecnologias. Seu controvertido lema é: “um professor que possa ser substituído por uma máquina, deve sê-lo.” (a teacher that can be replaced by a machine, should be.).
Há algumas semanas, ele apresentou seu novo conceito de “escola na nuvem” (school in the cloud, em inglês) no ciclo de conferências TED, na Califórnia (veja o vídeo mais abaixo).
Ele ficou conhecido por uma série de experimentos que realiza há anos com crianças em favelas e zonas rurais da Índia. Ele deixa um computador, embutido numa parede, num idioma que elas mal conhecem e com um conteúdo bastante desconhecido por elas, para seu uso livre.

Depois de 2 meses usando sozinhas o computador, a primeira coisa que as crianças disseram ao Prof. Mitra foi: “Precisamos de um processador mais rápido e de um mouse melhor.” Fotografia: www.lrnteach.com
Invariavelmente, as crianças sempre começam a ensinar umas às outras sobre o que aprendem, tornando-se usuários a nível intermediário naquela ferramenta e em seus conteúdos.
Entre os diversos achados do Prof. Mitra nesta área, ele descobriu que:
a) quanto mais longe uma escola está de um centro urbano, pior ela se sai nos exames nacionais comparativos;
b) quanto mais longe uma escola está de um centro urbano, mais os professores gostariam de estar lecionando em centros urbanos;
c) o uso da tecnologia nos grandes centros urbanos melhoram em cerca de 3% a 5% a qualidade do aprendizado do aluno. Nas zonas rurais ou em favelas esta melhora chega a mais de 30%;
d) não há qualquer correlação entre níveis de pobreza ou níveis de acesso à eletricidade e o ritmo de aprendizado das crianças;
e) a curva de aprendizado das crianças, operando o computador sozinhas, é similar à curva de aprendizado de um curso em sala de aula sobre o mesmo assunto;
g) mesmo que o idioma do computador não seja o idioma das crianças, elas aprendem cerca de 200 palavras deste novo idioma para poder a usar a máquina e os programas ou jogos educativos.
Depois de tantos anos estudando este fenômeno, o Prof. Mitra tem conluído que crianças de 6 a 13 anos podem aprender e ensinar umas às outras a usar relativamente bem aparelhos similares aos computadores, sem qualquer ajuda de um adulto.
Além disso, ele defende que o acesso à informação tem um maior impacto na educação em zonas mais remotas da sociedade que em áreas urbanas, proporcionando uma significativa melhora no desenvolvimento de todo tipo de conhecimento humano.
Video do Prof. Sugata Mitra, TED Fev 2013:
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Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Já na primeira vez em que ouvi falar do Khan Academy, há uns 3 anos, achei a iniciativa muito interessante: aulas rápidas, de 5 a 15 minutos, em linguagem informal, combinando basicamente uma voz e um quadro negro. Nada mais.
Tanto me impressionou que procurei pelo seu fundador, Salman Khan, no LinkedIn, e descobri que ele estava a apenas 2 níveis de separação de mim: minha irmã estudou com um amigo dele em HBS. Enviei uma mensagem de parabéns pela iniciativa, me disponibilizando a ajudar de alguma forma, mas nunca obtive resposta. Logo logo encontrei o motivo: Khan se tornou uma celebridade no mundo da educação. Quem não o conhece tem que conhecer, o site já virou um clássico da educação a distância.
Embora este tipo de “educação” possa sim ser interpretada como totalmente passiva (e portanto pode ser percebida como “chata” ou nada interativa), a modularização dos conteúdos em pílulas de 10 minutos a torna muito útil para revisão de conceitos ou informações pouco perecíveis tais como fórmulas, acontecimentos históricos, etc.
Nesse vídeo, de sua apresentação para o TED em 2011, o próprio Salman explica o site e como surgiu a ideia. Para os que tenham paciência, no minuto 16 do vídeo aparece em cena nada menos do que Bill Gates para prestigiar a iniciativa. Suas ONGs são patrocinadoras do projeto.
Se você quer ajudar e se tornar um voluntário do Khan Academy traduzindo as aulas para o português clique aqui: Khan Academy – Contribute.
Graças ao trabalho voluntário de brasileiros e portugueses, o português já é o quarto idioma mais traduzido do site, depois do estoniano, do polonês e do español.
Uma das principais perguntas que surgem é se este modelo de geração de conteúdo educativo é sustentável: Quem paga pelo seu desenvolvimento e manutenção? O que acontecerá quando Bill Gates deixar de colocar dinheiro? É possível criar um modelo que gere renda para a organização e para os voluntários envolvidos?
Bem, ninguém tem ainda “a resposta”, mas acho que isso virá naturalmente, com o tempo, pois no capitalismo a “destruição criadora” é implacável. Vocês podem ter certeza de que há milhares de pessoas no mundo pensando em como ganhar dinheiro com sites desse tipo neste exato momento. E muitas o farão.
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Para mais info (em inglês):
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2013
2012