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A Educação no Século 21

Semana passada fui ao cinema assistir ao excelente filme Norte-Americano Desapego (Detachment). Fazia tempo que queria vê-lo. Trata-se da história de um professor de educação secundária, enviado a escolas públicas da periferia para repor aulas de inglês.

Quem trabalha no mundo da educação deve assisti-lo, pois como bem disse a crítica Juliana Fernandez, o filme equivale a um “tapa na cara”, que nos deixa pensando sobre o assunto por dias (ao final deste texto deixo disponível o link de sua resenha profissional sobre o filme). Além disso, a atuação do ator Adrien Brody é simplesmente espetacular.

Sem entrar no drama das histórias contadas, a primeira coisa que me chamou a atenção foi, mais uma vez, perceber que mesmo a escola pública mais “feia, pobre e sem infraestrutura” dos Estados Unidos, é incrivelmente bonita e bem cuidada para os padrões da maioria das economias subdesenvolvidas ou em desenvolvimento do mundo (Brasil incluído).

O filme nos deixa uma mensagem aparentemente básica, mas muito relevante: que a informação vem da escola (ou mesmo da internet, hoje em dia), mas educação vem de casa (e nunca da internet).

É a falta de exposição a valores humanos e a referências inspiradoras no lar que contaminam o ambiente educacional de muitas escolas pelo mundo na atualidade. E tampouco se trata de uma questão de pobreza ou riqueza: essa “falta de educação” moderna está presente também em muitas escolas de elite, seja nos Estados Unidos, na Espanha ou no Brasil. Falta educação em casa.

Fiquei pensando numa das características da educação do futuro: maior integração de atores ao sistema educacional. Por exemplo, a partir do ano que vem, num projeto pioneiro que lidero aqui em minha universidade, os programas de mestrado integrarão alunos e ex-alunos da escola num mesmo grupo, utilizando, simultaneamente a formação tradicional e a educação continuada. Utilizaremos o formato blended (semipresencial). O resultado? Acreditamos que isso resultará numa experiência muito mais enriquecedora para professores, alunos e ex-alunos, que poderão aprender todos uns dos outros.

No futuro não muito distante, conseguiremos integrar também ex-alunos de outras universidades, professores de outras universidades, profissionais do mercado (guest speakers) e quem sabe até mesmo amigos, colegas de trabalho e parentes destes profissionais às mesmas plataformas de formação (desde que cumpram obviamente com os rigorosos processos de seleção).

Se isso for bem administrado, todos aprenderão de todos, numa riqueza de intercâmbios absolutamente inédita para um programa formal de mestrado (só receberiam diplomas oficiais os alunos matriculados, os demais participantes receberiam certificados não-oficiais).

Porque não podemos, da mesma forma e num futuro relativamente próximo, integrar nossos lares aos sistemas educacionais públicos e privados de nossos filhos, amigos e colegas de trabalho, com a ajuda da tecnologia? Assim poderíamos tentar fazer que todo um bairro se envolva, de forma presencial e a distância, no processo de ensino e aprendizagem coletivo.

Clique aqui para ler um comentário profissional sobre o filme “Desapego”, por Juliana Fernandez.

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Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com

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Durante nossas vidas, todos nós acabamos ensinando alguma coisa às outras pessoas. É inevitável. Ensinamos aos nossos amigos de infância algum truque no videogame, ensinamos aos nossos primos como pegar um metrô, ensinamos aos nossos filhos como andar de bicicleta (exemplo clássico, hein!). Ou seja, em algum momento seremos professores nesse mundão, mesmo que por pouco tempo, sem que isso se torne uma profissão.

Mas para todos nós que temos a docência como profissão (principal ou complementar), boa sorte!

Semana passada fui a Amsterdã (Amsterdão para os portugueses) encontrar a um grande amigo que passava pela Europa, que retornava da Ásia para o Brasil. Além de tomarmos uma cerveja juntos, ele também tinha como objetivo entrar em lojas de instrumentos musicais para comprar algum instrumento relativamente fácil de tocar. Na Europa, as boas lojas de instrumentos musicais são incríveis. Numa loja do centro de Madri que eu gosto, por exemplo, Amadeus Mozart já foi cliente regular!

Bem, conversando com o dono da loja, decidimos comprar umas gaitas. Opção perfeita: são baratas, fáceis de carregar e relativamente fáceis de aprender a tocar (na foto, eu feliz da vida com a minha aquisição). Agora só faltava encontrar um professor… Me lembrei de um post que li outro dia de um cara que aprendeu a dançar o moonwalk do Michael Jackson seguindo apenas a vídeos do Youtube.

Em Amsterdã com a gaita

Em Amsterdã com a gaita

Perfeito! Não saberia nem por onde começar a procurar um professor de gaita em Madri, cidade onde moro. Encontrei, literalmente, dezenas de cursos gratuitos de gaita na internet, para vários estilos (blues, rock, country, etc). Pré-requisito? Saber falar inglês. E olha que eu só procurei no Youtube (ver abaixo um exemplo). Imaginem se eu tivesse mais tempo para procurar em outros sites.

Em poucos dias já aprendi a tirar alguns sons básicos, legal! Mas fiquei com pena daqueles professores de música de bairro, como aqueles que me ensinaram a tocar violão em Perdizes, São Paulo, na minha adolescência nos anos 90. Como será que eles se adaptarão a essa nova realidade?

Antes eu achava que somente os professores medíocres seriam substituídos pelos bons professores online. Ultimamente tenho pensado que quando os melhores professores (de qualquer assunto) entrem de vez no mundo online (principalmente de uma forma interativa), mesmo os bons professores terão suas vidas dificultadas (ou desafiadas?).

O capitalismo não perdoa, a hiperconcorrência definitivamente chegou ao mundo da Educação.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Newton Campos

    Com 20 anos de experiência nas áreas de tecnologia e educação superior, participou de numerosos projetos em distintos países. Atualmente leciona e trabalha na IE Business School da Espanha, com profissionais que criaram alguns dos melhores programas de pós-graduação em formato blended do mundo. Doutor em Criação e Gestão de Negócios pela FGV-SP, passou por organizações como PricewaterhouseCoopers, Telefónica e IIM Indian Institute of Management, além de ter participado na criação de diversas empresas no Brasil entre 1997 e 2010.

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