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A Educação no Século 21

Nesta segunda parte do fantástico artigo de James Byers e Adam Frey (fundadores do Wikispaces), eles advogam que o sucesso por trás das startups de tecnologia para a educação estará na clareza dos objetivos da jovem empresa e no apoio ao fortalecimento do papel do professor e das instituições de ensino no processo educativo. Novamente, deixo o link para o artigo original ao final do texto.

Tecnologia antiga e nova. Fotografia de Lukas Koster.

Tecnologia antiga e nova. Fotografia de Lukas Koster.

PARTE 2

Como vencer no setor de Tecnologia aplicada à Educação
(How to Succeed in Ed-Tech, por James Frey e Adam Byers, Nov 2012)

Deixemos nossa definição [de sucesso] de lado e destaquemos porque posicionamos a questão da sustentabilidade em primeiro lugar e procuramos beneficiar não apenas os estudantes, mas os professores e as instituições também.

Sustentabilidade

Quando uma empresa do setor de tecnologia para a educação é descontinuada, isso gera um grande problema. O impacto sobre os alunos, professores e administradores é muito maior do que em serviços semelhantes fora do setor da educação. O dinheiro para substituição de tecnologia está amarrado a um processo orçamentário anual. Funções de suporte tecnológico – já escassos em recursos humanos – devem conciliar esta emergência às responsabilidades existentes. Professores e administradores simplesmente não têm horas extras durante o ano letivo para treinamento em tecnologia. Os alunos precisam começar de novo com novos materiais e um produto novo para aprender.

Acreditamos que as startups de tecnologia para a educação têm um dever maior – o dever moral – para com os seus alunos, professores e administradores. Este dever não deve obrigar as startups a seguirem um caminho conservador. Em vez disso, os líderes destas startups devem imprimir em suas culturas a coragem de equilibrar risco e visão de longo prazo em suas missões.

Eles devem criar produtos que sobreviverão ao longo do tempo. Devem construir empresas que estarão por perto para apoiar estudantes e educadores após a próxima moda, após a próxima onda de mudanças tecnológicas, a próxima crise econômica. E moderar suas expectativas com uma boa dose de paciência. Empresas que são construídas para se sustentar estarão próximas do mercado por tempo suficiente para encontrar o sucesso.

Sirva aos estudantes

Ajudar aos alunos deve estar no coração de qualquer startup de educação de sucesso. Este será o seu maior desafio. Alcançar um grande número de alunos é difícil, ajudá-los de uma forma mensurável é mais difícil, e provar que foi você quem o fez é mais difícil ainda.

As conexões diretas entre o seu produto e os dados dos estudantes são tremendamente valiosas, tanto como são as pesquisas de qualidade; e mesmo o feedback indireto e as evidências informais são parte da solução. Independentemente da abordagem que você tome, qualquer prova verdadeiramente significativa de aprendizado leva tempo para se desenvolver. Uma discussão completa deste assunto está bem além do âmbito deste artigo. Para as pequenas empresas, o melhor conselho é manter o foco. Reduza o escopo de seu produto e simplifique o seu posicionamento até que você possa argumentar claramente sobre como a adoção do seu produto leva a melhores resultados de aprendizagem. Construir este argumento vai levar tempo, iteração (repetição), mente aberta, e aliados ao seu lado que saberão identificar quando você alcançou este objetivo: os professores.

Sirva aos professores

Os professores são o eixo central do processo educacional e chave para as startups de tecnologia para a educação em três aspectos importantes:

• Eles são os grandes facilitadores da adoção da tecnologia por parte dos estudantes. Professores decidem quais produtos e plataformas usar em suas salas de aula.

• Eles sabem melhor do que ninguém como ajudar os alunos a terem sucesso. Os professores vão lhe mostrar como construir um produto melhor, mas só se você respeitar o tempo deles e o fato de que todos os alunos, professores e escolas são diferentes. Um grande produto que requeira 25 horas ao dia não será usado. Um grande produto que requeira uma pedagogia muito específica não alcançará adoção em quantidade suficiente. Quando você fortalece os professores ao usarem sua tecnologia de forma eficaz, você amplia o impacto que eles podem ter sobre os alunos.

• Os professores exercem uma influência grande e crescente sobre as decisões de tecnologia de suas instituições. O impacto deste ponto final sobre as startups de tecnologia para a educação não pode ser desproporcionado.

Sirva às instituições

A visão popular dos últimos debates sobre as startups de tecnologia para a educação é a de atender aos alunos diretamente e deixar as instituições ou escolas de lado. Tomamos o ponto de vista oposto: abraçamos às instituições.

Não pretendemos sugerir que não há lugar para servir aos alunos diretamente ou que as instituições não precisem mudar radicalmente. Estamos entusiasmados por ambos os movimentos e com a promessa de mais acessos abertos ao conhecimento. Mas estamos conscientes de que a grande maioria dos estudantes em tempo integral nos EUA e ao redor do mundo são – e serão num futuro próximo – ensinados por professores de instituições de ensino tradicionais. Escolas estaduais, escolas municipais, programas regionais de educação, pequenas faculdades, grandes universidades.

Apesar da visão predominante de que servir instituições represente a morte das jovens startups de tecnologia para a educação, instituições de ensino estão passando por mudanças sem precedentes e ainda controlam orçamentos agregados de tecnologia na ordem de dezenas de bilhões de dólares. Em qualquer outra indústria isso seria visto como uma grande oportunidade. Nós não vemos nenhuma razão para que o mercado de ensino pense diferente.

As escolas perderam seu apetite em receber cold calls, lidar com longos ciclos de vendas, enormes contratos de software, implementações tortuosas e projetos carregados de riscos de longo prazo. Sem exemplos de adoção pela base do sistema, os vendedores não podem mostrar a única coisa que estas instituições mais anseiam: demonstrações de sucesso embaixo do seus próprios telhados.

Enquanto citações de clientes, artigos e analistas de pesquisas podem afirmar que um produto terá sucesso, os professores que já usam o produto em suas salas de aula são a prova real. O de-baixo-pra-cima substituiu o de-cima-pra-baixo. Nós estamos vendo mais e mais líderes de instituições grandes e pequenas influenciados por histórias de produtos que funcionam hoje com seus próprios alunos e professores. Os produtos de sucesso das startups de tecnologia para a educação vão traçar uma linha clara entre a adoção do produto e a melhora dos resultados dos alunos *e* fortalecer os professores para terem sucesso com o produto antes de sua adoção por suas instituições. Estabeleça-se nas salas de aula, bibliotecas e auditórios antes de levar o seu produto aos administradores.

Alcançar as instituições através de professores influentes é apenas o primeiro passo. Seu cliente institucional só vai ficar com você se você habilitá-los a servir sua população inteira de alunos e professores de forma eficaz e eficiente. Verifique se o seu produto e equipe estão prontos para ajudá-los na transição, dos early adopters (pioneiros) a todos os demais. Sente-se uma sensação incrível quando uma instituição abraça seu produto fundamentando-se no sucesso da base. Nós acreditamos que este seja também o alicerce ideal para muitas das startups de tecnologia para a educação que estão por vir.

Link para o artigo original completo (em inglês): https://www.edsurge.com/n/how-to-succeed-in-ed-tech

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Caramba. Muitas coisas acontecendo no mundo da educação. Conto-lhes e analiso dois fatos que vivi nestas últimas semanas apressadas que tenho tido por aqui:

1) Leciono uma matéria por semestre aqui em minha universidade intitulada “Entrepreneurship in Emerging Economies”. Os alunos são jovens de 26 a 31 anos provenientes de todas as partes do mundo.

Este ano tenho 54 alunos de 30 países. Quase todos têm projetos que poderiam ser tornar um negócio em breve. Calculo que destes, pelo menos 20% querem começar algo na área de educação. Sei que em muitas turmas de MBA pelo mundo e em muitas incubadoras de negócios isso também está acontecendo. Isso não era assim antes…

2) Antes de começar a matéria, contato com ex-alunos da universidade que há alguns anos tinham projetos empresariais para saber se aceitam explicar para os alunos atuais – através de videoconferências – como evoluíram estes projetos. Dos oito ex-alunos que contatei, vivendo em países como Turquia, Egito, Índia e Romênia, três decidiram começar projetos na área de educação (e seus projetos têm boas perspectivas). Isso não era assim antes…

Alunos no século 21.

Universitários de primeiro ano nos EUA. Foto de Will Richardson.

O que está acontecendo? No mundo da informação massiva e bidirecional os produtos valem cada vez menos. Até os diamantes perdem valor quando sabemos das histórias trágicas que existem por trás deles.

Tal como a informação monopolizada do passado, a informação massiva e bidirecional também constrói e destrói marcas, constrói e destrói mitos, constrói e destrói líderes. Mas se antes essa informação era passível de manipulação por parte de algum membro da cadeia de valor destas organizações, cada vez mais isso se torna possível também em grande escala e por mais e mais pessoas e organizações (sejam elas grandes e poderosas ou não).

Quem sabe adquirir, manusear e transmitir adequadamente a informação, ganha espaço e ganha mercado, independentemente do setor em que atua.

Com a internet, estamos aprendendo a manusear e transmitir a informação de forma muito mais inteligente, apesar de toda a falta de coordenação que naturalmente se instalou.

Ora, a informação sempre foi a matéria prima da educação, tal como é também do jornal, do rádio e da TV. A consequência da informatização da educação se torna então obvia: muito mais gente se torna apta a ensinar (o que é diferente de educar).

Daí os projetos educacionais que pululam por todo o mundo. Alguns deles são tão interessantes e tão inovadores na forma de transmitir informação útil que me fazem perceber que realmente ainda vivemos num mundo extremamente atrasado intelectualmente. Muito está por ser feito nessa área.

As escolas e os meios de comunicação que se limitem a comprar e vender informação deixarão de ter utilidade e de existir. No novo processo educativo, extremamente informatizado, agregará valor ao processo apenas quem puder fazer correlações que convertam esta informação em conhecimento.

Até o final deste século nossos netos verão claramente como éramos limitados em 2012.

Nota adicionada em 10/Novembro/2012: Após lerem esta postagem, alguns amigos comentaram: Como assim “dominará o processo educativo?” Basta ver a foto para perceber que já dominou, não? Na verdade, quando afirmo que “dominará”, no futuro, o faço desde o ponto de vista conceitual e estrutural. Conceitualmente e estruturalmente quase nada mudou: ainda seguimos os processos que seguíamos há centenas de anos. A própria foto que procurei para ilustrar o fenômeno nos remete a um conflito atual entre o modelo antigo e o novo. No modelo antigo uma pessoa falava e cem escutavam. No modelo novo cento e uma pessoas devem falar e escutar. O processo de aprendizagem será diferente. Ainda não descobrimos de que forma, mas certamente será. Estes novos empreendimentos que surgem pelo mundo ajudarão a alterar o status quo do processo em poucas décadas.

Observação importante adicionada em 10/Novembro/2012: O evento Conecta – Tecnologias Educacionais 2012, organizado pela FIRJAN do Rio de Janeiro promete contribuir para este debate ganhar força no Brasil: Conecta – Tecnologias Educacionais 2012

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Hoje em dia não mais. A informação está na mão. Nas pontas dos dedos para ser mais preciso. A informação tradicional fornecida pelas escolas tradicionais de forma tradicional se mostra mais perecível que a informação efêmera disponível na tela de um smartphone. Ela limita a reflexão ao invés de expandi-la.

Passei esta semana viajando pela América do Sul: segunda-feira Bolivia, terça-feira Paraguai, quarta-feira Argentina e sexta-feira Uruguai, de onde escrevo este texto agora.

Atualmente divido meu tempo entre conferencias interativas e aulas acadêmicas sobre “Entrepreneurship in Emerging Economies” (minha área de pesquisa, mais info em www.newtoncampos.com) e a gestão de programas semipresenciais de uma grande escola de negócios europeia.

Segunda-feira, em Santa Cruz de la Sierra, dei duas conferencias interativas similares, baseadas em minha atividade acadêmica. Os públicos eram bem distintos: alunos de uma escola secundária privada de alto nível (na faixa dos 17 anos) e adultos procurando cursos de pós-graduação no exterior (na faixa dos 30 anos).

Para minha surpresa, mesmo sem ter nenhuma experiência profissional no assunto, os alunos do colégio estavam mais bem informados sobre os assuntos discutidos do que os adultos, em geral profissionais destacados em suas profissões. A diferença? Os alunos já cresceram numa escola extremamente moderna, que lhes estimula a questionar os assuntos e pesquisar as respostas continuamente, seja de assuntos tipicamente bolivianos, seja de assuntos globais.

Amanha vou visitar a iniciativa “um laptop por aluno”, implantado com muito êxito aqui no Uruguai desde 2006. Já são mais de 500 mil laptops distribuídos, com 100% das crianças Uruguaias conectadas. Parece ser bom demais para ser verdade. Semana que vem conto como foi.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Newton Campos

    Com 20 anos de experiência nas áreas de tecnologia e educação superior, participou de numerosos projetos em distintos países. Atualmente leciona e trabalha na IE Business School da Espanha, com profissionais que criaram alguns dos melhores programas de pós-graduação em formato blended do mundo. Doutor em Criação e Gestão de Negócios pela FGV-SP, passou por organizações como PricewaterhouseCoopers, Telefónica e IIM Indian Institute of Management, além de ter participado na criação de diversas empresas no Brasil entre 1997 e 2010.

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