Como o ambiente de estudo influencia no formato do que vai ser estudado?
Com este post continuo apresentando ao público leitor do Estadão casos de empresários e empreendedores que fundaram iniciativas de sucesso no ramo da educação. Desta vez conversei com a Helena Fragomeni, fundadora da Asterisco, empresa de consultoria na área de treinamento corporativo e educação a distância. A entrevista foi feita por Skype, numa conexão Madrid – Rio de Janeiro, na semana passada.
A Helena acumula 12 anos de experiência no setor. Fez Desenho Industrial (Comunicação Visual) na PUC-Rio e MBA na FGV-RJ, especializado em Negócios na área de Tecnologia da Informação.
Sua empresa tem crescido mais de 100% ao ano e atua principalmente prestando serviços aos departamentos de treinamento e às “universidades” corporativas de médias e grandes empresas. Segundo ela, atualmente há mais de 250 universidades corporativas no Brasil.
Estes clientes normalmente precisam treinar seus funcionários em questões muito específicas, que requerem a ajuda dos pedagogos e funcionários de sua empresa na criação de cursos, materiais didáticos, livros interativos, etc.
Aqui resumo minhas perguntas e suas respostas:
1) Muito do conteúdo que vocês desenvolvem hoje são adaptados para o ensino à distância (EAD). Como se decide que parte do curso vai para a parte presencial e qual parte vai para a parte online do curso?
Segundo a Helena, temos que analisar todos os pedaços do conteúdo e ver o que deveria ser feito presencialmente ou a distância. Isso vai depender de onde estão os alunos e de como é o dia-a-dia deles no ambiente de trabalho. É muito diferente preparar um conteúdo para pessoas que passam seu tempo viajando ou para pessoas que estão trabalhando sempre na mesma cidade.
Depois que chegamos a uma conclusão clara sobre as partes presenciais ou a distância do curso, devemos responder às seguintes perguntas: Como deveríamos trabalhar este conteúdo para que ele seja atrativo e estimulante a distância? Quais mídias seriam melhores para transmitir este conhecimento a distância: vídeo, jogo, podcast ou outra(s)?
2) Quais são os principais desafios do setor atualmente?
As mudanças rápidas e constantes nas tecnologias atreladas à educação. Estar atualizado se torna um grande desafio, ainda maior para as empresas.
Outros desafios específicos do Brasil são as legislações sobre direitos autorais e tributação. Por conta disso, ainda é muito difícil publicar livros interativos ou produtos com conteúdo multimídia no Brasil.
Ela lembra que o ITunes-U, por exemplo, ainda não conseguiu superar as barreiras burocráticas brasileiras para publicar um grande conteúdo de livros e classes em português.
3) E para o futuro? O que deve vir pela frente?
A Helena acredita que a área de entretenimento ainda pode contribuir muito para a área de educação. Estamos apenas começando a explorar o potencial da combinação entre entretenimento e educação no mundo.
No futuro, haverá jogos, simuladores, filmes e músicas educacionais incrivelmente bem produzidos, com resultados muito positivos sobre a educação das crianças, dos jovens e dos adultos.
Nesta hora me lembrei de uma empresa que conheci aqui em Madri que ensina e treina pessoas através de ensaios de peças teatrais. É muito interessante pedagogicamente, embora seja pouco transladável ao ensino a distância.
Esse setor é demais!
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Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
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Há luz no fim do túnel da educação brasileira?
Para responder a esta pergunta, se eu tivesse como base apenas a classe política brasileira, diria que não. Nossos políticos-bandidos de sempre seguem todos soltos por aí, impunes, aproveitando que estamos distraídos com esse milagre econômico temporário para roubar como “nunca antes na história deste País”, tranquilamente…
Mas felizmente o Brasil não é feito apenas dessa gente. Tem muita gente trabalhando, e muito, em todos os setores, para melhorar nosso desenvolvimento, como pessoas e como “passageiros” privilegiados desse planetinha que gira perdido pelo universo.
E no ramo da educação não é diferente. Frequentemente conheço gente incrível, de todos os tipos e origens, dedicada a inovar e a transmitir distintas formas de conhecimento que vão melhorar as pessoas e o convívio entre elas.
Decidi assim, iniciar uma série de entrevistas curtas a algumas destas pessoas, ao longo do caminho desse blog. Algo meio mensal, mas sem compromisso.
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Pois bem, a primeira entrevista desta série* foi feita por Skype, numa conexão Madri – São Paulo com a Ana Gabriela Pessoa, fundadora da Ezlearn (leia-se “easy learn”), na semana passada:
Como se interessou por educação? Quando muito jovem, a Ana Gabriela estudou Desenvolvimento Econômico na Universidade da Pensilvânia. Depois, foi trabalhar na ONU e durante um projeto na África percebeu que o desenvolvimento socioeconômico dependia muito da educação. Depois passou pela Estácio de Sá e pelo SENAC.
Como surgiu a empresa? Depois de assumir sua paixão pela educação, a Ana Gabriela foi fazer um mestrado em Políticas Educacionais na Harvard School of Education em 2007. Lá, percebeu que usando tecnologia poderia levar educação de qualidade a muito mais gente que usando formatos tradicionais. Assim, começou o plano da empresa, que nasceu no Brasil com seu primeiro produto – Meu Inglês – em 2009.
Comentei sobre essa febre da educação online gratuita e perguntei-lhe: Onde isso vai parar? Você tem um palpite para os leitores do Estadão? Segundo a Ana Gabriela, está tudo se desenvolvendo muito rápido nos últimos meses, mas ninguém achou ainda um modelo de negócios comprovadamente bom. Ou seja, ninguém encontrou “a fórmula do sucesso” em educação online. Tem muita gente colocando muito dinheiro em projetos educacionais, mas sem saber se darão retorno.
Dá pra “tropicalizar” essa febre? Já podemos começar a criar empresas de educação online como os americanos e os europeus estão fazendo? A Ana Gabriela acha que o ambiente para o empreendedor da educação no Brasil ainda é incipiente, completamente diferente do ambiente nos mercados desenvolvidos. No Brasil, em geral, as pessoas ainda desconfiam muito de um curso online. Por mais incrível que possa parecer, as pessoas ainda preferem pagar mais para ver um professor regular ensinar presencialmente do que pagar menos para ver um professor “maravilhoso” online.
Porque existe esse medo? Porque o brasileiro é muito apegado à educação tradicional. O brasileiro ainda é muito inseguro e prefere ser guiado pelo professor. A educação aqui é muito paternalista. Existem muito poucos autodidatas na nossa sociedade.
Porque a Ezlearn começou pelo inglês? Porque o inglês representa um assunto que afeta a todos. É uma necessidade muito transversal, que vai do rico ao pobre, de norte a sul. O inglês é uma porta de entrada importante para novos conhecimentos e para o acesso a melhores oportunidades de trabalho.
A empresa visa lucro ou tem uma finalidade social? Quem compra os cursos? A empresa tem sim objetivos de lucro e atua no mercado consumidor final. Normalmente, os alunos são pessoas que não têm tempo nem dinheiro para ir a uma escola de inglês distante. Hoje, o público está composto por homens e mulheres de 18 a 35 anos, formado por uma maioria de mulheres. As mulheres estão se atrevendo mais.
Como professor, pesquiso empreendimentos em países emergentes. Sei que empresas jovens sempre acabam adaptando seus objetivos? Vocês mudaram seus objetivos iniciais? Segundo a Ana Gabriela, a empresa mudou bastante seu foco inicial, desenvolvendo-se junto com o próprio mercado. Hoje, estão se tornando especialistas em produzir conteúdo multicanal, ou seja, cursos que podem ser acompanhados ao mesmo tempo desde computadores, tablets, telefones e etc. Também estão usando muito as técnicas de gamification (conteúdos lúdicos para estimular e motivar a aprendizagem), algo que está começando a ganhar força no Brasil, depois de vários usos de sucesso no exterior.
* Se você conhece algum caso bacana ou quer ser entrevistado, por favor, entre em contato comigo pelo e-mail newton ponto campos arroba ie ponto edu. Por favor, antes de entrar em contato, leia o blog e comprove que o caso se encaixa no estilo editorial do mesmo.
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