Nesta terceira parte deste prático e útil artigo de James Byers e Adam Frey (fundadores do Wikispaces), eles explicam o que não é ter sucesso com uma startup de educação e quais são as características mínimas necessárias para alcançar este sucesso. Novamente, deixo o link para o artigo original ao final do texto.
PARTE 3
Como vencer no setor de Tecnologia aplicada à Educação
(How to Succeed in Ed-Tech, por James Frey e Adam Byers, Nov 2012)
Ter sucesso não é…
Nossa definição exclui, intencionalmente, alguns itens que são por vezes confundidos com sucesso:
• Captação de recursos. Não confunda levantar dinheiro com sucesso. É um meio para um fim. Às vezes ele ajuda o seu negócio, muitas vezes isso não acontece. O capital de risco (Venture Capital, em inglês) em particular pode consumir um tempo valioso que poderia estar sendo usado para construir seu negócio. Além disso, costuma exigir taxas extraordinárias de crescimento de receita e de número de usuários, e pode transferir o controle da empresa para fora das mãos de seus fundadores.
Considere cuidadosamente se estes compromissos se encaixam em seu estilo, sua empresa e seu mercado. E independentemente da escolha que você fizer, não confunda captação de recursos com o objetivo que você se propôs a alcançar.
• Retornos financeiros extraordinários. Buscar riqueza, particularmente através de uma aquisição de sua startup, pode trazer um grande resultado pessoal. Mas a menos que o seu produto e seus benefícios para alunos, professores e instituições sobrevivam no longo prazo, acreditamos que existem indústrias melhores para você tentar construir uma grande riqueza desta forma.
• Fama. Depois de receber alguns abraços não solicitados de professores que você nunca encontrou antes, você terá toda a fama que necessita.
• Inovação tecnológica se esquecendo do benefício ao cliente. Construir novos produtos e propostas baseados em novas tecnologias é muito gratificante – principalmente para engenheiros – no curto prazo. No longo prazo, acreditamos que os produtos mais inovadores irão equilibrar novidade e simplicidade, e sempre estarão baseados num profundo entendimento do cliente.
Características
Tendo definido o que significa sucesso para nós, quais são portanto as qualidades necessárias para alcançar este sucesso?
Paixão
Você deve possuir uma paixão ardente em atender o mercado educacional e a determinação de dedicar uma década ou mais de sua vida a sua startup.
Paixão e determinação são pré-requisitos para a construção de qualquer empresa a partir do zero. Mas o mercado de educação, educação primária em especial, tem um conjunto de desafios únicos que o tornam um ambiente difícil para o crescimento de uma empresa de sucesso. Eles incluem:
• Ciclos orçamentais longos e incertos
• Burocracia nos departamentos de compras
• Fontes de financiamento externas limitadas
• Pressões políticas micros e macros
• Falta de conhecedores atualizados em tecnologia
• Falta de recursos para implantações de tecnologia em grande escala
• Resistência à mudança, especialmente quando experimentaram promessas similares anteriormente
• Um nível sem precedentes de competição por atenção no espaço tecnologia para a educação
Estas pressões significam que pode levar anos para obter um crescimento espetacular do tipo que acontece, às vezes, na Internet para consumidores. Por outro lado, uma vez que você construa um relacionamento forte com seus clientes neste mercado, nossa experiência é que seu entusiasmo e sua lealdade podem resultar em um crescimento verdadeiramente extraordinário.
Se você acordar todas as manhãs com uma paixão em servir alunos e professores, você está diante de um grande começo. Melhor ainda se você sabe que, no fundo de seu coração, você ainda terá esta paixão nos próximos anos. Realmente, não existem viradas rápidas (adoções rápidas de tecnologia) na indústria de tecnologias para a educação. Se sua paixão é passageira, você nunca chegará ao ponto de inflexão onde você percebe que sua pequena empresa poderá ter um grande impacto no mercado.
Modelo de Negócio
Comece a cobrar seus clientes no primeiro dia.
Não há nada mais tentador no setor de educação do que tentar entregar um produto que pode ser consumido por todos gratuitamente. “Grátis” é sem dúvida uma ferramenta de marketing maravilhosa para ter seu produto nas mãos de tantos alunos e professores quanto possível. No entanto, para uma empresa para sobreviver, alguém tem que arcar com as contas. Das muitas opções criativas disponíveis, acreditamos que a melhor fonte de receitas para uma empresa de educação é cobrar seus clientes diretamente pelos serviços que serão utilizados. Estabeleça preços justos e transparentes e alinhe claramente seus interesses empresariais com os interesses de seus clientes como educadores. A melhor prova de seu valor ocorre quando seus clientes lhe contatam para perguntar aonde devem depositar seu pagamento.
Serviços de grande escala para Internet custam muito dinheiro para operar, tanto para pagar servidores e banda larga, como também para pagar desenvolvedores visionários, designers e engenheiros de sistemas que devem manter os serviços evoluindo com o ritmo constante da mudança de tecnologia. Muitos destes serviços são gratuitos para o usuário final, mas geram dinheiro, em alguns casos muito dinheiro, de maneiras não tão óbvias.
Empresas de educação devem ser transparentes sobre os seus interesses e que estes interesses sejam fortemente alinhados com os dos alunos, dos professores e das instituições. Em termos simples, isto significa que você, como uma startup, deve saber quem são seus clientes, e seus clientes devem saber pelo que estão pagando. Acreditamos em um modelo onde os seus clientes pagam pela experiência de um ótimo produto, pela construção e manutenção dos serviços, pelo pessoal de apoio para atender ao telefone quando eles chamam, pelos servidores e banda larga e pela estabilidade de uma empresa que irá atendê-los agora e no futuro. E se você servir uma parte de seus clientes de forma gratuita, eles precisam saber que não fazem parte de um plano enganoso para torná-los pagantes com o tempo, mas que seu uso gratuito acaba por contribuir para o sucesso de sua empresa.
Um contra-argumento que temos ouvido muito ultimamente é o seguinte: ofereça o seu serviço totalmente gratuito, faça-o em escala massiva (digamos, cem milhões de usuários) e só então descubra como ganhar dinheiro. Este é um cenário para empresas como Facebook e Twitter. Para estas duas empresas e muitas como elas, a solução mais comum para o “descubra mais tarde como ganhar dinheiro” é a publicidade. Este fluxo de receitas funciona numa escala massiva na Internet para o consumidor, mas por razões muito numerosas para listar aqui, é totalmente inapropriado para a educação.
Outra maneira de fazer dinheiro é agregar milhões de estudantes, professores, funcionários e pais e vender acesso a eles – ou dados sobre eles – para provedores de conteúdo, desenvolvedores de aplicativos, “marketeiros” especializados em educação, e terceiros. Somos cautelosos com relação a este caminho. Como estamos vendo hoje no ecossistema do Twitter, os interesses de sua empresa, os interesses de seus clientes, e os interesses de terceiros em seu ecossistema podem entrar em conflito. Quando você precisa para aumentar receita nestas circunstâncias, a tentação é a de oferecer mais e mais dados sobre o seu público para as pessoas que vão pagar por isso, ao invés de focar em atender seus usuários. Nós acreditamos que essa tensão – e qualquer tensão que te afaste de um vínculo direto com as necessidades dos alunos e professores – coloca tudo em risco.
Seja direto: cobre de seus clientes. Precifique seus produtos de forma transparente e justa. Mostre aos seus clientes que você serve exclusivamente aos interesses deles, proporcionando-lhes o melhor produto que você possa realizar, apoiado por pessoas reais.
Link para o artigo original completo (em inglês): https://www.edsurge.com/n/how-to-succeed-in-ed-tech
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Recebi há pouco esta informação de uma amiga e divulgo aqui para os leitores do blog.
Trata-se de uma breve nota para divulgar o fellowship Patricia Koldyke em Empreendedorismo Educacional promovido pelo Conselho para Assuntos Globais de Chicago (Chicago Council on Global Affairs). O fellowship é voltado para empreendedores(as) educacionais brasileiros, de 30 a 45 anos de idade.
Traduzo aqui um trecho da nota de divulgação (os trechos em destaque são meus):
“Para o fellowship Patricia Koldyke de 2013, vamos reconhecer um líder emergente que esteja fazendo uma contribuição única para a educação ou treinamento de habilidades pessoais e profissionais no Brasil. Esta pessoa receberá um reconhecimento honorário de 12.500 dólares além de transporte, acomodação e alimentação durante uma semana de estadia em Chicago. O prazo para apresentação de candidaturas é 15 de maio de 2013.
A educação e o treinamento de habilidades pessoais e profissionais são fundamentais para o sucesso na era da globalização. Por este motivo, o Conselho de Chicago procura líderes emergentes entre idades de 30 e 45 anos que estão demonstrando um compromisso com a melhoria da sua sociedade através do empreendedorismo educacional, o que pode incluir o treinamento de habilidades profissionais e liderança desenvolvimento para a juventude. A bolsa está aberta a todos os envolvidos em empreendimentos educacionais, incluindo mas não limitado a escolas, agências de fomento, instituições culturais, organizações sem fins lucrativos, agências governamentais e empresas privadas. O trabalho de uma pessoa agraciada com o fellowship Patricia Koldyke deve impactar pessoas que estão além de sua comunidade local e oferecer um modelo que pode ser replicado.”
Segue o link para nominações (em inglês): Fellowship Patricia Koldyke em Empreendedorismo Educacional.
Vídeo sobre o Conselho de Chicago:
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Nesta segunda parte do fantástico artigo de James Byers e Adam Frey (fundadores do Wikispaces), eles advogam que o sucesso por trás das startups de tecnologia para a educação estará na clareza dos objetivos da jovem empresa e no apoio ao fortalecimento do papel do professor e das instituições de ensino no processo educativo. Novamente, deixo o link para o artigo original ao final do texto.
PARTE 2
Como vencer no setor de Tecnologia aplicada à Educação
(How to Succeed in Ed-Tech, por James Frey e Adam Byers, Nov 2012)
Deixemos nossa definição [de sucesso] de lado e destaquemos porque posicionamos a questão da sustentabilidade em primeiro lugar e procuramos beneficiar não apenas os estudantes, mas os professores e as instituições também.
Sustentabilidade
Quando uma empresa do setor de tecnologia para a educação é descontinuada, isso gera um grande problema. O impacto sobre os alunos, professores e administradores é muito maior do que em serviços semelhantes fora do setor da educação. O dinheiro para substituição de tecnologia está amarrado a um processo orçamentário anual. Funções de suporte tecnológico – já escassos em recursos humanos – devem conciliar esta emergência às responsabilidades existentes. Professores e administradores simplesmente não têm horas extras durante o ano letivo para treinamento em tecnologia. Os alunos precisam começar de novo com novos materiais e um produto novo para aprender.
Acreditamos que as startups de tecnologia para a educação têm um dever maior – o dever moral – para com os seus alunos, professores e administradores. Este dever não deve obrigar as startups a seguirem um caminho conservador. Em vez disso, os líderes destas startups devem imprimir em suas culturas a coragem de equilibrar risco e visão de longo prazo em suas missões.
Eles devem criar produtos que sobreviverão ao longo do tempo. Devem construir empresas que estarão por perto para apoiar estudantes e educadores após a próxima moda, após a próxima onda de mudanças tecnológicas, a próxima crise econômica. E moderar suas expectativas com uma boa dose de paciência. Empresas que são construídas para se sustentar estarão próximas do mercado por tempo suficiente para encontrar o sucesso.
Sirva aos estudantes
Ajudar aos alunos deve estar no coração de qualquer startup de educação de sucesso. Este será o seu maior desafio. Alcançar um grande número de alunos é difícil, ajudá-los de uma forma mensurável é mais difícil, e provar que foi você quem o fez é mais difícil ainda.
As conexões diretas entre o seu produto e os dados dos estudantes são tremendamente valiosas, tanto como são as pesquisas de qualidade; e mesmo o feedback indireto e as evidências informais são parte da solução. Independentemente da abordagem que você tome, qualquer prova verdadeiramente significativa de aprendizado leva tempo para se desenvolver. Uma discussão completa deste assunto está bem além do âmbito deste artigo. Para as pequenas empresas, o melhor conselho é manter o foco. Reduza o escopo de seu produto e simplifique o seu posicionamento até que você possa argumentar claramente sobre como a adoção do seu produto leva a melhores resultados de aprendizagem. Construir este argumento vai levar tempo, iteração (repetição), mente aberta, e aliados ao seu lado que saberão identificar quando você alcançou este objetivo: os professores.
Sirva aos professores
Os professores são o eixo central do processo educacional e chave para as startups de tecnologia para a educação em três aspectos importantes:
• Eles são os grandes facilitadores da adoção da tecnologia por parte dos estudantes. Professores decidem quais produtos e plataformas usar em suas salas de aula.
• Eles sabem melhor do que ninguém como ajudar os alunos a terem sucesso. Os professores vão lhe mostrar como construir um produto melhor, mas só se você respeitar o tempo deles e o fato de que todos os alunos, professores e escolas são diferentes. Um grande produto que requeira 25 horas ao dia não será usado. Um grande produto que requeira uma pedagogia muito específica não alcançará adoção em quantidade suficiente. Quando você fortalece os professores ao usarem sua tecnologia de forma eficaz, você amplia o impacto que eles podem ter sobre os alunos.
• Os professores exercem uma influência grande e crescente sobre as decisões de tecnologia de suas instituições. O impacto deste ponto final sobre as startups de tecnologia para a educação não pode ser desproporcionado.
Sirva às instituições
A visão popular dos últimos debates sobre as startups de tecnologia para a educação é a de atender aos alunos diretamente e deixar as instituições ou escolas de lado. Tomamos o ponto de vista oposto: abraçamos às instituições.
Não pretendemos sugerir que não há lugar para servir aos alunos diretamente ou que as instituições não precisem mudar radicalmente. Estamos entusiasmados por ambos os movimentos e com a promessa de mais acessos abertos ao conhecimento. Mas estamos conscientes de que a grande maioria dos estudantes em tempo integral nos EUA e ao redor do mundo são – e serão num futuro próximo – ensinados por professores de instituições de ensino tradicionais. Escolas estaduais, escolas municipais, programas regionais de educação, pequenas faculdades, grandes universidades.
Apesar da visão predominante de que servir instituições represente a morte das jovens startups de tecnologia para a educação, instituições de ensino estão passando por mudanças sem precedentes e ainda controlam orçamentos agregados de tecnologia na ordem de dezenas de bilhões de dólares. Em qualquer outra indústria isso seria visto como uma grande oportunidade. Nós não vemos nenhuma razão para que o mercado de ensino pense diferente.
As escolas perderam seu apetite em receber cold calls, lidar com longos ciclos de vendas, enormes contratos de software, implementações tortuosas e projetos carregados de riscos de longo prazo. Sem exemplos de adoção pela base do sistema, os vendedores não podem mostrar a única coisa que estas instituições mais anseiam: demonstrações de sucesso embaixo do seus próprios telhados.
Enquanto citações de clientes, artigos e analistas de pesquisas podem afirmar que um produto terá sucesso, os professores que já usam o produto em suas salas de aula são a prova real. O de-baixo-pra-cima substituiu o de-cima-pra-baixo. Nós estamos vendo mais e mais líderes de instituições grandes e pequenas influenciados por histórias de produtos que funcionam hoje com seus próprios alunos e professores. Os produtos de sucesso das startups de tecnologia para a educação vão traçar uma linha clara entre a adoção do produto e a melhora dos resultados dos alunos *e* fortalecer os professores para terem sucesso com o produto antes de sua adoção por suas instituições. Estabeleça-se nas salas de aula, bibliotecas e auditórios antes de levar o seu produto aos administradores.
Alcançar as instituições através de professores influentes é apenas o primeiro passo. Seu cliente institucional só vai ficar com você se você habilitá-los a servir sua população inteira de alunos e professores de forma eficaz e eficiente. Verifique se o seu produto e equipe estão prontos para ajudá-los na transição, dos early adopters (pioneiros) a todos os demais. Sente-se uma sensação incrível quando uma instituição abraça seu produto fundamentando-se no sucesso da base. Nós acreditamos que este seja também o alicerce ideal para muitas das startups de tecnologia para a educação que estão por vir.
Link para o artigo original completo (em inglês): https://www.edsurge.com/n/how-to-succeed-in-ed-tech
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Para pensar: MOOCS = BOOKS?
Gostei. Esta é uma crítica rápida e fácil que se tem feito aqui na Europa aos MOOCs (Massive Open Online Courses) ultimamente: compará-los aos BOOKS (livros).
Ora, realmente, qualquer cidadão pode entrar numa biblioteca, ler as maiores obras da humanidade e tornar-se superinteligente, não?
Portanto, qual a diferença entre ler livros e assistir passivamente a vídeos de conteúdo educativo pela internet?
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Equivocadamente, as startups de educação tendem a concentrar todos os seus esforços nos alunos e esquecem-se de enfocar nos professores e nas escolas já existentes.
Prólogo
Devo confessar aos leitores deste espaço que venho pensando em iniciar ou pelo menos colaborar mais ativamente com uma ou mais iniciativas empreendedoras no setor de educação. Normal, não? O momento é muito propício.
Como fã incondicional do setor, professor de empreendedorismo e diretor de e-learning de uma boa universidade europeia, tenho tido o privilegio de testemunhar, quase semanalmente, a criação de tentativas de inovar no setor, algo que vem ocorrendo simultaneamente em países de todo o mundo.
Venho compartilhando algumas destas iniciativas com os leitores deste blog, pois acredito muito na adaptação de alguns modelos de êxito às regiões do mundo de fala portuguesa.
Desta vez, portanto, tomei a liberdade de traduzir e resumir um artigo com o qual me identifico bastante e sempre releio para poder orientar meus alunos iniciando empresas no setor.
O artigo tem apenas 12 páginas e foi escrito pelos fundadores do Wikispaces.com, James Frey e Adam Byers, sendo publicado recentemente, ao final de 2012. Semana passada obtive a autorização deles para realizar esta tradução não-oficial de seu texto.
Publicarei esta tradução aqui, em 3 partes e o texto original, em inglês, estará disponível em link ao final do texto:
Parte 1: Introdução, Nossa Crença e Definindo Sucesso.
Parte 2: Sustentabilidade, Servir aos Alunos, Servir aos Professores e Servir às Organizações
Parte 3: Sucesso não é…, Paixão e Modelo de Negócio.
Parte 4: Marketing, Conexão e Valor.
PARTE 1
Como vencer no setor de Tecnologia aplicada à Educação
(How to Succeed in Ed-Tech, por James Frey e Adam Byers, Nov 2012)
Introdução
A maioria das atuais startups de tecnologia para a educação está condenada ao fracasso. “Como assim?!?” você pode pensar, “as startups de educação estão surgindo por todos os lados, todos os dias, trazendo inovação de verdade a um mercado tradicionalmente lento mas de vital importância… Estas empresas estão ganhando força, recebendo investimentos! “
É verdade. No entanto, elas ainda estão condenadas ao fracasso. Embora qualquer empresa jovem enfrente este risco, a maioria das startups de educação da atualidade fracassarão:
• porque estão perseguindo uma oportunidade momentânea, sem possuir uma paixão verdadeira e comprometida pela educação;
• porque não têm um modelo de negócio que funcione com educação e têm receio de cobrar seus clientes;
• porque seus investidores têm expectativas de angariar consumidores tradicionais da Internet num mercado com dinâmicas completamente diferentes;
• porque é mais fácil construir novas tecnologias do que se envolver profundamente com alunos e professores para entender suas necessidades fundamentais.
Essa é a má notícia. A boa notícia é que alguns destes empreendedores serão incrivelmente bem sucedidos. Eles mudarão a face da educação. Mas não achamos que eles se parecerão muito aos seus colegas bem sucedidos no mundo dos consumidores clássicos de Internet.
Nossa Crença
Obviamente, você sempre poderá ter sucesso com apoio da sorte. Isso foi o que nos aconteceu no Wikispaces.com. Nós não começamos uma empresa de educação, mas através de uma combinação de bom momento e sorte, uma quantidade enorme de professores, estudantes, bibliotecários e técnicos educacionais começou a chegar ao nosso ambiente virtual em 2005. Nós os recebemos, os ouvimos atentamente, e adaptamos nosso produto e empresa para atender suas necessidades. Hoje estamos felizes em possuir mais de 13 milhões de usuários registrados e mais de 35 milhões de visitantes mensais.
Ao longo do caminho formamos uma opinião forte sobre o que sucesso significava para nós, e fizemos uma lista de características que acreditamos serem cruciais para o sucesso de empresas de tecnologia aplicada à educação. Estamos compartilhando o que aprendemos, porque a oportunidade de melhorar a educação através da tecnologia é enorme, grande o suficiente para multiplicar em muitas vezes o número atual de empresas no setor. Tomadas em combinação, essas características são contrárias a grande parte do que se pensa no Vale do Silício sobre este mercado. Esperamos que estas jovens startups, que hoje atuam no setor de Educação, considerem este caminho alternativo.
Algumas palavras de advertência. O universo da educação é enorme. Nós não acreditamos que seja produtivo debater sobre temas tão amplos como fat startup versus lean startup, startup com ânimo de lucro versus startup social ou mercado versus governo sem um contexto apropriado. Nossa perspectiva vem de nossa experiência na construção de uma tecnologia como serviço para um público de educação composto por cerca de dois terços educação primária, um terço ensino superior e cerca de dois terços nos Estados Unidos. Quanto mais distantes sejam seus produtos e seus mercados deste aqui descrito, menos aplicáveis estas características serão para você.
Definindo o sucesso
Nós definimos o sucesso no setor de tecnologia aplicada à educação como a construção de uma organização sustentável que melhora os resultados dos alunos, capacita professores, e aumenta o alcance e a eficiência das instituições de ensino.
Esta é a nossa definição, e é pessoal. Você pode ter uma definição muito diferente do que sucesso significa para você. Por exemplo, muitas startups recentes e notáveis tentam chegar a alunos de todas as idades diretamente, sem qualquer envolvimento institucional.
Link para o artigo original completo (em inglês): https://www.edsurge.com/n/how-to-succeed-in-ed-tech
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Como absorvemos e perdemos conhecimento ao longo do tempo? E como este conhecimento é transferido entre grupos de pessoas durante seu desenvolvimento profissional?
A educação informal ganha cada vez mais protagonismo num mundo em crescente integração social. E quem diria… o capitalismo tem sido o grande responsável por essa integração a nível global.
A tal globalização, que eu prefiro identificar como “a grande transformação” (consultar conceito aqui), está promovendo o nascimento de inúmeras iniciativas públicas e empresariais voltadas ao ensino e à capacitação profissional em grande escala.
A origem dessa onda educacional está na crescente procura por todos os tipos de organizações humanas em serem mais inovadoras e mais eficientes. Empresas e órgãos públicos estão preocupados em saber mais sobre formas de transferir conhecimento e a educação como um todo será indiretamente e positivamente impactada pela melhora desta capacidade humana.
A concorrência empresarial, essa verdadeira guerra do século XXI, travada cada vez mais nos mercados e nos bastidores da política e cada vez menos nos tradicionais e sangrentos campos de batalha está fazendo boa parte do mundo repensar o processo de transferência de conhecimento.
Socialistas, nacionalistas e religiosos, bem intencionados ou não, levaram décadas querendo salvar o povo através de uma emancipação intelectual ou conscientização coletiva inalcançável.
Infelizmente, essa emancipação e essa conscientização foram e continuam sendo inalcançáveis, não apenas pelo grande desafio político e ideológico encontrado nos programas e nas infraestruturas educacionais existentes, mas principalmente pelo desafio técnico em fazê-lo.
Mas diferentemente do que poderíamos esperar, penso que ainda não será a educação formal a grande beneficiada por este crescente movimento. Nos últimos anos, tive o prazer de encontrar o Prof. Charles Jennings em eventos relacionados à transmissão de conhecimento e à educação a distancia.
Hoje quero compartilhar com vocês um conceito defendido por ele já há alguns anos. O conceito não foi criado por ele e tampouco foi fruto de rigorosas pesquisas acadêmicas (ainda), sendo por enquanto apenas o fruto da observação prática durante o treinamento profissional de pessoas em diversas organizações de todo o mundo. Chama-se Aprendizado 70:20:10.
O Aprendizado 70:20:10 baseia-se na ideia de que 70% do que as pessoas aprendem a fazer bem em suas vidas profissionais, advém do que elas aprendem durante a execução prática de uma ou mais tarefas, 20% advém de conversas com outras pessoas no ambiente de trabalho e apenas 10% advém do aprendizado formal, ou seja, em salas de aula e cursos formais sobre assuntos relacionados ao trabalho ou às tarefas a serem realizadas. O principal problema com o aprendizado formal é que o esquecemos facilmente.
Atualmente, este conceito tem sido usado por diversas organizações visando aumentar a velocidade na qual seus funcionários aprendem a realizar novas tarefas.
Parece ser que este poder, o da transmissão informal de conhecimento, está combinando muito bem com a magnitude do alcance das novas tecnologias de comunicação, indicando um próspero futuro para a nossa capacidade de resolver diversos tipos de problemas que hoje afligem nossa espécie e nosso planeta.
O vídeo abaixo, em inglês, explica melhor o conceito:
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Escolas na nuvem?
Hoje vamos começar com uma pequena pesquisa (favor clicar no link abaixo e responder na página que se abre):
Você acha útil ter acesso à informação sem saber para o que ela serve?
Frequentemente, me vejo debatendo com meus alunos, amigos e leitores deste blog sobre a diferença entre informação e conhecimento. Vivendo cada vez mais numa “sociedade da informação”, acho que este debate deveria ser muito mais abordado do que tem sido pela sociedade em geral.
Desde os anos 1990, o Prof. Sugata Mitra vem nos apresentando o resultado de pesquisas que ele tem realizado na Índia sobre o aprendizado infantil através do uso de tecnologias. Seu controvertido lema é: “um professor que possa ser substituído por uma máquina, deve sê-lo.” (a teacher that can be replaced by a machine, should be.).
Há algumas semanas, ele apresentou seu novo conceito de “escola na nuvem” (school in the cloud, em inglês) no ciclo de conferências TED, na Califórnia (veja o vídeo mais abaixo).
Ele ficou conhecido por uma série de experimentos que realiza há anos com crianças em favelas e zonas rurais da Índia. Ele deixa um computador, embutido numa parede, num idioma que elas mal conhecem e com um conteúdo bastante desconhecido por elas, para seu uso livre.

Depois de 2 meses usando sozinhas o computador, a primeira coisa que as crianças disseram ao Prof. Mitra foi: “Precisamos de um processador mais rápido e de um mouse melhor.” Fotografia: www.lrnteach.com
Invariavelmente, as crianças sempre começam a ensinar umas às outras sobre o que aprendem, tornando-se usuários a nível intermediário naquela ferramenta e em seus conteúdos.
Entre os diversos achados do Prof. Mitra nesta área, ele descobriu que:
a) quanto mais longe uma escola está de um centro urbano, pior ela se sai nos exames nacionais comparativos;
b) quanto mais longe uma escola está de um centro urbano, mais os professores gostariam de estar lecionando em centros urbanos;
c) o uso da tecnologia nos grandes centros urbanos melhoram em cerca de 3% a 5% a qualidade do aprendizado do aluno. Nas zonas rurais ou em favelas esta melhora chega a mais de 30%;
d) não há qualquer correlação entre níveis de pobreza ou níveis de acesso à eletricidade e o ritmo de aprendizado das crianças;
e) a curva de aprendizado das crianças, operando o computador sozinhas, é similar à curva de aprendizado de um curso em sala de aula sobre o mesmo assunto;
g) mesmo que o idioma do computador não seja o idioma das crianças, elas aprendem cerca de 200 palavras deste novo idioma para poder a usar a máquina e os programas ou jogos educativos.
Depois de tantos anos estudando este fenômeno, o Prof. Mitra tem conluído que crianças de 6 a 13 anos podem aprender e ensinar umas às outras a usar relativamente bem aparelhos similares aos computadores, sem qualquer ajuda de um adulto.
Além disso, ele defende que o acesso à informação tem um maior impacto na educação em zonas mais remotas da sociedade que em áreas urbanas, proporcionando uma significativa melhora no desenvolvimento de todo tipo de conhecimento humano.
Video do Prof. Sugata Mitra, TED Fev 2013:
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Eleita a “Startup do Ano” em 2012 pelo renomado site de tecnologia Techcrunch, o site de cursos online gratuitos Cousera anunciou ontem uma grande ampliação em sua oferta de programas online gratuitos de qualidade (estes cursos também são conhecidos pela sigla MOOC, em inglês). A novidade tem sido anunciada nos quatro cantos do mundo.
Satisfação em Madri: eu, minha equipe e os demais departamentos que trabalhamos com educação a distancia aqui em minha universidade estamos todos muito felizes. Nossa escola de negócios é a primeira da Europa a ser aceita na iniciativa. Não é pouca coisa. Os fundadores do Coursera escolhem seus sócios a dedo. Qualidade no ensino a distancia é um dos principais requisitos, bem como potencial de impacto social.
Agora são 62 das melhores universidades do mundo oferecendo algum curso de qualidade, online e gratuito. Ainda não sei o quão sustentável será esta iniciativa no longo prazo (pois ninguém paga pelos cursos e os custos técnicos e de mobilização de recursos são altos), mas a experiência não deixa de ser interessante e válida desde a perspectiva de responsabilidade social.
No nosso caso, esperamos ter pelo menos 50 mil alunos “matriculados” no primeiro curso oferecido. É possível que cheguemos a ter mais de 200 mil (!) em algum momento, dependendo do idioma de instrução, assunto do curso e da campanha de divulgação.
Para se ter uma ideia do volume do projeto, nossa universidade conta com cerca de 50 mil ex-alunos, acumulados em 40 anos de atividade. Ou seja, podemos chegar a ter, em apenas um curso, quatro vezes o número de alunos que tivemos em toda nossa história.
É verdade também que, em geral, apenas cerca de 10% a 15% dos alunos terminam este tipo de curso. Mesmo assim, estamos falando de algo entre 5 e 20 mil alunos por curso.
Infelizmente, ainda não há nenhum curso sendo oferecido em português mas não demorará muito para que alguma boa universidade brasileira entre no desafio.
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Nosso nazismo é outro. Como quase tudo mais no Brasil, nosso nazismo também é incompetente e amador, displicente e circense. Subjuga-nos pela malandragem e não pela imperialidade. Um nazismo tropical.
Em nossas câmaras de gás* morremos dançando e cantando, idiotizados ao tentar esquecer (ou ignorar) a realidade que nos é imposta diariamente pelos líderes medíocres, omissos ou corruptos que infestam nossas empresas e nossos órgãos públicos.
Meu pai sempre me disse: “não importa se o que você fez foi por incompetência, omissão ou desonestidade, alguém arcará com as consequências de qualquer forma”. Levei alguns anos para entender a frase: errar faz parte da vida, mas as consequências da mediocridade se igualam às consequências da omissão ou da bandidagem.
Ou seja, não temos alternativa, ou damos sempre o melhor de nós mesmos nas atividades em que nos envolvemos – e tentamos errar o mínimo possível – ou podemos provocar consequências nefastas, similares às de um ato de burrice, preguiça ou bandidagem.
Essa é a hora do assistente da banda virar homem e dizer: “acendi sim, e confesso que não imaginei as consequências desse ato.” (certamente ele não esperava matar ninguém).
Essa é a hora do dono da discoteca virar homem e dizer: “instalei sim o teto acústico inflamável por ser mais barato e confesso que não imaginei as consequências desse ato.” (certamente ele não esperava matar ninguém).
Essa é a hora do fiscal da prefeitura de Santa Maria virar homem e dizer: “fiscalizei mal sim ou aceitei (ou exigi) um suborno sim para fazer vista grossa e não imaginei as consequências desse ato.” (certamente ele não esperava matar ninguém).
Foi a consequência combinada de seus atos que, seja por incompetência, omissão ou desonestidade, asfixiou e matou centenas de pessoas. E todas estas pessoas mortas merecem esse respeito, um ato aparentemente simples de coragem e cidadania. Não merecem jamais as palavras vazias e as desculpas esfarrapadas que já começam a brotar nos laudos policiais.
Em nosso nazismo tropical, ao invés de marcharmos forçados, maltratados e subjugados às câmaras de gás, nós o fazemos voluntariamente, e em todo o país, a locais iguais ou piores do que a Kiss.
Nossas estradas são ruins, nossos hospitais são ruins, nossas universidades são ruins e até o ar que respiramos é ruim. Tudo está paradoxalmente mal desenhado, mal fiscalizado ou corrompido para nos matar em cada esquina, em cada hospital e em cada mordida. E aceitamos estas imposições.
Ora, se ladrões notórios como Renan Calheiros, Jader Barbalho e Paulo Maluf podem rir às nossas custas, protegidos por uma população idiotizada – que continua votando neles – e por sistemas políticos e judiciais putrefatos, porque não também o fiscal incompetente, omisso ou corrupto de uma prefeitura gaúcha?
Tenho certeza que esses profissionais incompetentes, omissos e corruptos, instalados em governos e empresas, e hoje impunemente surfando na onda do crescimento brasileiro, pensam que seus atos não têm efeito muito maior do que alguns bons dólares em seus bolsos e um monte de serviços e produtos mal entregues (sendo estes serviços e produtos públicos ou não).
Na realidade, bandidos como estes fazem escola, compondo uma espécie de partido nazista brasileiro, um partido não registrado e confortavelmente anárquico, protegido por uma cultura nacional de cordialidade submissa e festividade animalesca.
Matam-nos diariamente e aos poucos, não só pelos seus exemplos nada exemplares, mas principalmente pelo arraigo da mediocridade e da desonestidade implícitos e impostos em suas formas de viver e dominar.
Ainda no frescor da tragédia, já parece ser que ninguém vai assumir sua culpa ou parte de culpa no episódio. Todos os advogados irão explicar direitinho aos seus clientes como fazer para escapar desta com o uso de palavras inócuas.
Na verdade, apenas copiarão o mesmo modo de falar dos nossos líderes incompetentes, omissos e desonestos, hoje encontrados em todas as cidades, empresas e órgãos públicos do Brasil e da América Latrina, como ratos no esgoto. Ratos que existem em tal quantidade, que nem mesmo um Maracanã superfaturado lacrado seria suficiente para acolhê-los e asfixiá-los.
Espero apenas que nossos prefeitos, governadores e ministros honestos apoiem com mais veemência nossos fiscais públicos honestos, tendo a certeza de que a luta pela emancipação moral é coletiva e vale a pena. Salvará vidas.
E que apenas alguns destes jovens que hoje frequentam estas câmaras de gás pelo país afora se tornem políticos e empresários honestos e preparados, não só para evitar outras tragédias deste tipo, mas principalmente para evitar que sigamos sendo subjugados por este verdadeiro nazismo tropical por mais tantas décadas.
* É difícil fazer referência às câmaras de gás realmente usadas pelos nazistas da segunda guerra mundial, que chegavam a assassinar até 2,000 pessoas por uso (não por dia). Entretanto, se somarmos a quantidade de mortes causadas por políticos e empresários incompetentes, omissos ou desonestos que aceitamos seguir em nosso país, certamente poderemos calcular uma cifra diária de mortos bastante alta também.
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
Depois de quase um mês de muitas viagens (algumas profissionais e algumas de férias) volto ao nosso blog com a corda toda para 2013!
Queria começar este ano compartilhando com os leitores do Estadão o caso de um empreendimento emocionante na área de conteúdo educacional que tenho acompanhado de perto: A Macat. Em dezembro estive em Londres visitando o fundador e a sede desta jovem empresa, que leva cerca de 4 anos investindo num novo sistema de conteúdo educacional para universidades de todo o mundo. Começarão suas atividades este mês.
O projeto é apaixonante! O egípcio Salah Khalil (comigo na foto) teve a ideia, há mais ou menos 4 anos, de traduzir muitos dos principais livros do mundo para o idioma árabe: Freud, Einstein, Foucault, etc.
Para vocês terem uma ideia do tamanho do problema, atualmente, há mais livros traduzidos todos os anos do Inglês para o Espanhol do que toda a tradução existente do Inglês para o Árabe na história.
Ou seja, se você nasceu falando e lendo árabe, mesmo em pleno século 21, você tem acesso a pouquíssimas obras chaves do conhecimento humano à sua disposição. Ou você aprende um idioma ocidental ou não tem acesso aos conhecimentos cruciais gerados por gênios da humanidade.
Triste, não? Pois é, então o Salah fundou uma ONG para fazer estas traduções. Mas viu que seria muito difícil viver à custa de doações, não desistiu e foi superando os obstáculos que surgiram ao longo do caminho. Logo ele percebeu que, ao invés de traduzir os livros, ele poderia escrever resumos, desenvolvidos por experts nestas obras. Com isso, ainda evitaria problemas com copyright (direitos autorais).
O projeto foi ganhando novas formas e ele decidiu criar uma “fábrica de resumos e análises críticas”, em vídeo, texto e áudio, elaborados a partir de diversos pontos de vista sobre uma mesma obra literária. Mais do que isso, todos os experts envolvidos elaboram seus resumos em seu idioma nativo e a Macat trata de traduzir este conteúdo para mais de 20 idiomas.
Resultado: Em breve, universidades de todo o mundo começarão a assinar o serviço de resumos da Macat (pagando por este serviço), permitindo que ele não cobre nada pelo acesso ao sistema por parte das universidades localizadas em países árabes. Como tudo está sendo traduzido também para o árabe ele deve conseguir realizar seu sonho original nos próximos anos.
Impressionante, não? Um dos principais executivos mundiais da Apple esteve lá algumas semanas antes de mim e disse que a Macat tem tudo para ser tornar um grande fornecedor de conteúdo educacional a nivel mundial. Estão em conversações. Já veremos.
Consegui adicionar meu grãozinho de areia ao projeto, ajudando a traduzir o vídeo promocional da Macat ao português. Aqui vai o vídeo, abaixo. Parabéns Salah e boa sorte! Estamos todos precisando.
Macat – Portuguese language version from FilmsForWebsites.com on Vimeo.
***
Para mais info (em inglês):
Meu Twitter (education): @neweduca
Meu Twitter (emerging economies): @emergeconomies
Meu Facebook: https://www.facebook.com/newton.campos.phd
Minha Home Page: http://www.newtoncampos.com
2013
2012
Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.
Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.
Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastradoEm instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.
Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.