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Eurocopa: válvula de escape para os espanhóis em meio à crise

2 de julho de 2012 | 13h44

Karla Mendes

Uma injeção de ânimo. A conquista do título da Eurocopa pela Espanha ontem teve um significado bem maior que o êxito futebolístico em si. Foi uma verdadeira válvula de escape para os inúmeros problemas que os espanhóis têm vivenciado nos últimos tempos.

 

Madri foi “invadida” pelas cores da bandeira espanhola. Bandeiras, camisas e caras pintadas por toda parte. “Mais unidos podemos mais”, diziam bandeirolas erguidas por alguns torcedores. Palavras que podem ter um duplo sentido, ou seja, uma mensagem para animar a população em meio à crise.

 

Os principais jornais da capital espanhola trouxeram matérias ou artigos falando exatamente do poder dessa vitória sobre o estado de espírito da população. O El Mundo publicou um artigo dizendo que a seleção espanhola era “o espelho para o qual olhava toda a nação, que quer se parecer com ela”. E que “em tempo de decadência”, é “o único que funciona, o único catalisador de autoestimas”.

 

Outro artigo do mesmo jornal dizia que, na celebração do título da Eurocopa “nada atrapalhava a imensa alegria das pessoas” e que o futebol concedeu “um recreio e injetou, de novo, a ideia de que ser espanhol não constitui forçosamente um destino trágico”. O mesmo texto destacou que “uma nação com uma história e uma cultura esplendorosas não têm que consistir só em tristeza”.

 

Um terceiro artigo bem humorado, intitulado “Aqui não cabe a curva de risco”, evidenciava o “escândalo do jogo” e seus resultados, bem como a felicidade dos cidadãos espanhóis. E ironizava que “Merkel que se aguente, pois em uma felicidade como a de ontem à noite não cabe a curva de risco”.

 
Uma reportagem, por sua vez, com a chamada “Outra bofetada na Alemanha” mostra como os espanhóis lavaram a alma ao comemorar não só a vitória do campeonato, como também a derrota da Alemanha, que era favorita, nas semifinais.

 

O efeito positivo dos festejos futebolísticos para os espanhóis também foi tema de reportagens. No El Mundo, uma matéria destacava que especialistas consideram que “a alegria coletiva que provoca os êxitos da seleção nos torcedores ajuda a enfrentar situações como a atual crise”. A reportagem destacou que “de fato, para uma sociedade como a espanhola, abatida nos últimos tempos pela crise, a alegria coletiva que provocam os êxitos de seus esportistas pode ser um estímulo para a motivação e para a confiança em si mesma”.

 
Realidade

 

Nem tudo, porém, são flores. No mesmo dia da conquista de um título histórico, o ministro da Economia, Luis de Guindos, advertiu que a recessão econômica na Espanha se agrava, em um evento nos arredores de Madri. Na ocasião, Guindos adiantou que a economia do país ibérico no segundo trimestre registrou uma retração “ligeiramente superior” à do primeiro trimestre, quando a queda tinha sido de 0,3%.

 

Comentei com uma amiga que ia fazer um post ligando a Eurocopa à crise e ela me fez um relato do que ela ouviu ontem no metrô, voltando das comemorações da conquista do título, que se encaixa perfeitamente nesse contexto. No meio de tanto êxtase entre cânticos e gritos, um dos torcedores mais animados parou de repente e disse, com voz séria: “E amanhã, volta a crise. E o desemprego”.

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