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15 de Abril de 2010

 

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A crise na terra dos reis
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A crise na terra dos reis

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Sem crise para as joalherias em Santorini

16 de outubro de 2012 | 14h55

Karla Mendes

Crise é uma palavra que não existe para o mercado de joalherias em
Santorini, uma das mais lindas ilhas gregas, destino preferido pelos
casais no Mediterrâneo.

Fiquei impressionada com o número de lojas que encontrei nas minhas
andanças pela ilha. Uma ao lado da outra, as vitrines exibem luxuosas
joias e objetos de decoração com o requintado e tão almejado estilo
grego.

Não faço ideia dos preços, pois as valiosas peças exigem apenas
números. Ao apreciar as maravilhosas peças, cada uma mais encantadora
que a outra, os vendedores tentavam me convencer a escolher a que eu
quisesse, argumentando que não era caro como eu pensava.

Em uma delas, o dono estava na porta e, ao tentar me vender uma joia,
aproveitei para tirar a minha curiosidade em relação à concentração de
lojas desse segmento em Santorini e perguntei pela crise.

Qual não foi a minha surpresa quando ele disse que para esse setor não
há crise. “As pessoas que vêm aqui gastam mesmo, sem olhar o preço. Santorini é o destino número um para casais no Mediterrâneo e aqui é
onde as pessoas mais gastam. É também a ilha que recebe o maior número
de cruzeiros. Basta observar o número de navios atracados aqui”,
relatou.

Greve geral provoca caos em Atenas

26 de setembro de 2012 | 18h54

Karla Mendes

 

Depois do encanto da visão aérea espetacular da Grécia, ao desembarcar hoje em Atenas, me deparei, ainda no aeroporto, com a realidade crítica que vive o país em decorrência da crise econômica que se arrasta há algum tempo.

Eu tinha em mãos as instruções para chegar ao meu hotel usando o metrô a partir do aeroporto, mas quando fui pedir um mapa da cidade, o atendente me informou imediatamente que o metrô não estava funcionando em consequência da greve geral. Mas tinha um ônibus que ia até o centro da cidade.

Até chegar ao hotel, não sabia exatamente a razão dos protestos, mas já imaginava que era mais um reflexo da crise. E senti na pele, literalmente, ao descer na parada da praça Syntagma. Meus olhos arderam muito e comecei a tossir ao sentir um cheiro de gás
insuportável.

Havia um grande grupo de policiais ao redor da praça e todo o comércio estava fechado. As ruas tinham muitos cartazes de protesto e estavam cheias de lixo. Parei no primeiro hotel para me inteirar do que estava acontecendo, e o recepcionista me disse: “sempre a crise…”

Chegando ao meu hotel, conectei-me à internet e pude inteirar-me do que estava acontecendo: greve geral contra mais um plano de austeridade exigido pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para continuar ajudando o país.

Cheguei à capital grega às 16h daqui (10h do Brasil). Duas horas depois, voltei ao mesmo local para averiguar a situação e o cheiro do gás lacrimogênio continuava forte e os policias e a imprensa de plantão.

É, a minha chegada em Atenas justo no dia da primeira mobilização desde que foi instaurado um novo governo em junho promete. Certamente, terei muitas histórias interessantes da crise para contar para vocês durante a minha estadia aqui. Aguardem.

Espanha: resgate, sim; humilhação, não

11 de junho de 2012 | 14h48

Karla Mendes

A Espanha bem que resistiu. Mas o resgate foi inevitável. E o país ibérico receberá até 100 bilhões de euros para recapitalizar o sistema bancário, ou “la banca”, como falam por aqui, em uma reunião de emergência capitaneada sábado pelo ministro da Economia, Luis de Guindos.

 

A operação salva-vidas das instituições financeiras espanholas, contudo, não ocorrerá nos  mesmos moldes da executada na Grécia, Irlanda e Portugal onde foi implantada a chamada “troika”, nome dado à intervenção direta da Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) nesses países.

 

 No caso da Espanha, o resgate foi “tucanado”, como se costuma dizer no Brasil. Assim, a Espanha receberá o socorro bilionário, mas sem perder sua autonomia política, apesar de ter sido imposta a obrigação de fazer uma prestação de contas super detalhada à União Europeia de todas as reformas para redução de gastos implantados no governo do presidente Mariano Rajoy.

 
Foi feita uma manobra para que o capital de salvação dos bancos seja injetado nas instituições por meio de uma triangulação através do Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (Frob). Ocorrerá da seguinte forma: em vez de entrar o dinheiro direto para o governo ou para os bancos, os recursos serão depositados nesse fundo e depois serão repassados aos bancos.

 
Muitos especialistas consideraram acertada a alternativa adotada, pois será usado um mecanismo legítimo para socorrer aos bancos, sem que o país perca sua autonomia. E isso o país não queria de jeito nenhum. A razão principal? Orgulho. Isso mesmo.

 
Apesar de ser nítida a situação difícil que a Espanha tem atravessado de recessão econômica e índices de desemprego alarmantes, afetaria diretamente o brio dos espanhóis, que viveram muitos períodos de bonança e foram os conquistadores da América. Ouvi de um jornalista espanhol de peso que colocar a Espanha no mesmo patamar de países como a Grécia seria uma “grande humilhação”.

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