Crise de confiança dentro e fora da Espanha
12 de abril de 2012 | 15h21
Karla Mendes
A situação da Espanha não está nada boa. De um lado, a desconfiança dos investidores em relação ao país aumentou de maneira significativa nos útlimos dias e a curva de risco disparou, atingindo 433 pontos, número que só fica atrás do recorde histórico de 468 pontos registrados em novembro do ano passado, quando o Partido Popular (PP) ganhou as eleições, depois de nove anos do governo do Partido Socialista Espanhol (PSOE).
Ontem, o Ibex, que é o índice da Bolsa de Valores da Espanha, caiu quase 3%, reflexo da falta de confiança dos investidores nas contas das comunidades autônomas – que correspondem aos estados daqui e representam mais de 50% dos gastos públicos – e de que o presidente Mariano Rajoy conseguirá controlá-las com as inúmeras reformas que o governo quer emplacar a qualquer custo nas mais diversas áreas da administração pública.
De outro, a população se revolta contra o anúncio do aumento de 11% em média do transporte público (ônibus, metrô e trens metropolitanos) a partir de maio. É o maior reajuste desde que Esperanza Aguirre assumiu a presidência da Comunidade de Madri há quase uma década e apenas dois meses e meio depois de a própria Aguirre assegurar que as tarifas de transporte não subiriam este ano.
Curiosamente, Aguirre repetiu a afirmação ontem mesmo, e pouco depois veio o anúncio do reajuste das tarifas de transporte, que pesam muito no custo de vida do cidadão, como em qualquer país. Mas aqui, nesse momento difícil de crise, com mais de 5 milhões de desempregados e com os salários congelados ou em queda, a situação fica ainda mais complicada.
O maior impacto ocorrerá no bilhete para o aeroporto de Barajas, que dobrará dos atuais 2,50 euros para 5 euros. O bilhete de 10 viagens subirá de 9,30 euros para 12 euros, ou seja, 29% a mais. Na modalidade chamada de abono mensal, que permite ao cidadão fazer viagens ilimitadas de metrô e ônibus em Madri, o preço passará de 47,60 euros para 51,30 euros (cerca de 8% a mais).
A Metro Madrid, empresa pública que administra a rede de transportes de Madrid, sempre fez muita publicidade do preço do metrô da capital espanhola, que é o mais barato quando comparado com outras cidades, como Paris ou Berlim. Ao conversar com um amigo espanhol, porém, ele diz que essa comparação não é correta, pois em países como França ou Alemanha o transporte é mais caro, mas os salários também são mais altos. Assim, como a média salarial aqui é bem mais baixa, o custo do transporte acaba sendo bem mais alto para os espanhóis.
Esse meu amigo, por exemplo, disse que é muito difícil conseguir ganhar 1.200 euros (cerca de R$ 3 mil) por mês. E posso testemunhar que, pelo menos na área de jornalismo, os salários que se pagam aqui são mais baixos que os que se pagam em Brasília, por exemplo. Mas por outro lado, aqui se consegue viver com mais qualidade de vida com menos dinheiro.






