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Efeito devastador na imprensa espanhola

3 de fevereiro de 2012 | 16h32

Karla Mendes

Meu primeiro post direto de Madrid veio de onde eu menos esperava. Os meios de comunicação da Espanha, que sempre foram referência no mundo, estão passando por um momento delicadíssimo, reflexo da crise que assola o país. 
Demissões em massa e fechamento de empresas de tradição, infelizmente, estão se tornando lugar comum na capital espanhola, palco pioneiro do jornalismo. 
Na última quarta-feira, a Rádio Ser despediu 120 pessoas. E a expectativa é que a situação só piore daqui para a frente. Até o fim do mês, a previsão é que pelo menos mais dois jornais fechem as portas. Um deles é o Diario Público, fundado há cinco anos em Madrid.
A receita publicitária, que é o que sustenta a existência dos meios impressos, caiu a menos da metade. É um efeito dominó: com menos anúncios, os jornais ficam menores, pois só as vendas em banca não os sustentam. 
Há casos de jornais que têm papel para dois meses. É óbvio que em momentos de crise há queda de publicidade, mas não imaginei que já estivesse nessas proporções.
Soube que as redações estão trabalhando com metade do quadro de pessoal. Como consequência, os jornalistas estão tendo que procurar emprego nas mais diversas áreas.
O caso que mais me chamou a atenção é o de uma jornalista venezuelana que ficou desempregada depois que o canal de televisão onde trabalhava encerrou suas atividades. Sem conseguir ser realocada em Madrid, ela foi para a França para dar aula para crianças.
Muitos brasileiros que viviam na capital espanhola estão voltando para o país, pois se a situação está difícil para os espanhóis, está ainda pior para os estrangeiros.
O Grupo Prisa, ao qual pertence o El País, tem passado por um cenário difícil de dois anos para cá. O canal de TV CNN Plus, que fazia uma parceria com a CNN americana, foi fechado em dezembro de 2010. Além disso, o grupo também teve que vender o canal de TV Cadena Quatro, fundado em 1990, para sanear as finanças do grupo.
O cenário é tão alarmante que a crise dos meios de comunicação pode afetar até mesmo o Programa Balboa, o curso de aprimoramento para jornalistas que estou fazendo em Madrid. Há 10 anos, os 25 jornalistas selecionados têm a experiência de trabalhar em algum meio de comunicação espanhol.
Este ano, contudo, por causa da crise, o programa levantou a possibilidade de criar um jornal próprio devido às dificuldades de conseguir oportunidades na imprensa local. 
Para os meios de comunicação poderia até ser uma saída mais econômica ter os Balboas nas redações, pois trabalhamos como se fôsseos um jornalista nativo, mas sem ganhar nada além da bolsa do programa. O agravante, porém, é que a situação poderia seria insustentável para os jornalistas estrangeiros, que seriam vistos como “ladrões” de postos de trabalho dos espanhóis. 

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