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15 de Abril de 2010

 

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Crise provoca corte de pessoal e redução de salários em museus da Espanha

13 de março de 2012 | 15h52

Karla Mendes

 

Nem os museus, grandes atrações da Espanha, estão imunes à crise. Por
trás da beleza imponente dos palácios – que deixa qualquer um
boquiaberto – está sendo desenhado um quadro nada esplendoroso:
demissão de funcionários e achatamento salarial envolvendo o quadro de
pessoal que cuida da segurança, administração e limpeza e conservação
dos monumentos.
No Palácio Real de Aranjuez, por exemplo, espécie de “palácio de
primavera” da família real na época dos reis católicos, que fica a uma
hora de Madri, 20 pessoas foram demitidas no início do ano, quando foi
realizada uma licitação para a contratação da empresa administradora
do museu. Na hora de fazer a reposição do quadro de funcionários,
foram contratadas menos de 10 pessoas e ganhando quase a metade do
salário pago anteriormente.
A informação me foi dada por profissional que atua no ramo há mais de
10 anos, ou seja, conhece como ninguém o dia a dia dos museus, não só
de Aranjuez, mas também de vários outras cidades, inclusive de Madri,
que estão sob o crivo do Patrimônio Nacional, entidade que administra
e faz a gestão dos bens da Coroa.
Ela própria expressou seu medo de perder o emprego. Do jeito que a
coisa está…
Seria uma pena, pois além de me dar informações preciosas para o blog,
a funcionária é uma pessoa de uma sabedoria incrível. Vários detalhes
de Aranjuez, como o canal que foi construído para trazer as águas do
rio até o palácio só para a rainha ouvir o barulho das águas desde o
seu quarto, eu não saberia se não tivesse falado com ela…
Como essa funcionária me contou, as cidades pequenas sempre sentem
mais os impactos da crise. A “fuga” de turistas recaiu, sobretudo,
sobre os visitantes dos Estados Unidos nos últimos três, quatro anos,
período que coincide exatamente com a eclosao da crise financeira
naquele país.
Em Madri, onde há um forte movimento de turismo de negócios, o efeito
é menor, destacou a funcionária. Notícias publicadas recentemente pela
imprensa local mostram que o “triângulo de ouro da arte espanhola” –
os museus do Prado, Thyssen e Reina Sofia somaram 6,6 millões de
visitantes durante 2011, a despeito da crise. Só o Prado teve 2,9
milhoes de visitantes, 234 mil pessoas a mais que 2010.
Mesmo assim já começam a surgir alguns sinais. No domingo, fui ao
Museu do Prado ver a cópia espanhola da Monalisa, chamada “La
Gioconda”. Como eram os últimos dias de exposição do quadro, havia uma
fila enorme, como sempre. Tentei entrar pelo outro lado, onde eu tinha
passado na última vez que visitei o museu, mas a funcionária disse que
aquela entrada não estava funcionando porque havia ocorrido corte de
pessoal…

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