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Semana negra para a Espanha

1 de junho de 2012 | 12h06

Karla Mendes

Muito se falou da “segunda-feira negra”, quando no último dia 28 a curva de risco da Espanha disparou, a bolsa despencou e os juros dos títulos da dívida subiram em uma reação imediata à frustrada tentativa do presidente espanhol, Mariano Rajoy, de acalmar os mercados ao dizer que não pediria socorro à zona do euro para capitalizar os bancos espanhóis, em uma entrevista não programada. E de afirmar que mais necessárias são informações claras sobre a sustentabilidade das dívidas da zona do euro.

 
Foi um tiro no pé. Além de aumentar o medo entre correntistas e investidores espanhóis de que a Grécia saia da zona do euro, expôs ainda mais a fragilidade do sistema bancário espanhol, principalmente do Bankia, que entrou em processo de nacionalização depois da descoberta de um enorme rombo contábil. E se tornam mais fortes a cada dia os rumores de que Bruxelas já tem um plano preparado para a hipótese de a Grécia abandonar o euro, conforme informações publicadas na imprensa espanhola.

 
Hoje, mais más notícias. Berlim se uniu às previsões da OCDE, que na semana passada foi categórica em dizer que a Espanha será incapaz de cumprir as metas de déficit estabelecidas e profetizava uma retração no PIB espanhol de 1,6% para 2012 e que as estimativas de queda de 0,8% para 2013 podem ficar piores.

 
Como se não bastasse, a Espanha foi a grande vilã da taxa de desemprego de 11% na zona do euro e de 10,3% na União Europeia em abril. No mercado espanhol, o número de desocupados chegou a 24,3%, 0,3 pontos percentuais a mais que em março.

 
Para os jovens, o cenário é ainda mais obscuro. Chegou a 51,5%, 0,4 pontos percentuais mais que no mês anterior. Essa é, na minha opinião, uma das situações mais dramáticas da atual crise da Espanha. E sem perspectiva de crescimento até 2013, conforme o boletim da OCDE, a tendência é de piore.

 
Já contei a vocês que meus colegas de trabalho do Expansión (jornal de economia líder aqui) já tinham me perguntado, em tom de “brincadeira”, se eu não poderia levá-los para o Brasil comigo quando eu voltar para aí, para que consigam um emprego. Com a nuvem negra que se instalou sobre o país esta semana, eles tocaram no assunto de novo, mas com outra proposta. Diante da possibilidade de quebra do país, o que  causaría o fechamento do jornal, eles me perguntaram se podiam todos trabalhar comigo no Estadão. “Podemos criar uma nova editoria”, disseram.

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