Poderio econômico e político da Alemanha na Europa não livra Berlim dos problemas de outras capitais europeias
7 de novembro de 2012 | 16h46
Karla Mendes
Pensei que quando estivesse em Berlim não veria tanta gente pedindo dinheiro nas ruas do centro da cidade, como em países que estão em situação crítica em decorrência da crise econômica caso a Itália, por exemplo. O país comandado por Angela Merkel ocupa lugar de destaque no cenário econômico e político europeu, então não pensei que o assédio na cidade seria tão grande como nos países onde a situação é ruim.
No metrô, cenas que presenciei diariamente em Madrid: pessoas tentanto vender coisas, fazendo algum mini show com os mais diversos ritmos musicais ou simplesmente pedindo alguma ajuda. Nos pontos mais turísticos, eu era assediada diariamente por uma senhora com um bilhete na mão que abordava turistas, perguntando-lhes se falavam inglês. Eu me fazia de desentendida e fingia que não falava inglês, pois senti cheiro de golpe. Na minha cabeça, veio a imagem de uma senhora que, em abril, me abordou no centro de Paris, perto da igreja.
Depois de me perguntar se eu falava inglês, ela apareceu com uma aliança na mão, perguntando se era minha. Depois de eu dizer que não, ela ficou soltanto frases do tipo “é um sinal de sorte para você”, pegou o meu braço, colocou a aliança na palma da minha mão e se afastou. Eu tentava devolvê-la insistentemente e ela repetia que era um sinal de sorte para mim e me pediu dinheiro, qualquer quantidade que eu pudesse dá-la. Diante das minhas sucessivas negativas, ela pegou a aliança e por fim sumiu da minha vista.
Sei que o centro de qualquer cidade grande é o alvo preferido de pedintes e golpistas, mas não imaginava que isso ocorria com tanta intensidade em Berlim, que tem atraído imigrantes dos mais diversos países pela abundância de postos de trabalho.
Quando fiz um tour pela cidade com um guia que é da Inglaterra e que está morando lá, ele me relatou várias coisas interessantes, como a existência de vários apartamentos vazios desde o advento da Segunda Guerra Mundial, o que fez com que os preços despencassem. Segundo ele, Berlim é a capital mais barata da Europa. De fato, senti uma diferença enorme quando estive lá em comparação com Paris, Londres, Bruxelas e até mesmo Madrid e Roma. A comida é baratíssima. Os hotéis e hostels também. Para vocês terem uma ideia, paguei 17 euros por um quarto individual em um hostel, enquando nas outras cidades não sairia por menos de 50 euros.
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