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15 de Abril de 2010

 

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A crise na terra dos reis

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Menu econômico na Espanha para espantar a crise

5 de abril de 2013 | 14h27

Karla Mendes

 

Primeiro prato, segundo prato, sobremesa, pão, bebida e café. Um clássico dos restaurantes espanhóis na hora do almoço. E por um preço acessível. Nos seis meses que morei em Madri, sempre escolhia a opção do menu e pagava, em média, 10 euros (menos de R$ 30) por todos esses itens. Por esse preço, é praticamente impossível ter um menu como esses em um restaurante brasileiro.

Mas nem mesmo o menu escapou à crise econômica. Diversos estabelecimentos passaram a oferecer a opção “menu express”, em que por uns dois euros a menos, o cliente tinha direito ao menu, mas com uma opção de um só prato. Confesso que gostei muito da novidade, pois no menu vem tanta comida que raramente eu conseguia comer tudo. E pensei: “isso deve ser um reflexo da crise também”.

Em um dos meus últimos dias na capital espanhola, quando almocei com um amigo e sua mãe, tive a constatação: essa invenção tem mesmo a ver com a crise. A mãe do meu amigo, que mora em um bairro tradicional de Madri há muitos anos, disse que nunca viu esse tipo de oferta antes da crise. Segundo ela, antes desse período difícil, havia ofertas de outros menus mais caros, mas não de mais baratos, algo que tem se proliferado na cidade.

 

Sem falar que, como efeito da crise, alguns restaurante inovaram e passaram a vender o menu completo por 6,5 euros, por exemplo, mas com uma única opção de bebida: água.

 

E faz todo o sentido. Com a queda do poder aquisitivo dos espanhóis em decorrência da depressão econômica e do alto nível de desemprego, toda economia é válida.

Despedida

Escolhi esse tema, que fez parte do meu dia a dia nos meses incríveis que vivi em Madri, para despedir-me do blog. Poder compartilhar com vocês as observações, experiências e histórias que ouvi e vivi sobre as mudanças que a crise econômica tem provocado na vida dos espanhóis foi muito uma preciosidade. Agradeço-lhes pela audiência e por todos os elogios, sugestões e críticas. Agora, porém, preciso investir em outros projetos, que espero poder anunciá-los a vocês em breve. Deixo aqui um grande abraço e o meu muito obrigada.

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Mudança de Papa ajuda a aquecer o turismo em Roma em período crítico para a cidade

18 de março de 2013 | 15h22

Karla Mendes

Desde a inesperada renúncia do Papa Bento XVI, as atenções de todo o mundo voltaram-se para Roma. A definição da data do conclave para a escolha de seu sucessor levou milhares de fiéis à capital italiana, ansiosos para serem os primeiros a ver no novo chefe do Vaticano.  Lucro para os comerciantes e empresários do setor hoteleiro e turístico em geral, que normalmente reclamam do período de vacas magras nessa época do ano.

Um amigo meu, que é italiano, tem um restaurante perto da belíssima Piazza Navona, onde está a maravilhosa Embaixada do Brasil em Roma. Da última vez que estive na capital italiana, no fim de novembro, ele me disse que viria ao Brasil no início do ano e que ficaria uns dois meses viajando por aqui, pois durante o inverno, sobretudo depois do dia 6 de janeiro, costuma nevar muito por lá, os turistas somem e a cidade fica super vazia.

A reviravolta no comando da igreja católica, porém, fez com que ele adiasse sua viagem para o Brasil. E ele não está nada triste com isso. Vejam a resposta que ele me escreveu ontem quando lhe perguntei sobre a agitação na cidade e se ele tinha desistido de vir para cá. “Nós aqui estamos passando um momento realmente muito importante. Hoje, por exemplo, tem a primeira missa do papa Francesco e a Maratona de Roma! O centro está hiper lotado de gente! Não desisti de ir ao Brasil, mas, nesse momento, meu trabalho está muito bom por causa desses eventos!”

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Italianos fazem até dívidas para tentar manter padrão de vida de antes da crise

1 de março de 2013 | 8h21

Karla Mendes

 

Ouvi de uma amiga que mora no norte da Itália uma história que me deixou estarrecida. Parece absurdo, mas a crise está mexendo tanto com o brio dos europeus, que há italianos que estão até se endividando para tentar fugir da realidade da queda do padrão de vida que tinham antes da crise. Casada com um italiano há uns quatro anos, ela me relatou que seus cunhados tiveram seus salários cortados pela metade, no ano passado, mas não aceitaram de jeito nenhum não viajar durante o tão cobiçado verão para o Mar Mediterrâneo.

 

A solução? Pediram a sogra, que é aposentada, para pegar um empréstimo a juros menores, equivalente ao consignado aqui no Brasil, para que eles não ficassem “deprimidos” por não poderem ir para as praias paradisíacas da Itália no verão, como vinham fazendo todos os anos.

 

Eles podem ter conseguido maquiar uma face dos efeitos da crise sobre suas vidas, mas essa é uma realidade que não se sustenta em longo prazo. Mesmo porque essa fatura custou caro, desviando o montante que seria destinado a outros gastos essenciais da família. E como o cenário da crise só piora, mais dia ou menos dia, eles terão de encarar essa realidade, doa a quem doer.

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Na Espanha, crise aparece até em horóscopo

1 de fevereiro de 2013 | 14h53

Karla Mendes

A crise tornou-se algo tão corriqueiro na vida dos espanhóis que até o horóscopo passou a mencioná-la. Quando eu estava morando em Madri, tive a curiosidade de ler o que diria o horóscopo espanhol sobre o meu signo – câncer – e me surpreendi.
No início, tudo igual ao Brasil. “Logo começará uma onda de boa sorte que terá efeitos em tudo relacionado à sua saúde e também em outras áreas de sua vida. Sua opinião será muito respeitada no trabalho ou nos estudos; tirará proveito do seu dever e acertará”.
Mas no meio de frases que estamos tão habituados a ler nesse tipo de texto, veio a surpresa quando o horóscopo foi falar das finanças. “Respecto al dinero, aunque continúa padeciendo los efectos de la crisis, pero lo peor ya ha pasado”, ou seja “em relação ao dinheiro, ainda que continue padecendo dos efeitos da crise, o pior já passou”.
O texto termina dizendo que é uma semana excelente para o amor e que quem está sozinho pode encontrar um companheiro.

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Problemas da máfia no sul da Itália se acirram com a crise

23 de janeiro de 2013 | 16h02

Karla Mendes

 

 

Existe um imenso abismo entre o norte e o sul da Itália há muito tempo, fruto do domínio da máfia italiana, que é o verdadeiro “poder” que reina na parte austral do país. Enquanto a parte norte concentra a quase totalidade das indústrias e, consequentemente, do “dinheiro” na Itália, a Região Sul, que já amargava enormes perdas por causa dessa atividade criminosa, vê os problemas se alastrarem ainda mais com o agravamento da crise financeira.

 

 

Que a situação na Itália não está nada boa não é novidade. Fechamento de fábricas e níveis de desemprego alarmantes são uma dura realidade mesmo no norte do país. Mas esse cenário, quem diria, ainda é considerado “atraente” para que italianos do sul migrem para o norte, em busca de alguma oportunidade de trabalho.

 

Quando estive na linda Verona, a “cidade do Romeu e Julieta”, no norte da Itália, conheci uma professora que me relatou o drama dos moradores do sul do país diante da “combinação” máfia e crise. Diante da enorme dificuldade em conseguir emprego no sul em função da alta concorrência por vagas no sistema de ensino, apesar dos salários em queda livre, ela se mudou para uma pequena cidade do norte do país, onde as condições de trabalho estavam um pouco menos desfavoráveis.

 
“Com a crise e os altos índices de desemprego, muitas pessoas de outras profissões passaram a concorrer também às vagas de professor”, contou. Ela me falava de forma bastante saudosa de sua cidade do sul, com belezas naturais e clima bem mais favorável que no norte. Mas, com a crise, ela se mudou para uma pequena cidade próxima a Milão, onde não há muito o que fazer, mas é lá que ela que está conseguindo garantir o “ganha-pão” para, ao menos, visitar sua família nas férias e arriscar-se em alguma viagem econômica dentro do país.

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Irlanda resgatada tem preços altos como os de Londres

17 de janeiro de 2013 | 15h12

Karla Mendes

 

Londres foi a cidade mais cara que visitei na Europa. Além de a libra ser uma moeda mais forte que o euro, os preços de alimentação, transporte e moradia na capital inglesa são bem mais altos que em outros países do continente europeu.

 

Acostumada com os preços da Espanha, levei um susto quando soube quanto uma amiga que morava em Londres gastava com aluguel. Para ter uma ideia, o valor pago por ela referente à terça parte do aluguel do apartamento onde ela morava com outras duas colegas correspondia ao que eu e minhas duas “roomates” pagávamos por todo o imóvel em Madri.

 

Fiquei um mês percorrendo o Reino Unido, arcando com o “peso” das libras e pensei que quando chegasse à Irlanda ia ter um alívio. Engano meu. Apesar de a moeda adotada no país ser o euro, mais “barato” que a libra, minhas despesas em Dublin ficaram no mesmo nível das de Londres.

 

Passei duas noites lá e o que gastei com hospedagem e alimentação foi equiparável ao gasto na capital inglesa. Pensei que, por ter sido resgatada (salva de ser obrigada a dar o calote de sua dívida externa ao receber empréstimos de emergência do FMI e das autoridades monetárias da Zona do Euro), os preços na Irlanda estariam mais acessíveis, nos mesmos patamares de outros países que amargam com a crise, como Espanha, Itália e Grécia. Mas não.

 

As pessoas com quem conversei que estiveram na Grécia antes de ela ser incluída na Zona do Euro, me disseram que era um país muito mais barato que agora. Mas os preços lá não chegam aos da Irlanda. Isso falando de maneira geral, sem considerar os hotéis e restaurantes caríssimos em ilhas, como Santorini, por exemplo.

 

Essas pessoas também fizeram um paralelo com a Croácia, que dizem ser um país muito barato para nós brasileiros. E me advertiram: “aproveite para ir lá enquanto o país ainda não aderiu ao euro. Porque depois vai encarecer tudo”.

 

O porquê dessa relação entre a adesão ao euro e o aumento do custo de vida nos países resgatados, confesso que não ficou clara para mim.

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Belfast: comércio fecha cedo por falta de clientes ou não há clientes porque as lojas fecham cedo?

4 de janeiro de 2013 | 17h36

Karla Mendes

Quando estive em Belfast, na Irlanda do Norte, a impressão que tive é que eles não estão nem aí para os turistas. Ao caminhar pelas ruas, deparei-me com a maioria das lojas fechada, mesmo no centro da cidade. Muitas não funcionam a partir das 16h. Para mim foi tudo muito estranho. Será que não há clientela suficiente para sustentar o comércio aberto até às 18h, pelo menos? Ou será que a crise forçou os lojistas a reduzirem a jornada de trabalho?

Tampouco consegui visitar um museu sequer no país, nem mesmo na capital. Não por falta de vontade; os horários é que eram muito restritos. Principalmente às sextas-feiras, dia que estive lá. O Royal Ulster Rifles Museum, por exemplo, fechava às 15h. E no fim de semana os museus simplesmente não abrem. Assim, fica muito difícil fazer turismo pela cidade. E gastar dinheiro por lá.

Na grande maioria dos hotéis ou albergues (hostels), o check-in é a partir das 14h. Se o turista se programa apenas para uma passagem rápida pela cidade, como foi o meu caso, e chegar próximo da hora do check-in numa sexta-feira, não conseguirá fazer quase nada. A mim me custa entender esse tipo de comportamento em um país em crise…

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Na Holanda, aumenta a dificuldade para formandos conseguirem trabalho na área em que estudaram; e artistas têm que ser mais criativos para vender obras em plena crise

27 de dezembro de 2012 | 18h15

Karla Mendes

A situação na Holanda não é alarmante como na Espanha ou na Grécia. Ao conversar com os holandeses quando estive em Amsterdã e Haia, o diagnóstico que eles me fizeram foi o seguinte: os índices de desemprego no país estão sob controle. Não há falta de postos de trabalho, nem para os jovens. O que mudou com a crise foi a dificuldade para os recém-graduados encontrarem trabalho na área para a qual estudaram durante anos na universidade.

Uma das pessoas com quem conversei, por exemplo, se formou em comércio exterior, mas está trabalhando com marketing. “Trabalho não falta aqui, não. Mas se quisermos atuar na área, aí está bem mais difícil, por causa da crise”, disse.

Artistas sofrem mais

A situação dos artistas holandeses, contudo, é bem mais complicada. Quando estive em Haia, conversei com um pintor que expunha seus quadros no centro da cidade e ele me relatou que não vendia uma obra há semanas. “É a crise. As pessoas não podem deixar de comer ou arcar com outras despesas básicas, como moradia e transporte, mas param de investir em arte”, explicou.

Apesar dessa dificuldade, ele fez umas ponderações bastante interessantes sobre o impacto da crise para os artistas. “Temos que ser muito mais criativos. Meus quadros estão muito melhores”, confessou.

É, o cenário da crise europeia, que pude acompanhar de perto durante 10 meses, piorava a cada dia. Vamos ver se haverá mudanças – positivas ou não – em 2013. Como eu já disse a vocês no post anterior, continuarei relatando as histórias da crise que ouvi e presenciei no continente europeu nesse período, mas ficarei atenta, é claro, ao que continua rolando por lá, mas agora daqui do Brasil.

Quero aproveitar esse post para agradecer a todos os meus leitores a audiência de 2012 e espero contar com vocês em 2013. Desejo a todos um ano novo de muita felicidade e realizações.

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Crise aumenta o aperto e a “criatividade” de desempregados em Madri

13 de dezembro de 2012 | 14h46

Karla Mendes

  

Deparei-me com uma cena no mínimo “curiosa” quando fui pegar meu voo de volta ao Brasil. Ao descer do táxi no aeroporto de Barajas, em Madri, sofri uma espécie de “assédio” de vários homens, que ofereciam ajuda para carregar minhas malas. “Te ajudamos até a pesar as malas”, diziam.

Quando olhei ao redor, havia uma fila de homens, com os carrinhos de carregar bagagem a postos, na boca do desembarque de passageiros que vêm de táxi para o terminal 4 de Barajas, cheios de malas, para voar de Madri para a América Latina e Estados Unidos, principalmente.

Nos 10 meses que vivi na Europa, pude perceber muitas mudanças no dia a dia dos europeus, com o agravamento da crise econômica, que parece não ter data para acabar. Esse tipo de “serviço” no aeroporto, por exemplo, não existia no início do ano. Mas, com a falta de perspectiva e a aceleração dos índices de desemprego, os espanhóis estão tendo que usar a criatividade para ganhar algum dinheiro.

Nos meus últimos meses em Madri, notei também que no parque do Retiro, por exemplo, várias pessoas circulavam com sacolas cheias de cerveja, refrigerante e água nas áreas onde as pessoas costumam deitar na grama para relaxar, coisa que não acontecia quando cheguei à Espanha.

Outra mudança visível foi o aumento das pessoas pedindo dinheiro nas ruas do centro de Madri. Nos meus últimos dias na capital espanhola, caminhei muito nos pontos turísticos centrais da cidade e foi impossível não notar o número de pedintes. No metrô, que já é tradicional palco de apresentações musicais ou de venda de produtos, notei que o espaço passou a ser ocupado também por pessoas de classe média que perderam o emprego recentemente.

É isso. A crise parece um buraco negro para os espanhóis, que estão cada vez mais desanimados e sem perspectivas. Como passei quatro meses afastada de Madri, viajando por outros países da Europa, tive um almoço de despedida com os meus colegas do Expansión – o jornal econômico onde trabalhei por seis meses – e pude perceber a mudança radical do estado de ânimo das pessoas.

Ao mesmo tempo em que eles estavam curiosos para ouvir os relatos das minhas viagens Europa afora, ouvi coisas do tipo “não quero ouvir nada, Karla, pois vou ficar morrendo de inveja” ou “enquanto você viajava de um país outro, nós continuamos aqui, no mesmo lugar, só falando de notícias ruins” ou até mesmo “quando eu crescer, quero ser Karla Mendes”.

A partir de agora, o blog entra em uma nova fase. Continuarei relatando o que vi, vivi e ouvi na Europa, mas agora daqui do Brasil. O arsenal de informações que acumulei nesses 10 meses é imenso. Agradeço a todos vocês pela audiência do blog durante minha estadia na Europa e conto com a leitura e os comentários de vocês, agora, aqui no Brasil.

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Jornalista precisa trabalhar dois meses de graça para conseguir emprego em Florença, na Italia

13 de novembro de 2012 | 17h48

Karla Mendes

A crise continua castigando duramente os jornalistas na Europa. 
Estava em Florença sábado passado e presenciei uma cena deplorável. Minha conversa com um amigo dos Estados Unidos foi interrompida, subitamente, por uma jornalista desesperada que, ao reconhecer o sotaque americano, implorou a ele que lhe desse uma entrevista para a rádio italiana para a qual trabalhava pois ela precisava encontrar algum americano que estivesse na cidade e lhe contasse por que não estava votando na eleição presidencial.

Depois que ele lhe deu as informações que ela precisava, me apresentei a ela como jornalista brasileira e começamos a conversar sobre a crise na Itália. Fiquei boquiaberta. A situação está pior do que eu pensava. Ela está trabalhando de graça há um mês e meio para a tal rádio, coisa que com o agravamento da crise, virou pré-requisito: trabalhar sem remuneração por dois meses antes de ser contratada. “Tenho que provar que sou realmente boa para que me contratem. E o salário é de 200 euros (pouco mais de R$ 500)”, revelou. Fiquei estarrecida.

Lembrei-me de que, quando estive em Edimburgo, na Escócia, em agosto, conversei com um jornalista que também mora em Florença que me contou que trabalhava como DJ, pois era impossível viver como jornalista. Isso porque, depois da crise, estão pagando míseros 10 ou 20 euros por matéria, ou seja, cerca de R$ 50 no máximo. “Antes desse período nebuloso, pagavam o triplo”, disse.

Florença estava cheia de turistas, mesmo fora da alta estação. Mas nem os setores que vivem do turismo, como o gastronômico, ficaram ilesos à depressão econômica que assola o continente. Ao conversar com um garçom albanês que trabalha há seis anos em Florença, ele me disse que se antes o restaurante contava com 10 garçons, hoje são só quatro. 

Ao ler os flyers de oferta de tour pela Toscana, também me chamou a atenção a “nova modalidade” de tours low cost (custo reduzido), opção que, por uns 10 euros a menos, exclui o serviço de buscar e levar o cliente ao hotel.

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