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A biblioteca de Raquel

A semana passou tão apressada na minha vida que não tinha visto o vídeo dessa linda animação de Morte e Vida Severina, do João Cabral de Melo Neto, citada no texto da Flavia Guerra sobre o Anima Mundi.

Foi feita a partir das ilustrações de Morte e Vida Severina em Quadrinhos, livro de Miguel Falcão lançado sem alarde em 2006 pela pequena Massangana. Não li a HQ, mas as ilustrações, fora de série, ficaram melhores ainda animadas em 3D. A direção é de Afonso Serpa, o personagem central foi dublado Gero Camilo, a trilha sonora ficou a cargo de Lucas Santtana e Rica Amabis e o resto dos créditos vocês que ainda não viram façam o favor de ver no vídeo.

O filme, de 56 minutos, teve exibição no Anima Mundi hoje, terá outra amanhã (às 13h, no CCBB-SP) e depois será lançado num combo graphic novel + DVD.

No YouTube, dá pra continuar vendo aqui, aqui e aqui. E tem também o making of.

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“Eu posso fazer anotações nas margens dos meus livros – e compartilhá-las em redes sociais.”

Esse vídeo eu queria postar aqui desde que foi exibido no seminário sobre livros eletrônicos da Feira do Livro de Londres, mas, é claro, esqueci assim que coloquei os pés fora do auditório. Acabou de ser exibido no segundo Congresso Internacional do Livro Digital, que estou acompanhando em São Paulo, então resolvi pôr aqui antes que a lembrança escapasse mais uma vez.

A frase que abre o post, tirada do vídeo, é uma resposta a quem vê nos e-books a ameaça do fim das tão amadas marginálias. (Não sei se o fim da marginália me preocupa tanto, mas confesso que, vendo toda essa gente aqui fazendo anotações em netbooks e iPads – eu trouxe meu laptop gigante de casa, praticamente um PC dobrável – fico pensando se eles não sentem falta de rabiscar desenhos em bloquinhos enquanto os homens falam lá na frente…)

O vídeo, enfim. É propaganda, obviamente, mas vale dois minutos da sua vida. Quer dizer, eu acho.

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Em abril, eu estava em Londres tentando descobrir alguma novidade no blablablá sobre livro digitais que antecedeu a London Book Fair quando um diretor da Bloomsbury falou a única coisa bombástica de todo o seminário: “O enhanced ebook morreu”. Era ou isso ou que o enhanced ebook estava dando os últimos suspiros, já não lembro. (Tá, talvez não tenha sido tão bombástico assim.)

Foi curioso porque os enhanced ebooks, ou apps de livro para iPad, enfim, esses livros interativos cheios de firulas de áudio e vídeo e interação para atrair quem não gosta tanto assim da leitura stricto sensu (ou para distrair quem só faz de conta que está lendo) tinham sido assunto longamente debatido em 2010 em sites americanos e ingleses. E fazia só dois meses que eu tinha escrito uma reportagem de capa para o Sabático sobre as primeiras investidas de editoras brasileiras no formato – todas as citadas ali tateando, gastando uma grana, sem saber se a coisa daria certo.

Era uma declaração exagerada a do diretor da Bloomsbury, mas ajudou a pôr uns pingos nos is. Os enhanced ebooks não iam mesmo acabar duma vez só com os livros de papel e os eletrônicos normais, como quiseram comentaristas mais apocalípticos. Mas representavam a descoberta de um novo nicho, em especial para crianças, que agora vem sendo explorado com menos, eu diria, deslumbramento.

Digo tudo isso por causa de um link que o Alexandre Rampazo me mandou ontem, do app para iPad baseado no The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore. O vídeo que originou o aplicativo é um curta animado do fim do ano passado, vendido a US$ 1,99 na iTunes Store. É inspirado “em iguais medidas no furacão Katrina, em Buster Keaton, no Mágico de Oz e no amor pelos livros”, e nele o personagem-título, apaixonado pela leitura, perde toda a biblioteca num furacão. O trailer:


Ilustrada por William Joyce (capista da New Yorker e ex-criador da Pixar e da Dreamworks cheio de prêmios Emmy) e produzida pela Moonbot, a história voltou a ser falada agora que saiu o aplicativo, a US$ 4,99 na App Store. O fato importante sobre o app do The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore é que, a se considerar resenhas de sites especializados, ele é o primeiro “next big thing” de verdade no universo de possibilidades do ebooks 2.0 desde o de Alice no País das Maravilhas, de maio de 2010.

Aqui no Brasil, quem já  testou o novo aplicativo foi o Almir de Freitas, mas tem também o trailer do aplicativo para dar a dimensão:

Acho que o segredo fica resumido nesta frase do crítico do New York Times: ”As interações são feitas com o toque de um narrador, então elas em geral servem à narrativa em vez de tirar a atenção dela.” É que, pelo que tenho visto, é comum o conteúdo extra dos enhanced ebooks não agregar nada à narrativa em si. Só que o NYT esclarece: é divertido para um adulto, mas, como experiência de leitura, não é recomendado para mais que uma criança de sete anos.

E é preciso fazer outra ressalva aí. Ao contrário do app de Alice, que nasceu de um livro, o aplicativo de Mr. Morris Lessmore é baseado em um vídeo. Parece que vai virar livro de papel, também, mas só de ilustrações –  como acontece com tantos filmes animados da Disney, por exemplo. Por que ele é chamado de aplicativo de livro, e não de filme, isso já fica fora da minha capacidade de compreensão.

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Esse vídeo lindo é de dois anos atrás, mas só agora (ops) caiu no radar aqui da biblioteca, graças ao recomendadíssimo Twitter da Revista Bula. “É aqui que a gente mora”, explicita o trailer, lançado por ocasião do 25º aniversário da Fourth Estate, editora criada em 1984, adquirida em 2000 pela HarperCollins e dona de catálogo que inclui Liberdade (Companhia das Letras); de Jonathan Franzen; Wolf Hall (Record), de Hilary Mantel; Terras Baixas (Alfaguara), de Joseph O’Neill; e mais essa infinidade de títulos que você vê ao longo dos quase três minutos de animação em stop motion.

O jeitão do trailer, aliás, é parecido com o de outro que postei por aqui quando o blog ainda nem morava no portal do Estadão, feito para o livro Going West, de Maurice Gee.

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23.fevereiro.2011 17:54:10

A dança dos livros

Esse entrou no ar no YouTube anteontem. Uma criação de Sean Ohlenkamp e Lisa Blonder Ohlenkamp. Delicinha de vídeo. O mais legal é que ao final eles apresentam o “elenco”: I Am America, de Stephen Colbert; Blink, de Malcolm Gladwell; A Vida de Pi, de Yann Martel; e por aí vai.

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22.fevereiro.2011 17:35:07

Um livro-espetáculo

Misto de livro, cenário e filme 3D, The Ice Book, disponível há poucas semanas no YouTube,  é só um rascunho de um espetáculo que o casal Davy e Kristin McGuire pretende produzir: uma peça que tenha um enorme livro pop-up como cenário, no qual atores possam interagir com projeções em vídeo.

Como a coisa toda sairia cara demais sem um bom investidor, o diretor e a cenógrafa conseguiram na Alemanha uma bolsa (leia-se alguns meses e uns tantos caraminguás) apenas para criar esse vídeo-maquete. Um trabalho enorme, superelaborado, só para apresentar a ideia a produtores.

O resultado é tão bonito que, pra mim, nem precisava ir além do vídeo. Dá uma espiada.

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Vi essa no ótimo Braimstorm9.

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17.fevereiro.2011 08:29:59

Livro, câmera, ação

O clipe de Squeeze Me, da banda holandesa Kraak & Smaak, usa animações feitas com sequências de fotos em flipbooks, sobrepostas a outras cenas. Uma criação premiada da agência WeAreWill que encontrei lá no Gizmondo.

By the way, o que o vídeo tem de bacana a música tem de chata. Desculpe avisar.

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10.janeiro.2011 19:02:26

Você se lembra da minha voz?

No dia 22 de dezembro, postei o vídeo mais incrível do pequeno Michael indignado ao receber livros no Natal de 2009. A reação gerou tanta repercussão no YouTube que o pai do menino deletou as críticas, bloqueou a caixa de comentários e explicou que não era nenhum drama aquela atitude numa criança de 3 anos. Neste último Natal, deu livros e filmou mais uma vez. Dica do leitor Miguel Soares.

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22.dezembro.2010 16:53:53

Livros no Natal?

Achei o vídeo acima no Book Bench, o blog de livros da New Yorker, sob a chamada “Como fazer seu filho extremamente infeliz neste feriado”. Uma das reações mais incríveis que vi nos últimos tempos – por favor, se você ficou com preguiça de clicar para ver, como eu vivo ficando, volte lá e clique no play.

Como o vídeo já foi visto mais de 250 mil vezes desde o ano passado, quando o pai do menino o postou no YouTube, fiquei curiosa em ler os comentários indignados de pessoas mais velhas sobre a relação das novas gerações com livros. E vi que não há nenhum. Deve ter sido uma enxurrada. O pai foi lá e deletou todos, fechou a caixa de comentários e fez o justo mea culpa a seguir:

“Depois de abrir um monte de brinquedos, meu filho de 3 anos deparou com um embrulho com livros. Era seu primeiro Natal ‘de verdade’, e, deixe-me repetir, ele tinha só três anos! Estava começando a absorver o conceito de toda essa coisa de ganhar presentes. Acho que muito da culpa foi minha, da mídia, dos comerciais de TV que passam a ideia que você só recebe brinquedos de Natal. Para ele, livros têm a ver com o tempo de diversão que passamos lendo (não menos que três) antes de ele ir para a cama. Deixe-me esclarecer: ele ama livros. Ficou impressionado após  abrir tantos presentes e se sentiu ‘enganado’ ao abrir os livros. E o fato de rirmos de sua reação inicial o estimulou a continuar.”

Fiquei me perguntando se ele ganhará livros neste Natal…

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Update em 23/12: Achei simpático colocar por aqui a legenda em português:

Filho: Livros?
Pai: É!
Filho: Livros de Natal? O que vocês fizeram?? Eu não ganho livros, isso não são brinquedos, são livros! Eu não ganho livros de Natal!
Mãe (rindo): Você não ganha livros de Natal?
Filho: Não, eu odeio isso!
Mãe: Você odeia livros de Natal?
Filho: Sim. Cocô! (percebendo que está fazendo graça) Eu disse cocô! (Anda até os outros presentes. Atente para a mãozinha na cintura e a outra apontando os embrulhos) Para que são esses? Para que servem esses?
Pai: Não acho que esses sejam livros…

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David Kazzie é um advogado de ambições literárias que vive em Virgínia, nos EUA. Há um mês e meio, cansado de lidar com o ambiente jurídico e sem conseguir evoluir em seu projeto de livro, aproveitou o incrível potencial da procrastinação para criar um vídeo bem simplão, mas de boas sacadas, So You Want to Go To Law Scholl. Era só um diálogo entre um advogado e uma iniciante (“Quero me tornar uma advogada.” “Meu Deus. Por que você faria isso?” “Porque quero ajudar pessoas” etc.), mas fez tanto sucesso que logo ganhou três continuações.

Como bom aspirante a escritor, Kazzie passou um bom tempo lendo sobre mercado, agentes, processo de edição, blogs de escritores etc.  “Fiquei surpreso com o número de pessoas que ou estão escrevendo romances ou querem escrever romances. Pela internet, há tantas visões diferentes sobre a escrita quanto há pessoas”, escreveu em seu site. Juntou então os maiores clichês, forçou a mão no absurdo e o resultado foi So You Want To Write a Novel, que entrou no ar na semana passada.

Uma pista dos diálogos, cujos trechos não deve ser tão raro ouvir por aí.

A: Vou escrever um romance.
B: Por tudo o que é mais sagrado, por quê? (…) Nunca vi você ler um livro.
A: Isso é porque todo romance é um saco.
(…)
B: Você tem noção de que serão necessários anos trabalhando seu rascunho antes que você seja capaz de escrever um livro publicável? E isso partindo do princípio de que você tenha passado os últimos 20 anos lendo centenas de romances.
A: Eu venho vivendo a minha vida, não perdendo meu tempo lendo.

Dá uma espiada. É mesmo simplão, mas tem sua graça. O mais legal é a emoção dos personagens.

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