[Publicada no Sabático.]
BABEL
Raquel Cozer – raquel.cozer at grupoestado.com.br
Giorgio Vasari, 500 anos depois
Duas trabalhosas traduções e dois eventos com nomes internacionais suprirão histórica lacuna da obra do italiano Giorgio Vasari (1511-1574) no Brasil. O pai da historiografia de arte nunca teve suas biografias de artistas na íntegra por aqui. Em setembro, a Editora Unicamp publica Vida de Michelangelo Buonarroti (1568), vertida por Luiz Marques, num trabalho de mais de 20 anos – das 800 páginas, mais de 600 são de comentários. Marques organiza para 23/9, na Unicamp, e o período de 26 a 28/9, na Biblioteca Nacional, no Rio, evento sobre Vasari, com a presença de Massimo Firpo, da Universidade de Turim; Silvia Ginzburg, da Universidade de Roma; e outros. Ainda em setembro sai, pela WMF Martins Fontes, o volume que engloba a biografia de Michelangelo, Vidas dos Mais Excelentes Arquitetos, Pintores e Escultores Italianos (conhecido como As Vidas dos Artistas). Também comentado, teve a primeira edição, de 1550, vertida por Ivone Benedetti.
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PREMIAÇÃO
Sem chance
Nenhum autor da Rocco ficou entre os 50 finalistas do Prêmio Portugal Telecom, anunciados esta semana. Não poderia ser diferente: a editora se esqueceu de fazer as inscrições. Restou à casa pedir desculpas a todos os autores que publicou em 2010, nomes como Adriana Lisboa (Azul-Corvo), André de Leones (Como Desaparecer Completamente), Patrícia Melo (Ladrão de Cadáveres) e Silviano Santiago (Anônimos).
MEMÓRIAS
Reflexões de Joan Didion
Previsto para novembro nos EUA, o novo livro da escritora e jornalista americana Joan Didion, Blue Nights, sai em 2012 por aqui pela Nova Fronteira. A obra dá continuidade à narrativa autobiográfica de O Ano do Pensamento Mágico, que deu à autora o National Book Award ao relatar os dias que se seguiram à morte do marido e durante os quais a filha, Quintana, estava hospitalizada em estado grave. Quintana morreu pouco depois do lançamento do livro, em 2005, e Blue Nights promove uma reflexão de Didion sobre seu papel como mãe.
BEST-SELLER
Os cadeados vêm aí
Nas grades da Pont des Arts, em Paris, e de outras pontes europeias, cadeados deixados por apaixonados integram a paisagem faz alguns anos – são uma espécie de amarra simbólica para casais. Agora, há um risco de cenário parecido surgir sobre o Tietê: o romance que popularizou essa moda na Europa, Sou Louco Por Você, do italiano Federico Moccia, sai no mês que vem pela Planeta.
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A mania até teve seus primeiros sinais antes do livro de Moccia, de 2006, mas apenas na ponte Mílvia, em Roma, onde os protagonistas do romance deixaram sua tranca romântica, a euforia fez com que um poste tombasse de tanto cadeado pendurado.
HISTÓRIA-1
Últimas palavras
A Revista de História publica em junho entrevista concedida por Vitorino Magalhães Godinho pouco antes de morrer, em abril. Aos 92, o célebre historiador português falou a Alberto da Costa e Silva e Tiago dos Reis Miranda, entre outras coisas, sobre a Europa atual: “A estupidez mais absurda é a dos dirigentes da União Europeia, e que leva a que se aplique a países com tradições tão diferentes na economia, nos costumes, na língua, em tudo, as mesmas receitas econômicas, aprendidas num manual americano.”
HISTÓRIA-2
Filão rentável
A Novo Século estreia em outubro o selo Caravelas, voltado somente a romances históricos, filão que garante sucessos de vendas a editoras como a Record. Cinco títulos já foram adquiridos, incluindo The Bronze Horseman, de Paullina Simons (que será adaptado para o cinema por Andy Tenant, diretor de Hitch), e To Defy a King, de Eluzabeth Chadwick, vencedor do prêmio RNA de melhor romance histórico de 2011.
QUADRINHOS
Menina inédita
Terá duas histórias inéditas a edição 12 Canções – Mix Tape da Menina Infinito (imagem), de Fabio Lyra, programada pela Leya/BarbaNegra para agosto. Completam o volume tramas lançadas entre 2003 e 2006 pela extinta Mosh e por outras publicações.
ROMANCE
Na estrada, na web
A gaúcha Carol Bensimon percorre seu Estado natal. Os últimos dias ela passou em São Marcos, cidade de 20 mil habitantes, na casa de uma leitora que conheceu pela internet. O motivo é o livro que escreve, uma espécie de Thelma & Louise latino, ou, como prefere, “um road novel no Sul”.
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Será o segundo romance de Carol, sem data prevista. Do primeiro, Sinuca Embaixo d”Água, ela lê trechos na edição do Leituras Sabáticas que entra no ar hoje em estadão.com.br/e/s2.
[Publicado no Sabático de 28/5]
Prestes a completar 70 anos, Sérgio Sant’Anna, um dos ficcionistas mais inventivos em atividade no País, lança romance centrado no sexo e diz que um escritor precisa ter coragem
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Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo
Foi o filho quem deu o aval. “Nihil obstat”, decretou o também escritor André Sant”Anna por e-mail ao pai, Sérgio Sant”Anna, após ler os originais de O Livro de Praga – Narrativas de Amor e Arte. O termo em latim para “nada impede”, empregado pela Igreja Católica para aprovar pelo aspecto moral obras em via de publicação, acalmou o veterano. Ele andava inquieto, ciente que estava da abordagem, por assim dizer, pouco canônica de seu novo trabalho. “É um livro sui generis… Não é muito dentro dos padrões. talvez pelo excesso de sexualidade”, ponderou Sérgio Sant”Anna na última terça, ao receber o Sabático em seu apartamento em Laranjeiras, no Rio. “Ou talvez porque se esperava de mim um romance, e eu fiz na forma de narrativas interligadas. A intranquilidade bateu.”
Entre os mais inventivos ficcionistas em atividade no País, Sérgio foi um dos primeiros nomes em que o produtor Rodrigo Teixeira pensou ao elaborar o projeto Amores Expressos, que financiou a viagem de 20 autores brasileiros a várias partes do mundo em 2007, para que a partir disso escrevessem histórias de amor. É também o mais experiente da turma – completa, em outubro, 70 anos -, mas sua criação a partir da estada de um mês na capital da República Checa respira um certo ar de molecagem: o personagem central, Antônio Fernandes, é um escritor enviado a Praga por um produtor chamado Roberto Martins, dentro de um projeto que mandou autores a várias partes do mundo. “Admiro Bernardo Carvalho, que conseguiu elaborar um protagonista russo (para o romance “O Filho da Mãe”, também integrante do “Amores Expressos”). Não me senti em condição de criar um checo”, diz o autor, que fala hoje sobre o livro no Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier (SP).
O que se seguiu foi uma mistura de busca por verossimilhança e interesse em correr riscos. Como seu personagem era um escritor brasileiro vivendo por apenas um mês no exterior, uma experiência relatada em episódios levemente interligados, o autor avaliou que uma história de amor romântico soaria descabida. Já uma trama de experiências sexuais, imaginou, faria sentido. Ainda que se tratasse de experiências um tanto fora do padrão, como um êxtase transcendental com a estátua de uma santa na rua (a santa, chamada Francisca, ele inventou, para ninguém em Praga ficar ofendido) ou a dança de uma mulher nua com suspeitos textos pornográficos atribuídos a Kafka (também devidamente imaginados pelo autor) espalhados em tatuagens fluorescentes pelo corpo.
O erotismo não é novidade na prosa de Sérgio Sant”Anna, mas ele mesmo se surpreendeu, conforme diz, com a forma “bastante espontânea” como o sexo se tornou central em O Livro de Praga – a ponto de imaginar que seria mais honesto se o subtítulo fosse Narrativas de Sexo e Arte, em vez de Narrativas de Amor e Arte. “De certa forma, eu chutei o balde, mesmo. Quando vi que o livro tinha uma sexualidade muito grande, pensei: “Vou em frente, não quero nem saber”", diz. Trata-se da mesma atitude que orienta sua literatura desde a juventude – mais precisamente, desde as temporadas que passou, de 1968 a 1971, na França e nos Estados Unidos, e que, na opinião dele, foram as responsáveis por revolucionar sua escrita: “Tem que ter coragem. Uma das coisas que acho que tem que existir no escritor é coragem. Se der errado, deu, mas, se ficar tímido demais, não sai livro nenhum.”
Cinema. O autor tem consciência de que a disposição para a coragem exige preparo para reações das mais diversas. Em geral muito bem recebido pela crítica especializada, diz ter se assustado, desta vez, com “um silêncio” por parte da editora. Dentro da Companhia das Letras, extraoficialmente, as opiniões se dividem – há quem seja fã e ache que o livro dará o que falar, há quem não tenha grande expectativa. “O livro é polêmico, e isso é ótimo. Existe uma curiosidade muito grande em relação a ele”, diz Rodrigo Teixeira. O produtor tem os direitos para o cinema de todos os livros do Amores Expressos e admite que o de Sérgio Sant”Anna parece dos mais difíceis de filmar. “É uma história que, se alguém conseguir adaptar e fizer bem feito, renderá algo sensacional. Se alguém quiser me procurar com sugestões, estou disponível.”
Enquanto essa pessoa não aparece, Teixeira trabalha na pré-produção de um longa baseado na novela O Gorila, de Sant”Anna. As filmagens começam em outubro, com José Eduardo Belmonte na direção e Otávio Muller, Mariana Ximenes e Maria Manoella no elenco. Ronaldo D”Oxum e André Sirangelo são os responsáveis por roteirizar a história do homem que desenvolve estranha relação com as mulheres para quem passa trotes, em diálogos que ficam em algum lugar entre a indecência e a autoajuda.
Sérgio Sant’Anna tem tantas narrativas com direitos comprados para o cinema que nem sabe enumerar direito. “No Brasil, todo mundo assina contrato, mas os filmes só saem se rola incentivo pela lei”, diz. Ele costuma acompanhar apenas de longe as adaptações, para nem correr o risco de querer dar ideias. Gostou de Um Crime Delicado (2005), de Beto Brant, e Um Romance de Geração (2008), de David França Mendes. Não esconde que achou Bossa Nova (2000), filme de Bruno Barreto feito a partir do conto A Senhorita Simpson, um bocado esquisito. “A questão é só que não tem nada a ver comigo. O Bruno usou os nomes dos personagens, mas fez um filme de Bruno Barreto. Não sei o que vai na cabeça dele, de comprar os direitos de uma história e fazer outra.”
Prêmios. No teatro, o escritor ficou encantado com a recente adaptação de Felipe Rocha para Um Conto Nefando?, em cartaz no Teatro Sérgio Porto, no Rio. Assim como O Gorila, esse conto faz parte de O Voo da Madrugada (2003), o livro anterior de Sant”Anna, que arrebatou elogios da crítica e lhe rendeu um segundo lugar no Prêmio Portugal Telecom e o quarto Jabuti, “esse prêmio que todo mundo já ganhou”, para sua coleção. O intervalo de oito anos entre um lançamento e outro, sobre o qual parece nem ter se dado conta (“É de 2003? Faz tanto tempo assim?”), resultou em parte do convite para o Amores Expressos. Ao focar na viagem para Praga, deixou para trás um volume quase pronto de contos, que agora já lhe parecem defasados.
O fato é que Sérgio Sant”Anna já não se cobra escrever com tanta regularidade. Diz andar sempre com um caderninho, anotando ideias que lhe ocorrem para depois passar para o computador, mas sem a ânsia para publicar que viveu em outros tempos. Ele nunca foi um best-seller como o irmão, Ivan Sant”Anna, nem tem interesse nisso. “O Ivan é muito bom no que se propõe a fazer, que é bem distante do que eu faço”, resume. O livro mais vendido de Sérgio, O Monstro, de 1994, está na casa dos 15 mil exemplares, acompanhado de perto por A Senhorita Simpson, de 1989 (os de Ivan chegam às centenas de milhares), mas o conjunto da obra lhe garante segurança – e nessa conta entram prêmios polpudos, como o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, que lhe agraciou com R$ 120 mil em 2008.
O carioca só não aceita bem a ideia de estar beirando os 70 anos. “Acho inacreditável. Acho um absurdo”, diz, num tom entre o indignado e o divertido, e o humor parece lhe roubar uns bons anos da aparência. “Ninguém acha que vai chegar a uma idade dessas. Você sabe disso. Quando a gente tem 15 anos, não acha que vai chegar aos 30, acha que 30 é velho pra burro. Isso me chateia.” Há anos morando no mesmo apartamento na zona sul do Rio, lamenta também a distância dos filhos – André mora em São Paulo, e Paula, em Ubatuba – e, em especial, da filha de Paula, Maria, de 6 anos, que aparece em tantas fotos quanto pode em porta-retratos pela sala.
A literatura feita hoje no Brasil, inclusive por muitos admiradores dele, Sérgio acompanha de perto. E acha que não passam de fofocas os debates literários acerca da qualidade da produção das gerações posteriores à sua: “É como sempre foi. Uns escrevem bem, outros nem tanto.” Entre as suas prioridades de leitura está Pornopopeia, de Reinaldo Moraes. Já teria lido o romance, não fosse uma recente arrumação em casa. “Minha namorada resolveu organizar meus livros e agora não encontro de jeito nenhum. Acho que vou ter de comprar outro…”, conforma-se.
Infelizmente, só tem para maclovers, e ainda estou imune a esse vírus. Dá pra comprar aqui, se você estiver disposto a desembolsar US$ 80. Vi no Design You Trust.
Para mais badulaques, clique aqui.
[Capa do Caderno 2 de 24/5]
Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo
Sandro Botticelli esboçou em pergaminho o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Séculos depois, foi a vez de William Blake e Gustave Doré. Nas leituras de Robert Schumann e Gioacchino Rossini, os cenário dantescos viraram música, e a tecnologia tratou de transformar tudo em videogame – isso só para ficar em alguns exemplos.
Sete séculos depois de sua criação, A Divina Comédia, de Dante Alighieri (1265-1321), segue “um monumento à inspiração”, como afirma ao Estado o designer americano Seymour Chwast. A mais recente prova disso são as duas graphic novels que chegam agora às livrarias brasileiras, tão diferentes entre si como podem ser as mais radicais variações do mesmo tema.
A Divina Comédia de Dante é assinada pelo próprio Chwast, celebrado designer de produtos e peças publicitárias, que estreia no formato HQ com a edição que acaba de sair pelo selo Quadrinhos na Cia. Já A Divina Comédia em Quadrinhos é brasileira, feita a partir de traduções de Jorge Wanderley (1938-1999), Henriqueta Lisboa (1901-1935) e Haroldo de Campos (1929-2003), num roteiro elaborado pelo quadrinista italiano radicado no Brasil Piero Bagnariol e por seu pai, Giuseppe, e que chega às livrarias nos próximos dias pela Peirópolis.
Como não se sabe a data exata em que Dante escreveu o livro – as três partes foram criadas entre 1304 e 1321 -, não há, portanto, uma efeméride que explique as duas investidas simultâneas. “Foi coincidência. Soube da versão americana quando a minha já estava bem avançada”, diz Piero.
Participante ativo da política de sua Florença natal, onde ocupou cargos públicos, Dante escreveu sua obra-prima enquanto vagava pela Itália, em exílio, após ser acusado de corrupção. Nos 14.233 versos dos 100 cantos de sua A Divina Comédia, o turbulento cenário que testemunhava aparece com frequência, na forma de críticas ao envolvimento do papa na política e aos escândalos que se seguiram. A obra é uma leitura do tempo em que vivia, e as duas adaptações em HQ buscaram ressaltar esse aspecto.
A Divina Comédia de Seymour Chwast tem um quê do Poema em Quadrinhos de Dino Buzzati (artista italiano que Chwast diz desconhecer), uma saga de eras passadas reconstruída com olhar pop. No traço do americano, todo em preto e branco, Dante aparece como um detetive de histórias noir dos anos 30, de chapéu, capa e cachimbo, sendo conduzido profundezas adentro por um Virgílio de chapéu coco, gravata-borboleta e bengala.
A entrada para o Inferno é sinalizada com um letreiro cintilante, que lembra um bordel ou cassino, e dali por diante Dante e Virgílio seguem por escadas e corredores, como num prédio antigo. Da mesma forma, as disputas florentinas por poder sugerem duelos da máfia. “É o estilo que combina com o espírito da minha arte. E desenhar togas não me interessava”, diz o designer, sobre a releitura.
Referências dos séculos 20 e 21 são menos claras na versão cheia de cores imaginada por Bagnariol, mas aparecem. Como na obra de Dante, que permite vários níveis de leitura, o quadrinista incluiu “símbolos e gestos não visíveis a um olhar superficial”. Na passagem do Inferno com o rio onde estão condenados a ficar tiranos, Hitler e Stalin podem ser vistos mergulhados na água, em segundo plano.
Piero e seu pai também precisaram criar um enredo paralelo, colocando a história de Dante como pano de fundo. Foi uma alternativa encontrada para suprir “buracos” nas traduções escolhidas – Henriqueta Lisboa realizou a tradução de metade dos 33 cantos do Purgatório, enquanto Haroldo de Campos o fez em apenas seis dos 33 cantos do Paraíso.
Essa opção garantiu certa graça à narrativa, uma adaptação bem mais densa e fiel ao original que a de Chwast. A certa altura, por exemplo, um dos interlocutores de Dante suspira, com a cabeça apoiada sobre as mãos, ao ouvir sobre mais um desfalecimento do autor durante o percurso: “Será que ele vai continuar a desmaiar assim o tempo todo?”.
Com inspirações declaradas em histórias como Little Nemo, de Windsor McCay, e Krazy Kat, de George Herriman, Seymour Chwast não se incomoda com críticas quanto ao esvaziamento do conteúdo da obra, que em seu traço foi resumido dos três livros originais a apenas 127 páginas: “Por sorte, uma imagem vale por mil palavras”, conclui.
SEYMOUR CHWAST
Designer norte-americano
“O livro é um monumento à inspiração”
Por que adaptar um livro que já inspirou tantos artistas?
Esse livro é o monumento de um grande poeta à inspiração. Quando comecei minha adaptação, só conhecia as versões de Gustave Doré e William Blake
É sua HQ de estreia, e você evitou o formato clássico de sequência de quadros…
Quadros uniformes são estáticos e entediantes. Copiei o estilo dos melhores quadrinistas, tornando as páginas dinâmicas e animadas. Desenhei cada cena como se fosse o todo.
Por que imaginou Dante como um personagem de história noir?
É o estilo que combina com o espírito da minha arte. E desenhar togas não me interessava…
Qual foi a parte mais difícil e a mais interessante de ilustrar?
O Purgatório foi difícil pela variedade de situações com a ação à beira da montanha. A mais interessante foi o Inferno, naturalmente, porque as punições e os personagens são gráficos e prazerosos.
Não é mais difícil impactar com um Inferno em preto e branco?
Doré fez a versão dele em preto e branco, e ela é boa o suficiente para mim. Cores tornariam os desenhos menos gráficos e mais decorativos.
PIERO BAGNARIOL
Quadrinista italiano radicado no Brasil
“É quase a pedra fundamental do idioma”
Por que resolveu adaptar a Divina Comédia?
A editora me convidou a adaptar um clássico da literatura italiana, e a escolha foi meio natural. A Comédia é quase a pedra fundamental do idioma.
O quanto você já conhecia do livro e como foram as pesquisas?
Tinha lido na escola, mas meu pai, Giuseppe, conhece bem a obra e me ajudou no roteiro. Tivemos ainda consultoria da Maria Teresa Arrigoni, especialista na obra dantesca.
Como foi adaptar a partir de trechos já traduzidos?
Jorge Wanderley tinha traduzido todo o inferno, mas Henriqueta Lisboa e Haroldo de Campos tinham vertido só partes do Purgatório e do Paraíso, respectivamente. Partimos do original em italiano, e os trechos que não tínhamos, adaptamos num enredo que retrata um pouco a vida de Dante e serve de pano de fundo.
Que parte foi mais difícil e mais interessante adaptar?
O Purgatório tem a cena de uma procissão. uma alegoria da história da igreja, que foi bem difícil traduzir graficamente. O mais interessante foi a mudança de estilo de um reino para o outro: grotesco no Inferno, elegíaco no Purgatório e sublime no Paraíso
A nota de abertura eu precisei antecipar em post ontem, depois que o Sabático já tinha ido para a gráfica, porque… bem, deixa pra lá. Mas o resto taí, tal qual na edição impressa.
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BABEL
Raquel Cozer – raquel.cozer at grupoestado.com.br
NEGÓCIOS
Crescimento acelerado
À margem do eixo Rio-São Paulo, a Novo Conceito, de Ribeirão Preto, conquista com rapidez espaço entre as grandes do País. Em 2010, vendeu 1,9 milhão de livros, um crescimento de 800% na comparação com 2009. Nos primeiros quatro meses deste ano, a editora já cresceu 1.192,38% em relação ao mesmo período de 2010.
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Criada em 2004 como selo de técnicos e médicos, a editora de Fernando e Mila Baracchini investiu em “literatura de fácil leitura” em 2008, com Noites de Tormenta, de Nicholas Sparks. Tem hoje seis livros (quatro de Sparks) entre os mais vendidos do Publishnews, junto à Leya e atrás só da Sextante, Record, Santillana, Ediouro e Intrínseca. Se gosta dos livros que lança? “Gosto, acredita?”, diz Fernando, e aposta que a coluna apreciará o próximo: A Janela de Overton, de Glenn Beck, “na linha do Código Da Vinci”.
CONGRESSO
Gabo por aqui?
Após garantir nomes do calibre de Werner Herzog e Enrique Vila-Matas no 3.º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural Cult/Sesc, que terminou ontem em São Paulo, a editora Daysi Bregantini promete trazer, em 2012, convidado para organizador de evento nenhum pôr defeito: Gabriel García Márquez. Ela fez acordo com a Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, fundada pelo escritor, e diz que Gabo vem.
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A ideia surgiu em conversa com Hector Feliciano, professor da FNPI, que participou do congresso e edita a obra jornalística de Gabo. A parceria deve render um intercâmbio de oficinas de jornalismo entre Brasil e Colômbia. Outro convidado deste ano, Julián Gorodischer, jornalista do Clarín, também quer levar o congresso à Argentina.
HOMENAGEM
A escolha de Augusto
Um tributo planejado pela Flip teve de ficar de fora da programação: convidado a uma mesa literária, Augusto de Campos recusou. “Não sou amigo de festas literárias e homenagens”, disse à coluna. “Compreendo que, no ano dos meus 80 anos, queiram alguns manifestar apreço pelo meu trabalho. Sou grato aos que tomaram essa iniciativa. Procuro, no entanto, reduzir ao mínimo a minha participação nesse tipo de eventos.”
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O poeta está, diz, “assoberbado de solicitações” – mas segue confirmado para a Balada Literária, de 17 a 20 de novembro. “Marcelino (Freire, organizador do evento) anunciou o seu desejo de homenagear o meu trabalho desde o ano passado. É no fim do ano. Espero estar mais desocupado.” Que esteja: Marcelino já planeja, entre outras coisas, um “grande show” e um “corredor” com versos do poeta da Vila Madalena à Avenida Paulista.
ESPETÁCULO
Autores no palco
Aliás, Marcelino Freire, que em 2010 boicotou a Flip por achar a programação muito pouco literária, voltará a Paraty, desta vez como curador de parte da programação do Itaú Cultural. Ele é o organizador do AuTORES EM CENA, no qual escritores representarão seus próprios personagens. Lourenço Mutarelli será um dos participantes.
CINEMA
Milagres com Milagrário
Paulo Caldas, diretor de Baile Perfumado, está disposto a um desafio que surpreende José Eduardo Agualusa – quer filmar o mais recente romance do angolano, Milagrário Pessoal. Dois livros de Agualusa já passam por adaptações – Nação Crioula, por Andrucha Waddington, e O Vendedor de Passados, por Lula Buarque de Hollanda –, mas a questão é que Milagrário trata basicamente… de palavras. “Me parece algo dificílimo, mas ele teve ideias muito boas”, diz o escritor.
NOVO SELO
Onda infantil
A Alfaguara, braço literário da Objetiva, prepara o lançamento do selo Alfaguara Infantil, que terá obras de Roberto Torero e Ronaldo Correia de Brito, entre outros. A entrada no segmento infantojuvenil se dará no próximo semestre, com Jabuti Sabido e Macaco Metido e A Maravilhosa Ponte de Meu Irmão (imagem, por Raul Gastão), de Ana Maria Machado.
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A criação do selo infantil segue uma tendência entre casas brasileiras, com vista às polpudas compras de livros pelo governo. Desde dezembro, Iluminuras, Paz e Terra, Cia dos Livros e Babel anunciaram os seus.
O professor de literatura da USP e poeta Augusto Massi, que desde 2001 comandava a Cosac Naify, deixou a presidência da editora esta semana. Em seu lugar, reassume o cargo Charles Cosac, fundador da casa, que a dirigiu até convidar Massi a integrar sua equipe. Charles sempre atribuiu ao editor a virada da Cosac. Até 2003, ela vivia no vermelho, problema superado após reformulações de Massi – que, com isso, ajudou a colocá-la entre as principais editoras do País. No mês passado, Massi anunciou a amigos que entraria em período sabático para cuidar de projetos pessoais. Ele deve seguir colaborando com a Cosac, que completa 15 anos em 2012.
Do DeMotivation, via Boing Boing.
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Update, alguns minutos depois…
Do Eduardo Nasi, no Twitter, após ver este post: “Ou ao contrário, né? (i.e. Imagina a Grace Kelly lendo Trainspotting)”. Tá certíssimo.
Li esses dias o Milagrário Pessoal, o romance mais recente do angolano José Eduardo Agualusa, lançado faz uns meses. É uma viagem, em vários sentidos, pela história do português (o idioma, bem entendido). O estopim são as agruras de uma linguista que, responsável por dicionarizar neologismos, descobre que alguém está criando numa rapidez incrível centenas de palavras – todas elas de repente imprescindíveis, um caos para a languidez com que a língua costuma evoluir.
Daí esbarrei nesse cartum do gênio Tom Gauld, que costuma publicar seus trabalhos aos sábados no The Guardian Review, e achei que tinha tudo a ver.
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O Sabático deste fim de semana incluiu um especial pelos 130 anos de nascimento de Lima Barreto (completados na sexta, dia 13), e a mim coube um estudo de 1998 do inglês Robert Oakley, enfim publicado no Brasil, pela editora Unesp, após ampla revisão. Vez por outra a gente ouve falar de estudos sobre Machado ou Clarice por pesquisadores de outros países, daí fiquei curiosa em saber o quanto se conhece de Lima Barreto na Inglaterra. A resposta, abaixo, no meu texto publicado na edição de ontem.
(A imagem eu peguei do Blog dos Quadrinhos; é da adaptação de Clara dos Anjos que o Marcelo Lelis está preparando para o selo Quadrinhos na Cia)
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“Os estudos barretianos no Reino Unido sou eu”, sintetiza o britânico Robert Oakley, professor aposentado de português e espanhol da Universidade de Birmingham. Tradutor de Fernão Lopes para o inglês e estudioso de longa data da produção brasileira no século 20, ele teve um de seus mais destacados trabalhos, The Case of Lima Barreto and Realism in the Brazilian Belle Époque, lançado em 1998 pela nova-iorquina Edwin Mellen Press – e, de lá para cá, seu objeto de estudo não despertou muito mais interesse entre leitores de língua inglesa.
“Os textos de Lima Barreto são virtualmente desconhecidos por aqui, apesar de uma tradução muito boa de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, publicada uns 25 anos atrás. A literatura brasileira é ensinada em universidades britânicas, mas Barreto não figura entre o limitado cânone de ‘grandes obras’ dessa produção estudada no Reino Unido”, diz Oakley ao Sabático por e-mail, de Londres. Ele próprio só tomou conhecimento da qualidade literária do autor ao terminar de ler Machado de Assis e se questionar sobre o que teria acontecido na literatura brasileira pós-Machado – questão que pôde começar a responder após adquirir, num sebo carioca, os 17 volumes das Obras Completas de Lima Barreto.
Treze anos depois da edição em inglês, The Case of Lima Barreto… ganha tradução pela Unesp, “bem revisada e atualizada”, como ressalta o pesquisador, sob o título Lima Barreto e o Destino da Literatura. O nome da edição brasileira refere-se a um dos últimos trabalhos de Lima Barreto publicados em vida, em fins de 1921, no periódico carioca Revista Souza Cruz. Intitulado O Destino da Literatura, o texto foi elaborado como teor de uma palestra que ele ministraria em meados daquele ano em São José do Rio Preto – o futuro do pretérito cabe aqui porque, no dia da conferência, o tímido escritor, que nunca havia falado a um grande público antes, desapareceu e foi localizado bem mais tarde num botequim, completamente embriagado.
Esse texto, que Lima Barreto produziu com base especialmente em ideias de Tolstoi (no ensaio O Que É a Arte) e Jean-Marie Guyau, serve como linha condutora do estudo de Oakley. A partir dele, o britânico analisa o percurso do processo criativo do ficcionista, tomando como referência também suas pouco investigadas leituras – entre as quais se destacam ainda Thomas Carlyle, Johann Gottlieb Fichte e Anatole France.
Essa costura entre influências e produção ficcional permite compreender a concepção de literatura do autor de Clara dos Anjos, para quem a beleza estética depende da “substância” da obra – em outras palavras, para Barreto a importância da literatura reside não na forma, mas no conteúdo. O destino da literatura, segundo seus preceitos, seria uma missão quase divina, de penetrar o sentido da vida e promover a solidariedade humana.
É fato destacado entre os críticos da obra barretiana que o autor nem sempre foi capaz de seguir à risca suas intenções literárias. Entre as teses que Oakley defende está a de que, apesar do compromisso inicial de Recordações do Escrivão Isaías Caminha com a criação do “negrismo” na literatura brasileira, essa cruzada foi relegada a segundo plano por muito tempo, enquanto questões como a fragmentação e a alienação do País chamavam mais a atenção do escritor. Do mesmo modo, apesar de uma “teimosa coerência”, como define Oakley, na atitude de Lima ao longo dos anos, a análise de sua produção – em especial das três versões de Clara dos Anjos, de 1904, 1919 e 1921-22 – permite entender como seu engajamento literário sofreu transformações no decorrer da vida.
[Publicada no Sabático]
BABEL
Raquel Cozer – raquel.cozer at grupoestado.com.br
EVENTO
Filba, a Flip portenha, celebra o Brasil com seis nomes
Os escritores Adriana Lisboa, João Gilberto Noll, Joca Reiners Terron, Santiago Nazarian e Vilma Areas, além do músico Moreno Veloso, estão confirmados para o 3.º Festival Internacional de Literatura em Buenos Aires (Filba), que homenageará o Brasil, de 10 a 18 de setembro. Após celebrar o chileno Roberto Bolaño, em 2008, e a literatura uruguaia, em 2010, o Filba volta-se à produção brasileira, com dezenas de palestras e leituras gratuitas previstas. “A intenção é dialogar sobre relações, influências e vozes das literaturas argentina e brasileira. Notamos esse laço se fortalecendo e queremos fazer parte”, diz Pablo Braun, diretor da Fundación Filba e do festival, que em anos anteriores teve Arnaldo Antunes e Milton Hatoum entre os convidados. A nova edição contará com 25 estrangeiros, incluindo o sul-africano J. M. Coetzee e o holandês Cees Nooteboom, e cerca de 50 argentinos, com a meta de atrair 15 mil pessoas.
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INFANTIL-1
Resgate de Catullo
O Lenhador, poema do primeiro livro de Catullo da Paixão Cearense (1866-1946), indisponível desde os anos 50, sai pela Peirópolis em junho, ilustrado por Manu Maltez (imagem). Trata-se do único poema de Catullo para crianças, escrito em linguagem sertaneja. A organização ficou a cargo de Francisco Marques, o Chico dos Bonecos, e a apresentação é de Manoel de Barros.
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Autor de Luar do Sertão e um dos músicos mais famosos do Brasil à sua época, Catullo tinha mais de 50 anos quando passou a publicar poesia. Sua obra inteira está fora de catálogo há mais de três décadas por “desinteresse” das editoras, diz Chico dos Bonecos. “Mário de Andrade o chamava de “o maior criador de imagens da poesia brasileira”, mas a maioria nem sabe que ele existiu.”
INFANTIL-2
Autoajuda para crianças
A Thomas Nelson americana prepara para novembro versão infantil de O Céu É de Verdade, de Todd Burpo e Lynn Vicent. A obra adulta lidera há 17 semanas a lista de não ficção do New York Times, com 2 milhões de cópias vendidas, e trata de um garoto que diz ter subido ao céu e visto familiares mortos durante uma cirurgia. O original adulto já saiu pela Thomas Nelson brasileira, que também lançará a edição infantil.
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O burburinho em torno do livro deve só aumentar. Esta semana, a Sony anunciou a compra dos direitos para cinema. Um dos produtores, Joe Roth, que também produziu Alice no País das Maravilhas, disse que a história o fez lembrar de O Sexto Sentido.
TEATRO
Pirandello inédito
Três peças de Luigi Pirandello (1867-1936) inéditas em livro no Brasil saem a partir do mês que vem pelo selo Tordesilhas. Assim É (Se lhe Parece), com tradução de Sérgio N. Melo, é a primeira, seguida de Esta Noite se Improvisa e O Homem com Uma Flor na Boca.
PALESTRA
Método para americano ver
A estreia em romance de Marcelo Ferroni, editor da Alfaguara, rende bons frutos. O autor embarca dia 24 para palestra na Universidade da Califórnia (Ucla) sobre Método Prático da Guerrilha (Companhia das Letras). O livro ainda está em avaliação por editoras americanas, mas já foi comprado pela Alfaguara espanhola, pela portuguesa Dom Quixote e pela italiana Mondadori.
CINEMA
Meditações de Lynch
Cineastas brasileiros estão sendo convidados pela Gryphus a enviarem perguntas para David Lynch, para entrevista a ser incluída em nova edição de Em Águas Profundas, prevista para setembro. O livro de 2008, sobre cinema, meditação e criatividade, vendeu mais de 15 mil cópias por aqui e terá agora texto inédito sobre tecnologia digital.
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Diretores que quiserem se inspirar em produções recentes de Lynch antes de elaborar as questões podem espiar o vídeo que ele pôs na web dias atrás para divulgar sua marca de café, David Lynch Signature Cup, no qual bate papo com a cabeça de uma Barbie. Está disponível em bit.ly/dalynch (e abaixo)
FANTÁSTICO-1
Bruxas na Bienal
Professora de história, detentora de prêmios como Fullbright e Guggenheim e autora de estudo sobre a Londres elizabetana e a revolução científica, Deborah Harkness foi encontrar o sucesso na literatura fantástica. Best-seller com A Descoberta das Bruxas, recém-lançado pela Rocco (com 30 mil cópias), ela confirmou presença na Bienal do Livro Rio, em setembro.
FANTÁSTICO-2
Entre brasileiros e portugueses
O rentável segmento do terror e da literatura fantástica, aliás, estimulou a Leya Portugal/Gailivro a lançar a série Mitos Urbanos, na qual autores brasileiros e portugueses revisitarão velhas histórias. Espíritos de Gelo, do brasileiro Raphael Draccon, e Senhora Vingança, do português Fernando Ribeiro, chegam neste mês às livrarias portuguesas.
2011
2010
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